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Grafitheiro: natalense homenageia banda com bar, pizza e tatuagem

O fanatismo de Paulo Juca de Medeiros, 43 anos, por uma das bandas mais populares do Rio Grande do Norte o transformou em Paulo Grafith. Ele é fundador do Bar do Grafith, aberto há 15 anos em Petrópolis

Maio 24, 2019 às 14:32 - Por:

Paulo e seu bar-casa. Foto: Bruno Vital/Portal OP9

Paulo e seu bar-casa. Foto: Bruno Vital/Portal OP9

É provável que até o mais desatento dos potiguares conheça o conto do Chico que bateu no Bode ou já tenha ouvido falar sobre o encontro de duas almas no portão do cemitério, ambos narrados pela inconfundível Banda Grafith.

Há 30 anos, os acordes e batuques de um dos grupos musicais mais populares do Rio Grande do Norte animam os bailes potiguares com um repertório que vai do rock sessentista ao forró, passando por soul, samba, funk, axé, sertanejo, reggae, bolero, swingueiras pornofônicas e afins.

Logo no início do grupo, em 1989, a miscigenação musical característica da banda conquistou Paulo Juca de Medeiros, à época um garoto natalense de 14 anos que se encantou com o que viu no palco do Clube da Assen, local onde os irmãos fundadores do grupo (Kaká, Joãozinho, Carlinhos e Júnior) ensaiavam os primeiros passos como músicos.

A exemplo da banda, Paulo cresceu e hoje com 43 anos de idade se tornou Paulo Grafith ou Paulo do Bar do Grafith. Em 2004 ele resolveu transformar o amor pela música dos quatro irmãos em homenagem ao criar o Bar do Grafith na Rua Teófilo Brandão, em Petrópolis, na Zona Leste de Natal, local onde sempre morou.

“Quase todos os meus amigos são grafitheiros e como aqui no RN não tinha um lugar assim pra bater um papo, fazer amizades e curtir o Grafithão, tive essa ideia. Juntei o útil ao agradável”, explica. “Grafitheiro” está para a Banda Grafith como o “chicleteiro” está para a baiana Chiclete com Banana.

O bar não foi a única homenagem de Paulo, ele tatuou a logo da banda em seu antebraço direito. Foto: Bruno Vital/OP9

O bar não foi a única homenagem de Paulo, ele tatuou a logo da banda em seu antebraço direito. Foto: Bruno Vital/OP9

Devoção

O bar virou uma espécie de templo dos grafitheiros e até ganhou fama entre os fãs da banda que moram fora do Rio Grande do Norte. É lá também o ponto de encontro de outros artistas da cena potiguar como MC Leozinho do B.A. e integrantes do Agregados Família do Rap, que se reúnem para comer uma pizza ou tomar uma cervejinha nas cadeiras amarelas do bar de Paulo. Mas, como não podia ser diferente, os clientes mais ilustres são os quatro irmãos responsáveis pela banda, que serviu de inspiração para a criação do boteco. Joãozinho, Kaká, Carlinhos e Junior já visitaram o estabelecimento diversas vezes.

Pizzaria funcionava na parte de cima do bar e por enquanto está em reforma. Foto: Bar do Grafith/Cedida

Pizzaria funcionava na parte de cima do bar e por enquanto está em reforma. Foto: Bar do Grafith/Cedida

Paulo fez do bar a sua casa e vice-versa. Literalmente. Ele mora nos fundos do prédio de dois andares, que atualmente está em reforma na parte superior. “Aqui eu quero ampliar pra criar um ambiente melhor e no mais tardar dezembro eu termino”, completa.

“Lá é tranquilo demais, todo mundo brinca numa boa. Todo dia quando saio do trabalho paro lá pra bater o ponto, já criamos até grupo no zap (sic) pra marcar as resenhas”, conta Geovane Oliveira, que frequenta o local todos os dias há cinco meses.

Anderson Aquino é outro frequentador assíduo e acompanha a rotina de seu amigo Geovane. “Nos conhecemos lá e é como se fosse uma religião, toda noite a gente dá aquela passadinha pra batermos um papo legal e descontrair. Acho que em nenhum outro bar me sinto tão bem, é como se estivesse em casa”, afirma.

Kaká da Banda Grafith e Paulo. Foto: Arquivo Pessoal/Cedida

Kaká da Banda Grafith e Paulo. Foto: Arquivo Pessoal/Cedida

O status de fã número um da banda também já rendeu um dia de ídolo para Paulo. “A primeira vez que cheguei em Macau [cidade do litoral norte do RN] me senti uma celebridade, todo mundo queria tirar foto comigo, perguntando se eu era o cara do Bar do Grafith. Até minha esposa ficou com ciúme no tempo”, diz.

Paulo conta com a ajuda da atual esposa para manter o estabelecimento funcionando todos os dias. Vem de lá a renda que sustenta os cinco filhos da família grafitheira.

Mas no Bar do Grafith só toca Grafith? De acordo com o dono, não. “Certa vez uns familiares vieram aqui pra casa e estavam curtindo um Wando. Foi então que chegou um cara exigindo que eu trocasse a música e colocasse Grafith, só que eu disse ‘meu amigo, tenha calma que não é assim que funciona’”, explica.

E conclui: “Se disser que nunca rolou uma discussão aqui eu estaria mentindo, mas foi um fato isolado. Meu bar é um ambiente familiar e aberto para todos, grafitheiros ou não, respeito o gosto de todo mundo. Até desenho animado eu já botei aqui na televisão porque tinha uma menina chorando”.

Paulo, Grafith e o Bar

Respiro Grafith, minha vida é Grafith. Hoje tenho os meus ídolos como se fossem da família, conheço todos e vou na casa deles. É sempre muito emocionante.

O fã apaixonado revisita os 30 anos acompanhando a banda por todo RN com milhares de fotos guardadas em uma bolsa. Foto: Bruno Vital/Portal OP9

O fã apaixonado revisita os 30 anos acompanhando a banda por todo RN com milhares de fotos guardadas em uma bolsa. Foto: Bruno Vital/Portal OP9

As histórias do homem de 43 anos e da banda de três décadas se misturam de forma espontânea e genuína. Em 30 anos de Grafith, Paulo já foi a aproximadamente 1.000 shows e se casou seis vezes com seis mulheres que compartilhavam do mesmo fanatismo pelo grupo musical natalense.

“Já cheguei a ir em dois shows num mesmo dia, primeiro em Mãe Luiza e depois nas Rocas. Quando era mais novo vendi um home theater por R$ 100 sendo que eu tinha comprado ele por R$ 400 só pra poder seguir a banda pelas turnês estado afora”, relembra em meio a risadas.

Segundo Paulo, as loucuras não pararam por aí. A última foi eternizar a Banda Grafith na própria pele com a foto dos quatros irmãos músicos na perna esquerda, logotipo da banda no braço direito e até mesmo nomes de percussionistas e dançarinos tatuados nas mãos. “A próxima loucura vai ser tatuar o nome dos meus amigos grafitheiros na perna. Haja pele”, brinca.

Bruno Vital

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