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Mais uma vítima quebra o silêncio sobre abusos de fotógrafo recifense

Ex-namorada lembra que alertou a família do suspeito sobre o comportamento agressivo e endossa relato de outras mulheres

agosto 9, 2018 às 18:06 - Por: Redação OP9

Cuidado com o felino, pois ele tem prazer em aprender, por isso quanto mais ele se descobre, mais perigoso ele é, pois ele tem noção dos seus domínios, lá ele tem PODER, e você deve respeitar o seu REINADO, por isso, saiba que ele prevê todos os seus movimentos em seu espaço. Por isso, tenha bem definidos seus objetivos com eles, se quiser aprender, aprenda, se quiser ensinar, ensine, se quiser mata-lo, mate-o, SEJA CLARO. O leão trabalha bem com as ilusões, então quanto mais imaginação ele tiver, maior amplitude de poder ele terá, por isso, se ele se estabelecer, saiba que ele vai ficar até fazer o que quiser com você e com o seu ambiente.

Mensagem encaminhada pelo fotógrafo para as vítimas. Foto: Cortesia

Mensagem encaminhada pelo fotógrafo para as vítimas. Foto: Cortesia

O trecho acima foi retirado de mensagens que o fotógrafo recifense investigado por abusos psicológicos, físicos e sexuais encaminhava para as mulheres com quem se relacionava. Longe de parecer poético, o texto costura ameaças veladas, segundo as vítimas, em metáforas com leão, signo do autor. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, contra o suspeito, que tem 25 anos, existem quatro inquéritos envolvendo mulheres diferentes instaurados entre os meses de junho e julho deste ano. As queixas são por ameaça, injúria, vias de fato (quando há agressões mútuas), perturbação do sossego, ameaça, difamação e estupro. Os casos estão sendo investigados pela delegada Ana Elisa Sobreira, da Delegacia da Mulher, e seguem sob sigilo.

SAIBA MAIS
Dois dias após denunciar ex, estudante é espancada e estuprada

Após uma estudante de publicidade denunciar o ex-namorado, outras mulheres estão relatando abusos sofridos durante contato com o suspeito. Uma profissional liberal foi a primeira a procurar a polícia. “Namorei com ele há um tempo e, até hoje, ele não me deixa em paz. Fui a primeira a procurar a polícia depois de ter sido agredida. Conheço outras mulheres que passaram pelo mesmo. Muitas não querem se expor, mas estou aqui para dizer que o que aconteceu com a estudante não foi fato isolado”.

Os relatos convergem nos mais diversos aspectos da violência, principalmente no gaslighting, uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas ou seletivamente omitidas para favorecer o abusador, em muitos casos, histórias são inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade.

Tem gente falando que a estudante é mentirosa. Eu queria dizer que também fui agredida por ele. Ele me deu um tapa na cara quando eu disse que queria me afastar. Nem namorávamos mais. Não é nada comparado ao que ele fez com ela, mas foi o começo. Aconteceu há anos, e eu tentei evitar que ele fizesse mal para outras mulheres. Avisei para a família dele, falei o que tinha acontecido, o que ele tinha feito. Sinto a necessidade de dizer que não é devaneio da menina. Esse comportamento agressivo não é novidade

Ao relembrar o relacionamento, a vítima elenca um conjunto de hábitos do suspeito que indicavam que algo mais grave poderia acontecer. “A agressividade, na época, não era tão óbvia. Ele não tinha empatia por ninguém e abusava da chantagem emocional. Era como se todo mundo devesse um grande favor para ele. Sempre justificava os próprios atos jogando a responsabilidade para outra pessoa. A culpa era sempre minha ou dos amigos ou da diabetes. Ele, claro, sempre tinha razão. Eu tentei ajudá-lo durante os surtos, mas não adiantava. Ele passava semanas agindo de forma estranha, distorcia a realidade e desmoralizava todo mundo. Nunca pedia desculpas, é muito rancoroso e invejoso. O que ele queria era ter poder sobre os outros”.

Enquanto esteve com ele, a profissional liberal conta que suportou por não ter consciência do perigo. “Eu gostava dele, tinha sentimentos. Tudo que ele fazia, eu aceitava. Assim como houve com ela, também tínhamos discussões que entravam pela madrugada. Nunca perguntava, por exemplo, se a pessoa estava a fim de transar. Se ele quisesse, botava a mão, tirava a sua roupa e agarrava. Sempre foi muito intenso e agressivo nesse sentido. Com ele, não tinha o ‘criar um clima’. Estávamos vendo um filme e, de repente, ele já estava por cima. Sem carinho ou qualquer tipo de companheirismo e respeito”.

Após ser ouvida – com duas testemunhas – pela delegada Ana Elisa Sobreira, a vítima conseguiu uma medida protetiva. “Agora, ele não pode mais chegar perto de mim”, desabafou.

PUBLICAÇÃO DE FOTOS ÍNTIMAS SEM CONSENTIMENTO

Através das redes sociais, muitas mulheres têm denunciado ter sofrido algum tipo de violência por parte do suspeito. Uma das situações mais recorrentes é a exposição de fotos com nu ou seminu em sites. “Ele comercializou fotos minhas sem pedir autorização. Nunca me perguntou se poderia postar. Postou e disse que era uma surpresa para me agradar. Eu pedia para que ele retirasse, mas ele ficava tentando me persuadir a deixar as fotos online”, relembrou a ex-namorada.

DEPOIMENTOS

No início da tarde desta quinta-feira (09), a estudante de publicidade, que tem 22 anos, e outras três pessoas prestaram depoimento sobre abusos do fotógrafo para a delegada Ana Elisa Sobreira. Outras duas testemunhas da vítima ainda vão conversar com a polícia, incluindo o motorista de transporte de passageiros via aplicativo que socorreu a jovem após ela ter sido espancada e estuprada no último sábado (04). O suspeito ainda será intimado, mas a ouvida não teve a data divulgada.

Hoje, foram ouvidos um amigo do suspeito, que pontuou outros casos, incluindo as confissões que o fotógrafo havia feito para ele e as várias tentativas de justificar os atos; a amiga para qual a vítima ligou pedindo ajuda no sábado; e uma outra menina que já havia presenciado o comportamento violento do homem enquanto ainda namorava com a universitária. “Foi tudo certinho, mas não sei exatamente o dia em que ele será ouvido. Mas tem outras duas pessoas que vão testemunhar a meu favor”, assegurou a jovem.

A universitária se relacionou com o suspeito por quase dois meses. Tempo suficiente para que sua vida fosse devastada pelos abusos. A denúncia envolve humilhações, violências físicas, psicológicas e sexual. Ela apanhou de cinto, foi ameaçada com faca e obrigada, de joelhos, a pedir desculpas por coisas que não fez. Em dois dias, registrou duas queixas contra ele. A Polícia Civil já iniciou as investigações sobre a denúncia de estupro e ameaça na noite do sábado. Antes, na quinta, o boletim de ocorrência foi por ameaça, injúria e vias de fato. Na ocasião, ela fez o requerimento pedindo medida protetiva. A solicitação já foi encaminhada à Justiça.

Boletim de ocorrência registrado pela vítima no último sábado (04). Foto: Cortesia

Desde a quarta-feira (08), a equipe de reportagem tenta contactar o fotógrafo recifense suspeito dos crimes, mas não obteve resposta.

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