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Mulher tem punho quebrado após discussão política em bar

Vítima, que teve que passar por cirurgia no hospital, ficou três dias internada e ficou com vários hematomas no rosto

outubro 10, 2018 às 20:07 - Por: Redação OP9

A agressão contra Paula Guerra aconteceu no último domingo, dia das eleições. Foto: Reprodução Facebook

A agressão contra Paula Guerra aconteceu no último domingo, dia das eleições. Foto: Reprodução Facebook

Uma servidora da Fundação Joaquim nabuco (Fundaj) foi espancada e teve o pulso quebrado após uma discussão política em um bar no bairro do Arruda, Zona Norte do Recife. Paula Guerra recebeu alta nesta quarta-feira (10) do Hospital Esperança após ficar três dias internada. Ela passou por uma cirurgia para reparar a fratura e, de acordo com amigos, está muito abalada. A agressão aconteceu no domingo passado, quando foi realizado o primeiro turno das eleições 2018.

Também nesta quarta-feira, ganhou repercussão outro caso de violência contra a mulher igualmente motivado por divergências políticas, desta vez em Porto Alegre. Uma mulher de 19 anos teve a barriga supostamente marcada com um canivete na segunda-feira (8) por vestir uma camiseta com os dizeres “ele não”, que virou símbolo do posicionamento contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). O desenho remetia a uma suástica, mas foi marcado de forma contrária pelos agressores.

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A violência contra Paula Guerra foi noticiada por uma amiga da vítima no Facebook, Érica Colaço. De acordo com ela, depois de votar, Paula foi ao bar e um grupo formado por dois homens e uma mulher começou uma confusão após ver que ela usava bottons e adesivos em apoio ao candidato Ciro Gomes e ao movimento #Elenao. Os suspeitos teriam ameaçado a vítima com uma arma. Ela chegou a fazer um vídeo em que mostra os suspeitos.

“Ela me enviou mostrando quem eram, depois disso perdi contato com ela e soube hoje que eles a atacaram covardemente. Essa história me afetou de maneira dilacerante, estou devastada sem saber o que pensar e o que fazer. A certeza da impunidade tem encorajado pessoas violentas a cometerem atos desse tipo pra pior. Ela poderia estar morta, eu poderia estar morta. O que vai ser da gente?”, escreveu Érica. Segundo ela, ainda não registrou Boletim de Ocorrência porque estava internada.

Confira a entrevista que Silvia Leitão, do blog Menina Veneno, fez com Érica:

Ao ser comunicada da agressão sofrida pela servidora, a Fundação Joaquim nabuco emitiu nota oficial  condenando a violência de que ela foi vítima. “A Fundação Joaquim Nabuco repudia qualquer tipo de violência. Assim como defende a apuração dos fatos pelas autoridades policiais e a punição devida dos envolvidos com as agressões sofridas pela servidora Paula Guerra. A Fundaj se solidariza com a nossa servidora e se coloca à disposição para ajudá-la no que for necessário“, diz o comunicado.

Outros casos pelo Brasil

A campanha “Ele Não” também teria sido o mote de uma ocorrência por lesão corporal registrada na Cidade Baixa de Porto Alegre. A jovem contou que vestia camiseta com a mensagem quando foi atacada por três homens ao sair de um ônibus que teriam a questionado sobre a roupa dela. Depois, os suspeitos teriam agredido a mulher com socos e marcado a barriga com riscos de canivete. O delegado Paulo Cesar Jardim, titular da delegacia da 1º Delegacia de Polícia Civil da localidade, onde o caso foi registrado, afirmou que o desenho seria uma suástica ao contrário.

Agressores desenharam uma suástica ao contrário na barriga da jovem . Foto: Reprodução Facebook

Agressores desenharam uma suástica ao contrário na barriga da jovem . Foto: Reprodução Facebook

“Eu fui olhar o desenho que fizeram na barriga dela. É um símbolo budista, de harmonia, de amor, de paz e de fraternidade. Se tu fores pesquisar no Google, tu vai ver que existe um símbolo budista ali. Essa é a informação”, afirmou o delegado em entrevista à BBC News Brasil.

Há dois dias, na madrugada da segunda-feira (8), ainda no calor pós-eleições, foi assassinado o mestre de capoeira Moa do Katendê, em Salvador, também por divergências políticas. Ele teria discutido em um bar com um apoiador do candidato Jair Bolsonaro, defendendo seu voto em Fernando Haddad (PT). Após a discussão no bar, o suspeito foi até sua casa, retornou com uma peixeira e atacou Moa pelas costas, desferindo 12 facadas na vítima.

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