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Juntas, uma experiência coletiva de mandato apoiada por 39.175 votos

Vendedora ambulante Jô Cavalcanti, jornalista Carol Vergolino, estudante Joelma Carla, professora Kátia Cunha e advogada Robeyoncé Lima farão história na Assembleia Legislativa

dezembro 28, 2018 às 10:46 - Por: André Duarte

Arte: Keops Ferraz/OP9

Arte: Keops Ferraz/OP9

Um grupo formado por cinco mulheres, todas ativistas sociais e militantes do PSOL, já fez história no cenário político de Pernambuco ao formar o primeiro mandato compartilhado do estado. O coletivo Juntas, como foi batizado, obteve 39.175 votos com a proposta ousada de dividir o gabinete através de cinco “codeputadas”, como preferem ser chamadas as integrantes eleitas para a Assembleia Legislativa (Alepe). A ideia é inovadora no Nordeste e encontra poucos casos similares no país, sendo um em Alto Paraíso (Goiás), em Belo Horizonte (MG) e em São Paulo.

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O time da “mandata coletiva”, como preferem chamar a iniciativa, é formado pela vendedora ambulante Jô Cavalcanti, 36 anos, pela jornalista Carol Vergolino, 40 anos, pela estudante Joelma Carla, 20 anos, pela professora Kátia Cunha, 43 anos, e pela advogada Robeyoncé Lima, 29 anos. A ideia do coletivo é transformar o gabinete em um catalizador de defesa de minorias e grupos sociais, especialmente das mulheres, negros, famílias sem-teto e grupos LGBTS. “Quando essas manifestações de rua ficam paradas lá na frente da Assembleia, os deputados não vão até eles. Agora, vai ter transexual na Alepe. Elas vão ser convidadas para entrar lá dentro”, diz Jô Cavalcanti, que passou boa parte da vida trabalhando como vendedora de capas de celulares na calçada da Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife.

Como a legislação não permite que mais de uma pessoa ocupe um mesmo mandato, é de Jô o rosto que apareceu nas urnas para representar o Juntas. Para a Justiça Eleitoral, apenas ela poderá atuar formalmente como deputada estadual e terá as prerrogativas de uma parlamentar, como o acesso ao plenário, participação em comissões, autoria de projetos de lei e o direito a voto nas sessões. Mas codeputadas prometem fazer barulho e lutar pela revisão do regimento (espécie de conjunto de normas internas).

Primeira advogada transexual de Pernambuco a ter o nome social reconhecido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a codeputada Robeyoncé adianta que o primeiro gesto ato será a cobrança por respeito ao coletivo: “Quem diria que ia ter uma ‘mandata’ na Alepe. Vamos lutar e dialogar para sermos chamadas de codeputadas”, avisa.

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