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Empreendedores apostam em artigos natalinos para vender mais

Para se destacar diante da concorrência, a dica do Sebrae-PE é investir na divulgação e na elaboração de um preço atrativo para os produtos

dezembro 19, 2018 às 17:58 - Por:

Pandatone trufado de chocolate e pandatone red velvet. Foto: Pandas Bárbaros/Divulgação

Pandatone trufado de chocolate e pandatone red velvet. Foto: Pandas Bárbaros/Divulgação

A partir de uma necessidade particular, por não encontrar no mercado pernambucano muitos ovos de Páscoa veganos, a empreendedora Bárbara Damasceno, de 27 anos, criou há dois anos a confeitaria Pandas Bárbaros. Com o crescimento do negócio, surgiu a ideia de diversificar os produtos. No ano passado, Bárbara fez alguns testes e, neste ano, colocou no mercado o Pandatone Red Velvet, vegano, um dos principais responsáveis por um incremento de cerca de 125% nas vendas de dezembro, quando comparado aos outros meses do ano.

Carro-chefe do Natal para a Pandas Bárbaros, o Pandatone Red Velvet é um panetone de cereja trufado com chocolate e geleia de cereja que custa R$ 85. Também há opções trufadas e uma mais simples, o panetone vegano de frutas cristalizadas, que custa R$ 40. Outro produto natalino, mais comum para presentes, é um coração de chocolate sem leite, que custa entre R$ 120 e R$ 135. “Já tem versões desse produto no mercado, mas raramente sem leite”, comentou Bárbara.

Além dos doces, itens tradicionais da casa, também são vendidos salgados de festa e pratos para a ceia natalina, sempre em porções para cinco pessoas, como nhoque de batata ao molho pomodoro ou pesto e moqueca de banana da terra com arroz e farofa, que variam entre R$ 30 e R$ 85.

Segundo Bárbara, as vendas dos doces e salgados, que começaram na metade de novembro, estão ótimas. “A Páscoa e o Natal são as melhores épocas para confeitarias. Além disso, vejo o nicho vegano como um mercado que cresce cada vez mais, inclusive entre o público alérgico a leite, que ainda tem uma carência muito grande”, explicou Bárbara. Outro item que conta no sucesso de vendas é a divulgação, feita através do Instagram e do site da Pandas Bárbaros.

Independente do ramo, para que os produtos natalinos tenham boa saída, a publicidade é, de fato, um item essencial. “Para quem está empreendendo, a dica é sempre divulgar mais. Se a pessoa tiver o contato do cliente, seja via telefone, WhatsApp, Instagram, é muito interessante, porque se ela quiser vender também depois do Natal, fica mais fácil”, explicou Valdir Cavalcanti, analista de orientação empresarial do Sebrae-PE.

Adriana Teles, 45 anos, e Mere Santos, 43, proprietárias da marca Quipá Cactus e Suculentas, que também preparou produtos especiais para vender no Natal, são outro exemplo de empreendedoras que se preocupam com a divulgação dos produtos. “As redes sociais são fundamentais para os pequenos negócios, são o nosso boom, nossas lojas. Divulgo no Facebook, no Instagram e, às vezes, mando para o WhatsApp do cliente, mas com um intervalo de tempo para não cansar”, contou Adriana.

Planta com embalagem de Natal custa entre R$ 7 e R$8. Foto: Quipá Cactus e Suculentas. Foto/Divulgação

Planta com embalagem de Natal custa entre R$ 7 e R$ 8. Foto: Quipá Cactus e Suculentas. Foto/Divulgação

Na hora de pensar nos artigos de Natal, as empreendedoras decidiram investir nos que possam, principalmente, ser oferecidos como presentes. “Tem as confraternizações de amigos, empresas, família… Às vezes, você quer presentear alguém que não é necessariamente seu amigo secreto, mas quer lembrar, aí acaba dando um presentinho que é acessível, mas que tem grande valor. Uma planta viva é a natureza que você coloca dentro da sua casa”, comentou Adriana. As plantas são vendidas em vasinhos de plástico com mensagens natalinas em papel kraft, com uma média de preço de R$ 7. Também há os vasos de cimento pintados.

Escolha dos preços

Ao decidir o valor dos produtos, as proprietárias da Quipá tiveram a preocupação de não “inflacionar” o preço e acabar impressionando negativamente os clientes. “A gente manteve um preço semelhante ao do ano todo. Não acho legal superfaturar. Dependendo da quantidade, a gente dá desconto e, às vezes, fazemos promoções. Não só pelo marketing, mas para dar oportunidade das pessoas terem os vasinhos em casa”, explicou Adriana. O resultado foi positivo e trouxe um aumento de cerca de 30% nas vendas, comparando dezembro com outros meses.

De acordo com Valdir Cavalcanti, analista de orientação empresarial do Sebrae-PE, oferecer um preço competitivo é muito importante em qualquer negócio. A dica é calcular o valor reunindo tudo o que será gasto, colocar uma margem de lucro real e observar ao redor para ver o que o mercado está cobrando. “A gente orienta que ele coloque um preço um pouco menor. Se estão vendendo por R$ 20, coloque por R$ 19. Isso atrai muito. Se o cliente ia comprar um, acaba comprando mais”, recomendou Valdir.

Outra dica é incentivar o cliente a presentear e não apenas adquirir os produtos para consumo próprio. “O Natal é um momento propício para presentear, então produtos voltados para isso têm uma saída muito grande. Quando o empreendedor oferece pagamento em cartão facilita ainda mais, porque as pessoas podem comprar lembrancinhas iguais para várias pessoas da família”, explicou o analista.

Pensando nisso, o casal Nara Castro e Abelardo Lima resolveu investir na divulgação de dois produtos já existentes na marca própria Sr. Pallets, mas que foram vistos como interessantes para serem dados como lembrancinhas natalinas. Um deles é o cartão presente em madeira nos valores de R$ 60, R$ 100 e R$ 160, nomeado de Sr. Valle. “A vantagem é que o cartão é reutilizável, então quando a pessoa troca pelo produto, ele fica aqui (na loja) e pode ser usado por outra pessoa”, explicou Nara. O cartão pode ser trocado por móveis, espelhos e luminárias, entre outros.

Outro presente procurado no Natal é a mensagem na madeira, item composto por frases escritas à mão, a maioria dela trazendo expressões nordestinas como “Eita”, “Se Avexe não” e “Oxe”, custando a partir de R$ 40. “Esse tipo de produto já existe, mas olhamos para o mercado e vimos que não era vendido no formato redondo. Tivemos excelente aceitação”, contou Nara.

No caso da Sr. Pallet, apesar de o Natal ser uma das melhores épocas de vendas do ano, o lucro acima do rotineiro acaba servindo para bancar os custos da empresa em meses como janeiro e fevereiro, quando as vendas são baixas. “As pessoas estão preocupadas com os custos de início de ano e não compram muito. A gente faz um planejamento já com a previsão de pagamentos para esses meses em que as vendas são mais baixas”, explicou a empreendedora.

Para quem tem um negócio que funciona durante o ano inteiro, como Nara, a orientação de Valdir Cavalcanti é fazer um plano de negócios. “Você vai ampliar a ideia. Os produtos sazonais podem ser trabalhados de formas diferentes também no Carnaval, Dia das Mães e São João. Nesse planejamento, você prevê o que vai acontecer nas próximas épocas”. O Sebrae-PE, que tem sede na Ilha do Retiro, na Zona Oeste do Recife, oferece orientação empresarial gratuita.

Gabriela Araújo

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