O portal do Sistema Opinião

POP9

Hip-hop

pe

Racionais MC’s revisitam 30 anos de jornada num Classic Hall lotado

Mais de 10 mil pessoas compareceram ao local para conferir o show da turnê “3 Décadas”

outubro 6, 2019 às 15:59 - Por:

É sempre uma experiência incrível ver pessoas que estão entre as melhores no que fazem, realizando o que fazem de melhor. É tipo ver a Fernanda Montenegro no teatro, ou Nelson Rodrigues escrevendo uma crônica, ou Oscar Niemeyer criando um projeto, ou Romário fazendo gol. Ou os Racionais MC’s tocando um setlist que contempla 30 anos de carreira para um Classic Hall absolutamente lotado e vidrado. Esse último exemplo rolou neste sábado (5).

Mais de 10 mil pessoas compareceram ao local (que tem como lotação máxima 12 mil pessoas) para conferir o show da turnê 3 Décadas, que já passou por cidades como Rio de Janeiro, Florianópolis e Salvador, e agora segue rumo a São Paulo para mais três shows extras e gravação do DVD. Gente de todas as camadas sociais da Região Metropolitana do Recife – do boy de camiseta, bermuda e sapatênis ao maloka com camisa de passinho.

E esse pessoal chegou cedo. Às 23h30, horário marcado para o início dos shows de abertura, a casa já estava cheia, então quase todo mundo prestigiou as pratas da casa: DJ Karla Gnom, do bairro dos Coelhos, e o rapper Luiz Lins, natural da Zona da Mata. Karla aproveitou o ambiente para gravar o videoclipe do seu novo projeto, o Fábrica de Hino, com participação especial da MC Nany Nine. Já Luiz Lins abriu a apresentação com o sucesso Saudade, seguido do seu último single Eu tô bem.

Os Racionais MC’s subiram no palco por volta da 1h da manhã. Mano Brown, Edi Rock, DJ KL Jay e Ice Blue estavam acompanhados da banda completa, o que deixou a apresentação com tons épicos. O setlist foi construído para refletir a trajetória do grupo, e apresentado em ordem cronológica. Dos primeiros versos de Pânico na Zona Sul e Tempos Difíceis, de 1989, passando pelos discos Raio-X do Brasil (1993), Sobrevivendo no Inferno (1997),  Nada Como Um Dia após o Outro Dia (2002) e Cores & Valores (2014).

Além do domínio de palco dos MC’s e do poder do som produzido pela banda, o show ainda contou com três telões que não só transmitiam o que rolava no palco, mas como jogava por cima um efeito de glitch em tempo real, coisa fina. Com um repertório só com os maiores sucessos, o show se manteve sempre num nível altíssimo, mas ferveu mesmo lá pelo meio, quando o grupo mandou na sequência Tô Ouvindo Alguém Me Chamar, Diário de Um Detento, Capítulo 4, Versículo 3, Negro Drama e Jesus Chorou. O Classic Hall por pouco não veio abaixo.

Com 30 anos de prática, o público cantou sem parar todas as músicas. Os músicos corresponderam à altura e entregaram uma apresentação impecável. Não teve muita conversa – o repertório era longo (maior do que o que rolou em Curitiba em agosto) e a música não podia parar. As letras já falavam por si próprias. Para quem esperava algum tipo de manifestação política, também não aconteceu. Ou melhor, já vem acontecendo desde 1989, e a posição dos Racionais MC’s está mais do que clara.

Renato Mota

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: