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UFRPE apura denúncias de abusos praticados por médico da instituição

Universitários se queixam de que o servidor pede para ver as partes íntimas dos estudantes e faz comentários constrangedores durante a consulta. Problema já seria antigo

Abril 9, 2019 às 12:51 - Por:

Foto: Divulgação

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A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) instaurou sindicância interna para apurar supostos abusos cometidos por um médico que trabalha como clínico-geral na instituição. Alunos da entidade vêm denunciando condutas impróprias dele durante a realização de exames médicos no Departamento de Qualidade de Vida (DQV) da UFRPE. Os exames seriam necessários para a prática da disciplina de educação física, obrigatória na universidade.

Os universitários relatam que o médico pede para ver as partes íntimas dos estudantes e faz comentários constrangedores durante a consulta. “Eu passei por duas situações desconfortáveis recentemente com ele, mas não tomei providências por já saber que o caso é antigo/recorrente e nunca houve resolução. São coisas gritantes, como manuseio sem luvas (quando ele não deveria nem tocar, pois a requisição é de apenas um exame de pele), indução a uma ereção desnecessária, elogios e mais contatos. Passei uns três dias pra tirar isso tudo da minha cabeça, mas ainda me assusta e dá nojo só de lembrar”, conta um aluno no grupo do Facebook da instituição.

As primeiras queixas foram formalizadas há cerca de dois anos, mas, segundo estudantes, o problema é bem mais antigo. “Em 1999, fui atendido por este médico, (…) ele se f… quando ele pensou que ia fazer comigo, derrubei as coisas dele de cima da mesa, empurrei ele e fui embora”, relata um deles. “Entrei na Rural em 2013 e isso já acontecia. E agora que voltei estava conversando com uns amigos e a gente se questionou como esse cara ainda tá por aqui. Porque é algo que todo mundo sabe e ninguém faz nada”, afirma outro. “Infelizmente é uma situação absurda. Todos os meus amigos, inclusive eu, quando fomos fazer o exame médico, nos sentimos constrangidos”, conta um terceiro universitário.

O vice-reitor da UFRPE, Marcelo Brito Carneiro Leão, declarou que a universidade está ciente do caso e tomando as medidas cabíveis. Segundo ele, a sindicância é sigilosa, mas o processo já está próximo de ser concluído. “Estamos fazendo tudo o que a lei manda para que nossa decisão não seja questionada na Justiça. Ele é funcionário há bastante tempo, e pode até ser demitido de acordo com o resultado da investigação. Já tomamos algumas providências e fizemos mudanças nos atendimentos que ele realizava, mas não podemos suspendê-lo totalmente enquanto a sindicância não for concluída”, explica.

Henrique Souza

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