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Caixas misteriosas podem ser de cargueiro afundado em 1944

Pesquisa revela que pacotes emborrachados encontrados no litoral nordestino desde outubro de 2018 podem ter origem em navio alemão torpedeado na Segunda Guerra Mundial

outubro 10, 2019 às 17:12 - Por: Redação OP9

Fardos de borracha pesam cerca de 100 quilos e têm sido encontrados em várias cidades do Litoral Nordestino. Foto: Reprodução/TV Ponta Negra

Fardos de borracha pesam cerca de 100 quilos e têm sido encontrados em várias cidades do Litoral Nordestino. Foto: Reprodução/TV Ponta Negra

As caixas misteriosas encontradas em várias praias de seis estados nordestinos podem ter origem em um navio cargueiro alemão afundado pelas tropas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. A conclusão foi lançada por um grupo de pesquisadores do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (Labomar-UFC) após uma coincidência. A descoberta se deu quando a equipe buscava explicações para o óleo de petróleo cru que vem sendo encontrado na costa nordestina nos últimos 40 dias.

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De acordo com o pesquisador do Labomar Carlos Teixeira, um conjunto de informações levou o pesquisadores a concluir que o material pertencia à embarcação “SS Rio Grande”, que teria sido batizada com esse nome para disfarçar a origem alemã. O navio foi torpedeado pela força aérea norte-americana a cerca de mil quilômetros do litoral de Pernambuco.

Simulação mostra que o material que saiu do local do naufrágio (ponto verde) atingiu a cista nordestina. Imagem: reprodução / site Universidade Federal do Ceará

A embarcação está submersa a 5.700 metros de profundidade e só foi localizada em 1996 por um pesquisador norte-americano, que usou um submarino para achar os destroços. “O cargueiro está no lugar mais profundo já encontrado por alguém. Está mais fundo que o Titanic”, explicou Teixeira.

Para chegar a esta conclusão, o grupo de pesquisadores da universidade cearense usou como ponto de partida uma inscrição metálica encontrada em um dos fardos que encalharam na areia. “Essa placa tinha o nome da empresa que fabricava o produto, além do nome da Indochina Francesa, que ficou independente em 1953. A partir dessa informação, passamos a pesquisar e chegamos a esse navio afundado”.

Para reforçar a correlação entre o navio e as caixas misteriosas, os pesquisadores realizaram uma simulação numérica computadorizada.  Nessa simulação, são liberadas partículas a partir do lugar onde o navio afundou e o resultado mostrou que esse material chegou exatamente no litoral nordestino.

Caixa achada no litoral do Ceará tinha placa de Indochina Francesa e foi a primeira pista dos pesquisadores. Foto: reprodução / site da Universidade Federal do Ceará

Caixa achada no litoral do Ceará tinha placa de Indochina Francesa e foi a primeira pista dos pesquisadores. Foto: reprodução / site da Universidade Federal do Ceará

E como explicar o vazamento das caixas da embarcação somente 75 anos depois de ela ter sido afundada? “Foi uma ruptura natural por causa do tempo”, suspeita o pesquisador da UFC.

Para comprovar a suspeita, integrantes do laboratório estão trocando informações com explorador norte-americano que descobriu o cargueiro afundado em 1996. “Ele está enviando fotos e outros dados que podem ser decisivos”, completa Carlos Teixeira.

Os primeiros  fardos de borracha foram encontrados em outubro de 2018, e já houve registro na Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará e Piauí. Um bloco chegou a causar a morte de uma mulher de 41 anos após um acidente com um bugue na Praia de Santa Rita, em Extremoz, no litoral potiguar. Na ocasião, o veículo colidiu contra uma caixa que estava na areia e pesava cerca de 100 quilos.  A vítima, identificada como Rúbia Almeida, foi arremessada para fora do carro após o choque e não resistiu aos ferimentos.

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