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Lula Cabral, prefeito do Cabo, é preso pela Polícia Federal

Operação deflagrada em Pernambuco e em outros seis estados é resultado de investigação que apura operações fraudulentas no fundo de previdência do município pernambucano

outubro 19, 2018 às 13:29 - Por: Redação OP9

O prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral, foi preso pela Polícia Federal (PF) em Pernambuco. A ação é consequência da Operação Abismo, deflagrada na manhã desta sexta-feira (19) para desarticular um esquema fraudulento que transferiu R$ 90 milhões do instituto de previdência dos servidores do município, na Região Metropolitana do Recife, para fundos de investimento de segurança duvidosa. Cabral é apontado como responsável pelo desvio. Ele será conduzido para o Centro de Observação e Triagem (Cotel) em Abreu e Lima. Também são investigados empresários, lobistas, advogados, políticos e religiosos.

O delegado Márcio Tenório, titular da Delegacia de Combate à Corrupção da PF, está no comando da investigação. “O que a polícia concluiu é que a ordem partiu do prefeito do município. Vamos analisar o material colhido hoje, mas já havia um conjunto probatório bem robusto. Como temos equipes nas ruas e em outros estados, ainda não podemos fazer um balanço da operação”, explica o delegado.

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A operação, que cumpre 42 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de prisão temporária, foi deflagrada de forma simultânea em três cidades pernambucanas (Cabo, no Grande Recife, Vitória, na Zona da Mata, e Salgueiro, no Sertão) e em outros seis estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Santa Catarina e no Distrito Federal). Só para Pernambuco, onde está concentrada a fraude, foram emitidos quatro mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 18 de busca e apreensão.

De acordo com as investigações, o esquema envolveu a transferência de R$ 90 milhões de reais do instituto municipal de previdência, cerca de metade dos recursos de que dispunha a entidade — antes investidos em instituições financeiras consideradas confiáveis — para fundos com ativos sem o devido lastro e com grande probabilidade de grandes perdas financeiras futuras. De acordo com os delegados federais responsáveis pela operação, essa alteração na carteira de investimentos foi feita a mando do prefeito da cidade em troca do recebimento de propina paga em dinheiro vivo.

A operação envolve a participação de 220 policiais federais em todo o Brasil. Os suspeitos estão sendo investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, crimes financeiros e corrupção ativa e passiva e, caso condenados, podem pegar até 30 anos de reclusão.

As prisões foram autorizadas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que também determinou o bloqueio dos bens em nome dos investigados. Os presos ao longo do dia em Pernambuco serão levados para sede da Polícia Federal. Os suspeitos detidos nos outros estados ficarão nos sistemas prisionais dos seus estados à disposição da Justiça.

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