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Épico de terror fica completo com “It: A Coisa – Capítulo 2”

O “Clube dos Otários” está de volta, dessa vez com um elenco estrelado e 27 anos mais velhos

setembro 5, 2019 às 16:54 - Por:

Os dois anos de espera finalmente chegaram ao fim. Um dos filmes de terror mais bem sucedidos dos últimos tempos, “It: A Coisa” (2017) – com mais de US$ 700 milhões em bilheteria – chega à sua conclusão com o lançamento do Capítulo 2 nesta quinta-feira (5), nos cinemas de todo Brasil e boa parte do mundo. O “Clube dos Otários” está de volta, dessa vez com um elenco estrelado e 27 anos mais velhos.

O livro “It – A Coisa”, de Stephen King é um verdadeiro épico, com mais de mil páginas e uma história intrincada, que pula entre dois momentos no tempo, com personagens crianças e adultos. Para a nova adaptação, o diretor Andy Muschietti foi pelo mesmo caminho da versão para a TV de 1990 e dividiu o enredo em dois: o confronto das crianças com o palhaço Pennywise nos anos 1980, e a conclusão nos anos 2010, quando os personagens – agora adultos, devem enfrentar seus traumas e derrotar o palhaço de vez.

Para isso, Muschietti contou com um elenco estelar: James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, James Ransone e Andy Bean se unem ao jovens Jaeden Martell, Wyatt Oleff, Jack Dylan Grazer, Finn Wolfhard, Sophia Lillis, Chosen Jacobs e Jeremy Ray Taylor como suas contrapartes mais velhas. A escolha dos atores é um dos pontos altos do filme, que já tinha sido bem sucedida com o elenco jovem e cativante no primeiro filme, e que continua brilhando nas interpretações dos adultos. Quem viu os Otários na primeira parte, os identifica logo nas suas primeiras aparições no Capítulo 2, sem que seja necessária qualquer introdução.

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Quem está de volta também, como não poderia deixar de ser, é  Bill Skarsgård como o palhaço Pennywise. Nesse longa podemos ver um pouco mais do ator por baixo da pesada maquiagem em algumas cenas, mas nada que o deixe menos aterrorizante – muito pelo contrário. O Pennywise de Skarsgård já estava no hall dos monstros clássicos do cinema e agora solidifica seu lugar nesse panteão do medo.

Na trama, fiel ao livro, o mal ressurge em Derry quando vinte e sete anos depois do Clube dos Otários derrotar Pennywise, ele volta a aterrorizar a cidade. Crianças estão desaparecendo novamente, e Mike (Isaiah Mustafa), o único Otário restante em Derry, chama os outros de volta para casa para cumprir a promessa que fizeram décadas antes. O problema é que o grupo pouco lembra do que aconteceu, na medida que seguiram caminhos separados, e todos aparentemente muito bem de vida. Bill (James McAvoy), o alter-ego de Stephen King, é um escritor de livros de terror, casado com uma atriz; Richie (Bill Hader) faz stand-up comedy em Los Angeles; Eddie (James Ransone) é analista de risco de uma seguradora em Nova York e Stanley (Andy Bean) é advogado.  De todos, Beverly parece ser a que se deu melhor, porque além de ser uma empresária e morar numa mansão, ainda cresceu e virou a Jessica Chastain.

Porém, nem tudo é como parece e o encontro com Pennywise deixou marcas profundas em todos os Otários, que estão destinados a reviver seus pesadelos. Beverly é casada com um homem abusivo como seu pai, Eddie se casou com uma cópia da sua mãe hipocondríaca e Bill ainda não superou a perda do irmão Georgie. Além disso, as memórias da época em que estavam juntos e derrotaram o palhaço estão difusas nas suas mentes, e Mike deve não só reuni-los, mas trazer de volta essas memórias.

No livro, King trabalha isso intercalando os capítulos dos Otários adultos com eles crianças, levando o leitor junto nessa recuperação do que foi vivido. No filme, a solução foi deixar alguns dos acontecimentos do passado para o Capítulo 2, e assim trazer de volta o elenco mirim que tanto amamos. Assim temos o dobro de terror, com cenas tanto no passado quanto no presente, mas ao mesmo tempo deixando o longa metragem imenso, com quase 3 horas de projeção.

Isso pode ser um defeito para alguns – que, com justiça, podem apontar problemas de ritmo em certos momentos. Não para mim. Eu estou mesmo esperando a “versão do diretor” de It – A Coisa, com as duas partes juntas numa só. O roteiro de Gary Dauberman, inclusive, consegue ser bem fiel ao romance original – enxugando a história em alguns pontos e personagens, mas mantendo, por incrível que pareça, os aspectos cósmicos da origem de Pennywise, por exemplo. A loucura que é o final, com aranha telepática, luzes giratórias e tudo mais que só funcionava no livro, finalmente funcionaram na tela. 

Renato Mota

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