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Fraude desviou mais de R$ 2 milhões de fundo previdenciário em Orobó

De acordo com as investigações, organização criminosa atuava há pelo menos três anos na cidade do Sertão

novembro 7, 2018 às 11:33 - Por: Redação OP9

Gustavo José, presidente do instituto era responsável pela organização criminosa. Foto: PCPE/Divulgação

Gustavo José, presidente do instituto era responsável pela organização criminosa. Foto: PCPE/Divulgação

Um desvio de R$ 2,6 milhões no Instituto de Previdência Municipal de Orobó (IPMO), no Sertão pernambucano, foi descoberto depois de uma investigação levada à frente pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O trabalho de apuração culminou com a deflagração, nesta quarta-feira (7), da Operação Anticorrupção, que cumpriu seis mandados de prisão preventiva e outros seis de busca e apreensão. Esta é a segunda ação policial em menos de um mês com foco em entidades previdenciárias geridas por prefeituras no estado.

De acordo com o promotor Rodrigo Altobello, a organização criminosa já atuava há pelo menos três anos. A fraude ocorria sob o conhecimento do presidente do instituto, Gustavo José da Silva, de 25 anos. “Ele incluía a si próprio e alguns amigos na folha de pagamento do IPMO”, pontuou o delegado.

Segundo a polícia, cada suspeito recebia mensalmente entre R$ 15 e R$ 25 mil por mês. Além de Gustavo, foram detidos Miriam Gisele de Abreu, de 24 anos, Jessica Celestino dos Santos, de 25 anos, Vanielly Priscila Rodrigues da Silva, de 24 anos, José Arthur Barbosa dos Santos, de 26 anos e Jailson Flor da Silva, de 22 anos.

De acordo com o delegado Rivelino Morais, o dinheiro desviado será rastreado no laboratório da Polícia Civil. “Vamos buscar a origem e as pessoas beneficiadas pela fraude”, explicou.

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Por conta da fraude, vários servidores estavam enfrentando dificuldades em conseguir a aposentadoria, o que motivou a formalização de várias queixas no MPPE. O volume de denúncias motivou o início das investigações em agosto deste ano. Depois de saber que o caso estava em apuração, Gustavo chegou a pedir exoneração do cargo na tentativa de despistar a polícia. Os suspeitos devem responder pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Desvio de R$ 90 milhões foi descoberto na prefeitura do Cabo

Uma operação semelhante foi deflagrada pela Polícia Federal no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, em outubro. Como consequência da investigação que apurou fraudes financeiras no Fundo de Previdência dos Servidores da prefeitura, foram efetuadas 10 prisões, entre as quais a do prefeito da cidade, Lula Cabral (PSB). Além dele, advogados, líderes, religiosos, lobistas e funcionários da prefeitura também foram detidos. Nove suspeitos de envolvimento com mandados de prisão expedidos continuam foragidos.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em duas fases: a primeira no 19 de outubro, em Pernambuco e em outros seis estados brasileiros, e a segunda no dia 31. A operação foi deflagrada de forma simultânea em três cidades pernambucanas (Cabo, no Grande Recife, Vitória, na Zona da Mata, e Salgueiro, no Sertão) onde moram ou trabalham envolvidos na fraude. Também houve prisões e apreensões em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Santa Catarina e no Distrito Federal.

De acordo com as investigações, iniciadas em março deste ano, o esquema fraudulento envolveu a transferência de mais de R$ 90 milhões geridos pela previdência do município, cerca de metade dos recursos da entidade  — antes investidos em instituições financeiras consideradas confiáveis —  para fundos com ativos sem o devido lastro e com grande probabilidade de perdas financeiras futuras.

O prefeito afastado da cidade é apontado como responsável pelo desvio investigado. Depois de ouvido pela PF, Lula Cabral foi conduzido para o Centro de Observação e Triagem (Cotel) em Abreu e Lima, onde permanece preso.

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