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Jayse Ferreira, o professor que estimula a descoberta de ser tesouro

Mestre da rede estadual é um dos 50 melhores educadores do mundo por apresentar projetos que estimulam alunos a se reconhecerem como únicos

dezembro 31, 2018 às 08:20 - Por:

Arte: Keops Ferraz/OP9

Arte: Keops Ferraz/OP9

Filho de pai analfabeto, o professor da rede estadual em Itambé, na Mata Norte de Pernambuco, Jayse Ferreira entrou na lista dos 50 melhores educadores do mundo em 2018. Aos 38 anos, o mestre de fala mansa e muitas ideias vai disputar o prêmio Global Teacher Prize com profissionais de lugares como o Japão, Vietnã, Inglaterra, Portugal, China e Austrália. No Brasil, apenas ele e uma professora de São Paulo integram a homenagem destinada a quem dedica a vida a formar gerações.

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Nascido e criado em Itambé, o professor na Escola de Referência em Ensino Médio Frei Orlando já venceu duas vezes o prêmio Professores do Brasil, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). Jayse dá aulas a quase 500 estudantes entre 14 e 18 anos. Estimulando o diálogo franco e o autoconhecimento entre os jovens, o educador pernambucano vem surpreendendo a comunidade educacional.

Intitulado Eu sou uma obra de arte – Etnias do mundo, o projeto vencedor em 2014 tinha o propósito de valorizar a diversidade racial da escola. “Meus alunos não gostavam no que viam no próprio rosto. No período de inscrição para o Enem, a maioria não queria marcar a opção ‘negro’ por vergonha mesmo, por medo de sofrer preconceito”, lembra Jayse, que motivou os alunos a incorporarem e representarem povos e personagens de mundo que tinham algum traço similar com eles.

Em 2017, quando venceu pela segunda vez com projeto Vamos encurtar essa história, ele convidou os estudantes a levarem para sala de aula o que eles mais gostavam: jogos, filmes e séries. A proposta era fazer que os alunos recriassem os finais através de roteiros inéditos. Três curtas-metragens foram realizados pelos garotos com base na realidade local.

Jayse diz que a indicação ao prêmio será mais um elemento motivador aos estudantes: “Parece que a ficha não caiu. Mas a sensação é de orgulho. Gosto de usar essa oportunidade pra mostrar a meus alunos que eles podem ir mais longe”.

André Duarte

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