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Débora Seabra, a mestre em ensinar que discriminar é crime

Primeira professora com síndrome de Down do país, potiguar deu lição ao responder comentário de juíza carioca. Também conquistou os prêmios Brasil Mais Inclusão e Claudia

dezembro 29, 2018 às 08:50 - Por:

Arte: Keops Ferraz/OP9

Arte: Keops Ferraz/OP9

“Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem? Esperem um momento que fui ali me matar e já volto, tá?”. A primeira professora com síndrome de Down do país, a potiguar Débora Seabra de Moura, 37 anos, foi surpreendida em março de 2018, quando essa declaração da desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, da 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro veio a público no Facebook. Rebateu a crítica em carta escrita à mão divulgada como comentário na mesma rede social da desembargadora, que ficou conhecida também por ter divulgado notícias falsas sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no dia 14 de março.

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“Eu ensino muitas coisas às crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito às outras. Aceitem as diferenças de cada uma. Ajudem a quem precisa mais”. Esse é um trecho do recado da professora Débora para a juíza Marília, publicado no dia 19 de março. Na cartinha, a professora afirma que não quer bater boca com a juíza e diz que o mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo para acabar com o preconceito, que é crime. Esta não é a primeira vez que Débora chama a atenção ao falar sobre preconceito. Em 2014, foi convidada a falar sobre o assunto em uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.

O episódio deste ano com a desembargadora só fez o trabalho da educadora potiguar ser ainda mais visto, valorizado e aplaudido. Débora Seabra que também é atriz, escritora e palestrante venceu no dia 4 de dezembro o Prêmio Brasil Mais Inclusão 2018, da Câmara Federal, destinado a empresas, entes, entidades e personalidades que tenham realizado ações em prol da inclusão de pessoas com deficiência ou seja, elas próprias, exemplos de superação.

Débora Seabra já havia conquistado o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação, em 2015, considerada a maior honraria da área da Câmara dos Deputados e também por indicação do parlamentar Rafael Motta (PSB). Na premiação de 2018, a professora agradeceu e pediu aos deputados federais que mantenham a defesa da educação inclusiva, que está sendo ameaçada. “As regras do Ministério da Educação para a educação inclusiva devem continuar como estão. Não podem ser mudadas para pior”, destacou a educadora.

Débora Seabra é professora em Natal há mais de 10 anos e faz palestras nacionalmente e em outros países, como Argentina e Portugal, sobre inclusão e o combate ao preconceito. Atualmente ela trabalha como professora assistente em um colégio particular da capital. Formou-se no curso de magistério, de nível médio, em 2005. Em 2013, ela lançou o seu primeiro livro, chamado Débora conta histórias, com fábulas infantis.

A potiguar que segue rompendo as barreiras do preconceito também teve outro grande destaque em 2018. Ela foi uma das vencedoras do Prêmio Claudia 2018, a maior premiação feminina da América Latina, que já está em sua 23ª edição e este ano teve oito categorias. Débora venceu em Trabalho Social. Na carta em resposta às palavras da desembargadora carioca, a educadora encerrou dizendo “Quem discrimina é criminoso”.

Marline Negreiros

Jornalista. Editora do OP9 no RN

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