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Carmin, entrando em cena para quebrar estereótipos do ser regional

Após cinco anos em cartaz com o espetáculo Jacy, o grupo de Natal ganhou em 2018 indicações para dois importantes prêmios do teatro nacional com a Invenção do Nordeste

dezembro 30, 2018 às 10:23 - Por:

Arte: Keops Ferraz/OP9

Arte: Keops Ferraz/OP9

Há pelo menos cinco anos um pequeno grupo de teatro do Rio Grande do Norte é nome obrigatório na pauta de alguns dos principais palcos do país. O Carmin, grupo formado por oito integrantes, vem conquistando cada vez mais espaço no cenário nacional e termina 2018 com indicações para dois grandes prêmios, o Cersgranrio e o Shell, uma das mais tradicionais premiações da cena teatral brasileira. Quebrar estereótipos. Fugir do óbvio. Surpreender. Características que sem dúvida fizeram o Carmin brilhar ainda mais pelos teatros brasileiros este ano. Reconhecimento é a palavra que resume 2018 para o grupo. É o que afirma Pedro Fiuza, dramaturgo audiovisual.

Mas essa história de conquistas começou em 2013 quando o grupo que já havia sido criado em 2007 atraiu olhares e público com a peça Jacy. A concepção do espetáculo que caiu no gosto do público teve início a partir do encontro por acaso de uma frasqueira na Avenida Prudente de Morais, em Natal. Dentro dela tinha uma radiografia, números de telefone e objetos pessoais de uma mulher chamada Jacy. Isso foi suficiente para o Carmin iniciar uma pesquisa sobre a personagem desconhecida. A vida de Jacy percorre noventa anos, entre a Segunda Guerra Mundial e o início do 21. Com textos dos filósofos Pablo Capistrano e Iracema Macedo, Jacy é uma peça cômico-trágica que revela fatos sobre o abandono dos idosos, a política e o crescimento desenfreados das cidades. Cinco anos figurando na cena teatral nacional, a peça é considerada um marco para o grupo.

Ainda viajando com Jacy, o Carmin estreou em agosto de 2017, o seu 5º espetáculo,  A invenção do Nordeste, peça com a qual o grupo brilhou ainda mais em 2018. A montagem foi feita a partir da obra homônima do professor doutor Durval Muniz de Albuquerque Jr, trouxe para a cena o debate sobre identidade e xenofobia. Na autoficção criada por Henrique Fontes e Pablo Capistrano, um diretor de teatro prepara dois atores para a seleção final de uma produtora “de fora” que busca um ator nordestino que possa viver um personagem regional. Ao longo do processo, os personagens vão revelando que a tal “identidade nordestina” é de fato uma invenção a serviço da dominação.

E assim o grupo foi desconstruindo a identidade criada focando no tema que todo nordestino se interessa. “As pessoas acham que o Nordeste é apenas o sertão”, destaca Fiuza. Com esse trabalho, eles foram fazendo temporadas longas pelo país. A invenção do Nordeste foi escolhida pelo jornal O Globo como um dos melhores espetáculos apresentados no Rio de Janeiro em 2018. A obra também participou de dois importantes festivais internacionais este ano, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, em Santos, e o Festival Internacional de Teatro (FIT), realizado em Belo Horizonte. “Buscamos fazer o melhor trabalho possível, que se comunique com o público e conseguimos alcançar um grande reconhecimento”, ressaltou o ator Mateus Cardoso.

O Grupo Carmin é formado por Quitéria Kelly, Pedro Fiuza, Henrique Fontes, Robson Medeiros, Mateus Cardoso, Mariana Hardi, Pablo Capistrano e Daniel Torres. “O que nos move são lugares não óbvios de leitura teatral”, é assim que Pedro Fiuza descreve um pouco do que inspira o grupo contador de histórias, memórias e documentos de vidas. E para fechar 2018 com mérito, o grupo não para e já se aquece em uma nova pesquisa sobre a classe média. Vem mais história do Carmin por aí.

Marline Negreiros

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