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Santuário de animais mortos e doentes é descoberto em Apodi

Além de três cemitérios com centenas de carcaças de todos os tipos há cerca de 500 cães, 200 gatos e ainda animais de médio e grande porte sofrendo maus tratos

novembro 12, 2018 às 17:10 - Por: Redação

Três cemitérios com centenas de carcaças de animais; aproximadamente 500 cachorros de diferentes raças, sexos e idades; cerca de 200 gatos, na mesma situação e ainda outros animais de médio e grande porte. Todos em situação de maus-tratos.

Foi isso o que agentes da Delegacia Especializada em Proteção ao Meio Ambiente (Deprema) e fiscais do Ibama descobriram na tarde desta segunda-feira (12) ao visitarem um local conhecido como “santuário”, na cidade de Apodi, a 380 quilômetros de Natal.

Também foram encontrados animais silvestres: um macaco prego, um tucano e alguns papagaios. E há outros dois detalhes que tornam a história mais complicada ainda. Um deles é que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) leva animais para este terreno.

O outro é que a comida dada aos animais não é adequada e há uma suspeita de que parte dela é feita com carcaças de outros animais. “É um negócio assim que ninguém imaginava. A comida é feita com restos de animais e restos de comida podre”, disse o delegado da Deprema, Márcio Delgado Varandas.

A descoberta só foi possível graças a uma denúncia feita ao vereador Sandro Pimentel (PSOL), da Câmara Municipal de Natal. Foi ele quem alertou a Deprema sobre a situação.

De acordo com o delegado, o responsável pelo terreno será autuado por maus-tratos, que não gera detenção; e crime ambiental. “Tem animais praticamente morrendo à míngua”, contou. O proprietário da área foi identificado como Eribaldo Gomes Nobre, 55 anos. Ele é conhecido como “Jesus”.

Além disso, o caso continuará sendo investigado para saber se ele recebe algum valor referente a convênios para, por exemplo, receber os animais encaminhados pela PRF ou por alguma prefeitura da região. De acordo com o delegado não há como dizer ainda há quanto tempo os animais estavam na situação encontrada, mas ele estima que isso aconteceria há pelo menos mais de um ano.

O delegado observou que o maior problema da situação é mesmo não ter para onde remover esses animais. O caminho seria começar a pressionar para que o proprietário melhore as condições de estrutura. O Ministério Público será comunicado dos problemas para também atuar no caso.

Local deveria se chamar “infernário”, diz vereador

Sandro Pimentel, o vereador que denunciou o problema às autoridades, disse que o caso era tão absurdo que ele não conseguiria descrever a situação encontrada em Apodi. “Isso aqui se chama ‘santuário’, mas deveria se chamar ‘infernário’”.

“Se eu quiser descrever eu não consigo. Há três cemitérios com milhares de carcaças de animais; mais de 500 cães misturados; cães morrendo com leishmaniose e outros contaminados com cinomose, que é uma virose. Vai contaminar os outros”, descreveu.

O vereador – que é deputado estadual eleito – disse que vai acionar a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) para fazer um trabalho no sentido de dar tratamento a esses animais e também de separá-los por sexo e por condição de saúde. “É um matadouro mesmo. De santuário não tem nada. Os animais de grande porte não têm comida”, afirmou.

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