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Homem citado no caso “Opressores RN 17” se diz ameaçado de morte

“Falam que vão me esquartejar, me decapitar, me empalar”, desabafa um dos homens que teve dados divulgados como suposto membro de grupo com ameaças de estupros e assassinatos

outubro 18, 2018 às 08:15 - Por:

Mensagens supostamente trocadas no grupo Opressores RN 17 serão investigadas. Foto: Reprodução WhatsApp

Mensagens supostamente trocadas no grupo Opressores RN 17 serão investigadas. Foto: Reprodução WhatsApp

“Eu sou o mais ameaçado. Falam que vão me esquartejar, me decapitar, me empalar. É um absurdo”. A declaração é de um empresário de 43 anos cujo número do celular e seu nome aparecem no “Opressores RN 17”, suposto grupo de WhatsApp no qual cinco homens falavam sobre ameaças armadas, de estupro e de morte contra eleitores contrários a Jair Bolsonaro (PSL).

As mensagens ofensivas geraram tanta repercussão que o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Civil no Rio Grande do Norte abriram investigações para checar a veracidade dos diálogos e do grupo. Além disso, as imagens viralizaram e já alcançaram outros grupos em todo o Brasil.

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O empresário nega ter feito as declarações que lhe são atribuídas, bem como participar de um grupo do tipo. Ele diz que, por conta de tudo isso, está evitando ir para sua residência por questões de segurança. Ele conta que há pelo menos dois dias não consegue dormir, temendo o que possa lhe acontecer. E que sua família toda está sendo afetada pelo caso.

O homem alega que, por ter seu nome envolvido nessa história, está sob forte assédio moral e psicológico. “Eu estou sendo ameaçado. Já ameaçaram me decapitar, empalar”, reafirma.

Boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil sobre o caso. Foto: Cedida

Boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil sobre o caso. Foto: Cedida

Empresário e representante comercial procuraram a Polícia Federal

O empresário que afirma estar sendo ameaçado de morte e um representante comercial de 42 anos que também teve o número e o nome divulgado nas imagens atribuídas ao “Opressores” procuraram a Polícia Federal e a Polícia Civil para prestar queixa.

Eles afirmam serem vítimas e dizem temer os prejuízos que poderão ter com a história. Há ainda um terceiro envolvido, um engenheiro de pesca que reside no interior do Rio Grande do Norte, que também nega envolvimento com o caso e alega sequer ter WhatsApp atualmente.

Dos cinco homens que aparecem como participantes do “Opressores RN 17”, dois não tiveram os telefones revelados nas imagens. Os outros três falaram com o OP9, mas a pedido e por questão de segurança não terão seus nomes completos divulgados.

O primeiro a saber que estava envolvido na história foi o representante comercial de 42 anos. Ele afirma ter recebido uma mensagem anônima com os prints das conversas. A pessoa que enviou perguntou se ele estava ciente daquilo. Ele respondeu que não. Ela então lhe informou que “já estava rolando na UFRN”.

A partir daí, o representante comercial começou a ser bombardeado por mensagens. “Depois viralizou. Tem gente falando comigo de todos os estados. Tem gente que passa mensagem xingando e outras querendo saber se é fake”, contou.

Diante da situação, ele resolveu entrar em contato com o empresário que também teve seu número revelado nas imagens. Segundo a dupla, eles se conhecem, mas não são amigos, e após conversarem sobre o caso resolveram procurar a Polícia Civil e a Polícia Federal.

Eles confirmam que são eleitores de Bolsonaro, mas ambos negam participação em qualquer grupo semelhante. Também alegam que jamais fizeram declarações do tipo e que não fazem a mínima ideia de como seus nomes e telefones foram parar ali.

Os dois também não pretendem mudar de celular porque argumentam depender dos números para seus trabalhos. E pedem que as pessoas parem de compartilhar as imagens e de enviar mensagens.

Celular será entregue à Polícia Federal para análise

De acordo com o representante comercial, segunda-feira próxima, dia 22, seu telefone será entregue à PF para análise. Segundo ele, isso não foi uma imposição, mas proposto pelo delegado que os teria recebido e tomado os depoimentos. Possivelmente foi essa queixa que gerou a abertura de apuração pelo Ministério Público Eleitoral.

Nenhum deles têm a menor ideia de como acabaram sendo incluídos nessa história. E ambos agora querem que a polícia esclareça o que aconteceu. Os dois têm disposição de processar os responsáveis e também outras pessoas que divulgaram as imagens sem checar a veracidade do caso.

“Eu quero é chegar ao autor disso aí. Esse negócio é muito grave. Eu não sei. Pode aparecer um louco desses aí e fazer alguma coisa”, afirmou o empresário.

Ele acrescenta que o delegado orientou que eles gravassem todas as menções ao caso e que está fazendo isso. Inclusive, para processar pessoas que contribuíram para a divulgação da história e, eventualmente, para algum dano moral.

Everton Dantas

Jornalista. Editor do OP9 no RN

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