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Copa do Nordeste: a preparação e as expectativas dos participantes

Competição tem início nesta terça-feira e vai mobilizar quase todas as principais torcidas da região. Confira no OP9 como está a situação do seu time e prepare a torcida

Janeiro 12, 2019 às 14:33 - Por:

A contagem regressiva para a Copa do Nordeste já começou. A poucos dias do início do torneio, as equipes participantes se preparam para começar uma caminhada que pode trazer não apenas glórias esportivas, mas também receitas importantes para a missão de cada um desses clubes no segundo semestre.

Em matéria publicada na última sexta-feira (11), o OP9 já falou sobre os bastidores da edição de 2019 da competição regional, que venceu um cenário de incertezas para confirmar sua realização, pelo menos, até 2021. Agora, para apresentar todas as equipes que estarão na disputa que começa nesta terça-fera (15), o portal do Nordeste faz um tour pelos estados da região, mostrando como seus representantes chegam para o torneio.

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CSA pode estar diante da sua maior oportunidade de ser campeão nordestino. Foto: Divulgação/CSA

Alagoas, terra de grandes ambições

O ano de 2019 é muito especial para o futebol alagoano. Pela primeira vez em mais de três décadas, o estado vai ter um representante na elite nacional: o CSA, vice-campeão da Série B no ano passado. O acesso deu ao clube azulino um status diferente, cheio de responsabilidades, e jogou uma carga enorme de pressão sobre o CRB, seu grande rival, que por pouco não foi rebaixado para a Série C.

A situação posta deixa o CSA muito bem posicionado para se assumir, talvez pela primeira vez, como candidato real ao título da Copa do Nordeste. Apesar de ter perdido peças importantes do elenco que conseguiu a promoção à elite, o time manteve a comissão técnica comandada por Marcelo Cabo, e terá uma condição financeira superior à de grande maioria dos demais clubes participantes. Entre os reforços, muitas apostas, sendo a principal delas o meia Matheus Sávio, 21 anos, que veio do Flamengo.

No CRB, o espírito é de não ficar para trás em relação ao arquirrival. As conquistas recentes do CSA fizeram o clube elevar o sarrafo das expectativas, mirando abertamente o título regional e, no segundo semestre, o acesso à elite do Brasileiro. Para isso, o Galo da Pajuçara vai contar com nomes conhecidos como o volante Ferrugem e o meia Felipe Menezes, ambos ex-Sport, e o atacante William Barbio, que já passou por Bahia e Santa Cruz. O técnico Roberto Fernandes, que livrou o CRB da queda em 2018, está mantido no cargo.

Maior potência da região no momento, Bahia carrega grande favoritismo. Foto: Bahia/Divulgação

Bahia, quão dessemelhante?

A temporada 2018 deixou um cenário de desequilíbrio no futebol baiano. Após dois anos em que os dois principais clubes do estado competiram juntos na elite do futebol nacional, 2019 está começando com o Vitória em profunda crise financeira e rebaixado à Série B, enquanto o Bahia acaba de fazer sua melhor campanha em uma edição do Brasileirão de pontos corridos.

Além do bom desempenho na última Série A, o Bahia inicia o ano como o o clube nordestino em melhor condição financeira. Por tudo isso, chega à Copa do Nordeste como o principal favorito ao título. Além da diferença econômica e estrutural em relação à maioria dos rivais na disputa, o Tricolor também se reforçou. Acertou com jogadores mais experientes como o meia Guilherme, ex-Athletico, e o atacante Rogério, que veio do Sport. Ao mesmo tempo, apostou na juventude dos meias Shaylon, emprestado pelo São Paulo, e Artur Victor, pelo Palmeiras.

Já o Vitória começa 2019 atravessando um momento de adequação a uma nova realidade. Rebaixado após três temporadas na Primeira Divisão, o Rubro-negro perdeu boa parte dos seus principais atletas e tenta se reformular – sem extrapolar o orçamento, bem mais apertado do que em anos anteriores. A principal aposta do Leão da Barra é nas suas categorias de base, que devem fornecer diversos jogadores ao time principal. Entre os reforços, os destaques ficam para o veterano zagueiro Edcarlos e o meia Andrigo, que disputou a Série A de 2018 pelo Sport.

Os dois clubes da capital baiana têm bastante tradição na Copa do Nordeste. São as equipes com mais participações no torneio – 14 cada – e, somados, possuem sete títulos. O Vitória tem quatro taças, enquanto o Bahia tem três. Ambos contabilizam sete participações em finais, e o Tricolor esteve presente nas duas últimas: em 2017, derrotou o Sport; em 2018, perdeu para o Sampaio Corrêa.

Mas enquanto essa história é apenas um dos motivos de esperança para o torcedor do Bahia, para a torcida leonina, ela é quase tudo o que resta. Diferentemente do poema de Gregório de Matos, cantado por Caetano Veloso, a “dessemelhança” no futebol baiano só deixa triste o lado rubro-negro do estado – sem, no entanto, impedi-lo de sonhar com dias melhores.

Respeitado, Ceni é uma das principais estrelas da atual edição da Copa do Nordeste. Foto: Fortaleza/Divulgação

Ceará e o passo adiante

O futebol cearense vive um momento de apogeu. Em 2018, o Ceará disputou a Série A, conseguindo garantir sua permanência com uma rodada de antecedência; o Fortaleza, por sua vez, liderou a Série B de ponta a ponta, conquistando seu primeiro título nacional. É em busca de um troféu que pode reafirmar essa fase que os dois arquirrivais chegam à Copa do Nordeste de 2019: na condição de favoritos.

Isso não significa dizer que os dois terão vida fácil no torneio. Em função do sucesso na temporada anterior, os dois clubes sofreram baixas importantes. Mas o grande trunfo da dupla, sobretudo para a contratação de reforços, é a manutenção dos treinadores Lisca e Rogério Ceni, que têm sido fundamentais para atrair reforços.

“Foi uma ligação inesperada. Não consegui dormir no dia seguinte. O cara é o mito, sempre fui fã dele”

Foi assim que o zagueiro Patrick, de 24 anos, descreveu seu primeiro contato com o novo treinador. Ele disputou a última Série B pelo Oeste e fica no Fortaleza até o fim de 2019. Também chegaram o meia Madson, ex-Vasco e Santos, e Mateus Alessandro, que disputou o último Brasileiro pelo Fluminense.

“Eu me identifico com o Lisca e isso pesou na minha escolha”

A declaração é de Matheus Matias, nova opção no ataque do Ceará. Aos 20 anos, ele despontou pelo ABC em 2018, foi contratado pelo Corinthians e chega por empréstimo para ficar até o fim da temporada. Ele é a aposta para preencher a lacuna deixada por Arthur, principal goleador da equipe na temporada passada. O meia Richardson também está de saída para o futebol japonês. O goleiro Éverson, que também se destacou em 2018, está sendo cobiçado por Santos e Grêmio, e ainda não tinha definido sua vida quando da publicação desta matéria.

O Vovô não ficou inerte e já fez algumas movimentações no mercado. Além de Matheus, as principais foram para garantir a renovação do meia Juninho, reemprestado pelo Bahia, e de Samuel Xavier, que teve seus direitos adquiridos pelo clube junto ao Sport. Entre as caras novas, as mais conhecidas são as do atacante João Paulo, cedido por empréstimo pelo São Paulo, e do meia Felipe Baxola, que se destacou pelo clube em 2016.

Após rebaixamento à Série C, Sampaio começa o ano com os pés no chão. Foto: Sampaio Corrêa/Divulgação

Maranhão com baixas expectativas

Reconstrução. Provavelmente esse é o termo mais adequado para descrever o que deve ser a temporada de 2019 para o Sampaio Corrêa, principal representante maranhense na Copa do Nordeste. Apesar de ser o último campeão do torneio, superando de forma histórica o Bahia e fazendo a festa em plena Fonte Nova, em Salvador, a Bolívia Querida não teve um bom segundo semestre em 2018: com apenas 10 vitórias em 38 partidas, não conseguiu se manter na Série B.

Por isso, o Paio começa sua caminhada no Nordestão com aspirações humildes. Repetir a campanha do ano passado parece um sonho distante. O objetivo é encontrar um atalho para avançar à fase final do torneio, de olho em premiações que podem ser decisivas para que o clube brigue para retornar à Segundona. A missão está sob a responsabilidade do técnico Flávio Araújo, em sua quarta passagem pelo time maranhense.

O outro clube maranhense na disputa é o Moto Club. Atual campeão estadual, a equipe comandada por Wallace Lemos também não chega à competição alimentando grandes esperanças. Em um grupo em que a maioria dos rivais possuem um melhor retrospecto na competição, o Moto terá que fazer partidas muito sólidas se quiser almejar algo a mais. O torneio não está entre as metas traçadas pela diretoria para a temporada: o grande objetivo é conquistar o acesso à Série C, no segundo semestre.

Veterano Marcos Aurélio é o principal nome do futebol paraibano na Copa do Nordeste. Foto: Botafogo/Divulgação

Paraíba e o suspeito de sempre

Para o futebol paraibano como um todo, o ano é de reconstrução de uma imagem arranhada por escândalos de compra de resultados que explodiram em 2018. Na Copa do Nordeste, o estado será representado unicamente pelo Botafogo, líder em participações (14) no torneio. O campeão estadual de 2019 chega ao regional na expectativa de repetir o bom desempenho de outras edições.

Depois de quase subir para a Série B, o Botafogo chega fortalecido à disputa. Muitos jogadores que participaram da campanha na temporada passada continuam, casos do goleiro Saulo, do meia Marcos Aurélio e do atacante Nando, goleador da equipe. O técnico será Evaristo Piza, que segue no cargo após resistir à eliminação contra o Botafogo (SP) na última Série C.

Volta aos Aflitos representa esperança para o Náutico. Foto: Náutico/Divulgação

Pernambuco: quarta força?

Apesar de ser o único estado com três representantes na Copa do Nordeste, Pernambuco pode estar fadado a ter um papel de coadjuvante na edição de 2019. Com a força da Bahia presente e a ascensão de clubes como Fortaleza e CSA, os representantes pernambucanos chegam à competição não na condição de favoritos, mas para brigar por um lugar ao sol. Um papel bem diferente daquele que o estado se acostumou a ocupar.

O time efetivamente mais pronto para disputar o Nordestão é o Náutico. Depois de resgatar um pouco do seu orgulho na temporada passada, conquistando o título pernambucano e fazendo uma campanha digna na Copa do Brasil, o clube enfim retornou aos Aflitos, e vai contar com a força do seu velho, porém renovado “caldeirão”. O outro trunfo alvirrubro é a continuidade. Boa parte dos atletas de 2018 seguem no time, assim como o treinador, Márcio Goiano. São essas as cartadas do clube para quebrar um tabu incômodo: desde a retomada da Copa do Nordeste, ainda não avançou à fase final.

Já no Arruda, a esperança parece mais rarefeita. Em profunda reconstrução depois de um 2018 para esquecer, o Tricolor reformulou a comissão técnica, apostando em Leston Júnior, ex-Botafogo (PB), para comandar o projeto. Até a publicação desta matéria, o clube já tinha contratado 14 jogadores novos, que se integrarão a atletas da base e alguns poucos remanescentes do ano passado.

O terceiro clube pernambucano na disputa da Copa do Nordeste é o Salgueiro, que participa porque o Sport abriu mão de sua vaga no torneio, garantida com o 3º lugar no último Estadual. Um time que já não tem mais a força que mostrou em outros anos, chegando a avançar aos mata-matas, sempre jogando de igual para igual contra a maioria das equipes da região. O Carcará atravessa um período de transição, após a aposentadoria de Marcos Tamandaré e a saída de jogadores importantes como o goleiro Mondragon e o zagueiro Maurício, entre outros. Por tudo isso, a equipe comandada por Sérgio China não chega ao Nordestão alimentando muitas expectativas.

Piauienses tentam surpreender rivais de maior expressão. Foto: Altos/Divulgação

Piauí: A de azarão?

Não há muita margem para questionamentos: no grupo A da Copa do Nordeste, o Altos é o grande candidato a lanterna da chave. Uma campanha ruim seria apenas mais na história regional do clube. Em suas duas participações no Nordestão, em 2017 e 2018, o clube piauiense somou apenas uma vitória em doze partidas, marcando 13 gols e sofrendo 21. Como não poderá mandar os jogos no Felipão, em Altos, em virtude da capacidade do estádio, o Jacaré escolheu o recém-reformado Lindolfo Monteiro, em Teresina, para ser sua casa no torneio. É lá que a equipe comandada por Leandro Campos vai tentar surpreender outras camisas bem mais pesadas, sonhando – e por que não? – com uma classificação para lá de improvável.

Técnico do ABC, Ranielle Ribeiro vive drama pessoal. Foto: ABC/Divulgação

Rio Grande do Norte: recomeço

Atual tricampeão potiguar, o ABC começa 2019 tentando voltar a extrapolar suas fronteiras. Para isso, vai em busca de uma boa campanha na Copa do Nordeste, competição da qual já foi até finalista, em 2010, e semifinalista em outras duas ocasiões. A estratégia montada pela diretoria passa por uma reformulação profunda no elenco, mantendo apenas seis jogadores que atuaram pelo clube em 2018. Entre os que chegaram, os principais são os do zagueiro Maurício, ex-Salgueiro, o atacante Neto, que se destacou pelo Atlético-AC na Série C, e o lateral direito Ivan, que estava no Fortaleza. O comandante alvinegro é Ranielle Ribeiro, que tenta se recuperar de uma tragédia pessoal – ele perdeu a esposa no último dia 6.

Sergipe: uma briga particular

Apesar de ter muitas participações na Copa do Nordeste, o futebol sergipano não tem tanta tradição na competição. Sergipe e Confiança disputaram a competição em dez ocasiões cada, mas a melhor campanha do estado foi em 2000, quando o Colorado foi semifinalista e terminou na terceira posição. Já o Proletário, por sua vez, nunca conseguiu um desempenho de destaque, ficando entre os 10 primeiros apenas uma vez, em 2013.

Para a edição de 2019 do torneio, os dois representantes sergipanos chegam sem grandes expectativas. A grande briga provavelmente será para ver quem dos dois fará a melhor campanha. Quem começa o ano mais forte é o Confiança, que manteve a base que disputou a Série C. Reformulado, o Sergipe vai tentar fazer mais uma boa participação reafirmar sua superioridade sobre o coirmão no âmbito regional.

Expectativa do Gipão é superar rival de Aracaju. Foto: Sergipe/Divulgação

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