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Apesar de promessa, Trump desiste de apoio ao Brasil na OCDE

Em março, em visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, Trump disse ser favorável ao processo de adesão do Brasil para se tornar membro pleno da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico

outubro 10, 2019 às 14:55 - Por: Agência Estado

Fotos: Internet/Reprodução

Fotos: Internet/Reprodução

Os Estados Unidos negaram apoio a uma proposta de inclusão de novos países, incluindo o Brasil, na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a negativa foi dada a uma proposta apresentada pelo secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, de discutir a inclusão de um bloco de seis novos países na organização, que teria ainda nações europeias.

Em carta enviada no fim de agosto à organização, a qual a agência Bloomberg teve acesso, os EUA apoiaram apenas a entrada da Argentina e da Romênia, considerando o “critério cronológico”, segundo as fontes, porque esses países haviam apresentado o pedido antes dos outros, inclusive do Brasil.

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter prometido apoiar a adesão brasileira ao bloco, pretendida pelo presidente Jair Bolsonaro, os EUA são contra uma ampliação maior da organização e têm se posicionado de forma contrária as ações do secretário-geral.

A negativa de entrada dos seis países teria relação com essa disputa e acabou atingindo o Brasil. Os EUA são contra ainda a inclusão de novos países europeus ou de áreas de influência da Europa.

A avaliação das fontes é que a questão pode se resolver no ano que vem, quando está prevista a escolha de um novo secretário-geral, e que, nesse momento, poderia haver o apoio formal dos EUA à entrada do Brasil na OCDE.

Em março, em visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, Trump apoiou o início do processo de adesão do Brasil para se tornar membro pleno da OCDE.

Em troca do aceno, Bolsonaro fez concessões unilaterais, como dispensar a exigência de visto a norte-americanos, e começou a renunciar a tratamentos especiais destinados a países em desenvolvimento em negociações com a Organização Mundial do Comércio (OMC), etapa necessária para a adesão.

Endosso

Em maio havia expectativa do governo brasileiro de que o apoio ao Brasil fosse formalizado em uma reunião da OCDE, o que não ocorreu. Em declaração oficial, o governo dos EUA disse que o endosso ao Brasil seria mantido.

No fim do mês, o secretário-geral da OCDE chegou a dizer que os EUA teriam formalizado o apoio ao Brasil. “Temos uma posição diferente sobre o Brasil agora”, disse, sem dar mais detalhes.

Nesta quinta-feira (10), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o Brasil está pronto para integrar a OCDE. “Estamos vivendo uma extraordinária abertura econômica. Estamos prontos para integrar a OCDE. Nós e o setor privado acreditamos que isso será chave para o desenvolvimento do Brasil”, disse o ministro, durante o Fórum de Investimentos Brasil 2019.

O evento, realizado em São Paulo, é organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Araújo também comentou que o Brasil está se ligando a cadeias globais de valor, como nunca visto antes, citando os acordos do Mercosul com a União Europeia e com a Efta (Associação Europeia de Livre Comércio, na tradução).

“A abertura do Brasil para cadeia global de valor exige parcerias com todos investidores. Para isso, estamos com uma agenda dinâmica que pode criar oportunidade de desenvolvimento para todos”, disse o ministro do Itamaraty.

O ministro apontou ainda que considera que a liberdade econômica e política caminham juntas. “Estamos convencidos de que o eixo do patriotismo é o que vai levar realmente o país para frente”, afirmou Araújo.

Itamaraty mantém processo

O secretário de Política Externa Comercial e Econômica, Norberto Moretti, ligado ao Ministério das Relações Exteriores, afirmou que o governo brasileiro se mantém firme na tentativa de fazer o Brasil ser aceito como membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“O processo não é simples, não é meramente técnico, é também político, mas não há nenhuma dúvida de que o governo se mantém firme na decisão de continuar no processo de aproximação”, disse o secretário, durante participação no Fórum de Investimentos Brasil 2019.

Os Estados Unidos negaram apoio a uma proposta de inclusão de novos países, como o Brasil, na OCDE. De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, a negativa foi dada a uma proposta apresentada pelo secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, de discutir a inclusão de um bloco de seis novos países na organização, que teria ainda nações europeias.

Em sua apresentação no evento, Moretti quis deixar claro que a entrada na OCDE vai além da política comercial, pois a organização se ocupa de uma ampla gama de temas. “É por meio de uma convergência regulatória crescente que nós vamos inserir o Brasil na economia mundial”, disse. “Não é suficiente ter economia aberta na política comercial, se o conjunto das outras políticas públicas não potencializa o aproveitamento delas pelos agentes econômicos”, afirmou também.

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