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“Obsessão” se vale de elenco estrelado para manter suspense

Isabelle Huppert usa seu talento para fazer com que uma senhora de 66 anos seja uma ameaça para Chloë Grace Moretz, no thriller que estreia nesta quinta (14)

junho 11, 2019 às 16:50 - Por:

Muito mais do que o desenrolar da trama, o que prende a atenção do espectador durante uma hora e meia de projeção do thriller Obsessão é o carisma do seu elenco e seu “jeitão” de filme B. O longa de Neil Jordan (Traídos pelo Desejo e Entrevista com o Vampiro) poderia ter saído de um VHS da estante dos filmes de “Suspense” de uma locadora dos anos 1990, se não fosse pelo frequente (e inteligente) das redes sociais e dos smartphones ao longo do enredo.

Frances (Chloë Grace Moretz) é uma jovem e ingênua – às vezes até demais – garçonete que tenta viver sozinha na cidade de Nova York. Quando ela encontra uma bolsa perdida no metrô, não pensa duas vezes antes de devolvê-la ao proprietário de direito. Um documento indica que a bolsa pertence a Greta (Isabelle Huppert), uma excêntrica professora de piano francesa que mora sozinha no Brooklyn. Tendo recentemente perdido sua mãe, Frances rapidamente se aproxima da viúva Greta, cuja filha estaria estudando música na Europa.

As duas tornam-se amigas rapidamente, mas Greta aos poucos se mostra mais e mais uma pessoa perturbada, o que liga o alerta de Erica (Maika Monroe), amiga de Frances e desconfiada como toda novaiorquina. Suas preocupações se tornam realidade quando Frances encontra, na casa de Greta um armário com diversas bolsas, todas iguais à que ela encontrou no metrô, cada uma com um stick-it com o nome de uma mulher e o telefone – inclusive o seu. Assustada, a moça sai rapidamente da casa e tenta afastar Greta da sua vida, mas descobre que não será tão fácil assim se livrar dessa professora de piano.

Antes que você reclame de “spoilers”, isso tudo acontece na primeira meia-hora do filme (além de estar no trailer). Obsessão não é sobre Frances aos poucos descobrir a verdade sobre Greta, mas o que acontece depois disso. A sensação de paranoia de estar sendo perseguida – ou “stalkeada”, para usar um termo mais moderno – e a falta de ação das autoridades para proteger Frances, mesmo num mundo pós-#MeToo mais atento ao assédio.

A sensação do perigo é melhor construída do que o perigo real, até mesmo porque estamos falando da ameaça de uma senhorinha de 66 anos. E esse crédito é todo de Isabelle Huppert, que pegou uma personagem rasa no roteiro e, com o desenvolvimento dos seus maneirismos, a transformou numa pessoa verdadeiramente perturbada. Grace Moretz em alguns momentos irrita um pouco pelo excesso de ingenuidade, mas seu núcleo é compensado pela teimosia determinada da amiga interpretada por Monroe. O diretor ainda nos presenteia com uma atuação breve, porém marcante, de Stephen Rea, lá pelo final do segundo ato.

Obsessão não está entre os melhores suspenses, mas é um representante de um estilo de thriller que está sendo deixado de lado pelos estúdios, o tipo que prefere apostar em gerar um clima de desconforto ao invés de investir em jump scares puros e simples.

Renato Mota

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