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Versão do pai de Gabriel Diniz sugere que voo era irregular

Avião que caiu com cantor e dois pilotos só tinha autorização para realizar voos de treinamento, mas versão do pai do artista indica que aeronave foi fretada, o que seria proibido

Maio 27, 2019 às 18:51 - Por: Redação OP9

Monomotor onde estava Gabriel Diniz (foto) só tinha autorização para voos de treinamento de pílotos. Imagem: divulgação

Monomotor onde estava Gabriel Diniz (foto) só tinha autorização para voos de treinamento de pílotos. Imagem: divulgação

Fabricado em 1974 nos Estados Unidos, o avião monomotor que caiu em Sergipe matando o cantor Gabriel Diniz e pilotos Linaldo Xavier e Abraão Farias só tinha autorização para realizar voos de treinamento de alunos de pilotagem e, em tese, não poderia transportar o cantor. Pequena, econômica e bastante popular entre os aprendizes de piloto de Alagoas, a aeronave de prefixo PT-KLO pertencia ao Aeroclube de Maceió e, embora estivesse com a documentação em dia, não tinha licença para realizar serviço de táxi aéreo.

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A aeronave modelo Piper Aircraft PA-28 estava com a documentação de aeronavegabilidade regular até 2023 e tinha certificado de inspeção anual atualizado. No entanto, o status de operação do avião, que pode ser consultado no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), é taxativo quanto à proibição de voos fretados.

Gabriel Abraão Farias, de 27 anos, era piloto desde 2012, e Linaldo Xavier Rodrigues, de 37 anos, que tinha 3 anos de experiência. Foto: Reprodução/Whatsapp

Gabriel Abraão Farias (esq.), de 27 anos, era piloto desde 2012, e Linaldo Xavier Rodrigues, de 37 anos, que tinha 3 anos de experiência. Foto: Reprodução/Whatsapp

Há uma divergência de versões em relação ao contexto da presença do artista no voo. A direção do Aeroclube de Maceió informou que o copiloto e instrutor de voo Linaldo Xavier era amigo de Gabriel Diniz e teria oferecido uma carona ao cantor no trajeto entre Salvador, na Bahia, e Maceió. Além de pilotos, Linaldo e Abraão Farias eram diretores do Aeroclube de Maceió.

No entanto, em entrevista à TV Record, Francisco Diniz, pai do cantor, disse que o avião foi fretado para levar o artista até a Bahia e regressar com ele até a capital alagoana. “Esse avião foi fretado aqui em Alagoas e retornaria para cá novamente. Foi locado. Não era de amigos, não”, disse o pai.

Além do show em Feira de Santana realizado neste domingo (26), o artista também compareceu a uma consulta a uma nutricionista em Salvador. A versão defendida pela família do cantor é reforçada por um vídeo gravado dentro do avião pelo próprio artista, no qual ele agradece ao empresário Jonas Lyra, produtor de shows em Alagoas, antes da decolagem no Aeroporto de Salvador.

Piloto Linaldo Xavier (foto) posa para foto junto ao avião que caiu. foto: Facebook / piloto

Piloto Linaldo Xavier (foto) posa para foto junto ao avião que caiu. foto: Facebook / piloto

O acidente será investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e pela Polícia Federal em Sergipe. As informações preliminares dão conta que o avião caiu de bico numa área de manguezal e que chovia muito no momento da queda.

Leia comunicado do Cenipa:

Investigadores do Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa II), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), realizarão a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave de matrícula PT-KLO, ocorrido nesta segunda-feira (27/05), em Estância (SE).

A ação Inicial é o começo do processo de investigação e possui o objetivo de coletar dados: fotografar cenas, retirar partes da aeronave para análise, reunir documentos e ouvir relatos de pessoas que possam ter observado a sequência de eventos.

A investigação realizada pelo Cenipa tem o objetivo de prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram.

A necessidade de descobrir todos os fatores contribuintes garante a liberdade de tempo para a investigação. A conclusão de qualquer investigação conduzida pelo Cenipa terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade do acidente.

Nota da Anac:

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que, segundo dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião acidentado nesta segunda-feira (27), em Sergipe (SE), estava em situação regular, com o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido até fevereiro de 2023 e a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) em dia até março de 2020.

O avião, de matrícula PT-KLO, da fabricante Piper Aircraft, era de propriedade do Aeroclube de Alagoas. Esse modelo é um monomotor com capacidade máxima de 3 passageiros mais a tripulação, totalizando 4 assentos. A identidade do piloto a bordo da aeronave e seus ocupantes ainda não foi confirmada. 

As investigações sobre as causas do acidente estão sendo conduzidas pelo Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa II), de Pernambuco (PE), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), do Comando da Aeronáutica. A Anac se solidariza com os familiares das vítimas do acidente e colabora com as investigações que estão em curso.

Comunicado do Aeroclube de Maceió:

Aeroclube de Alagoas, em nome de sua diretoria, em virtude do trágico acidente com sua aeronave Cherokee (PA 28) de prefixo PT-KLO, ocorrido hoje na data 27/05/2019, aproximadamente às 12h00, vem a público prestar solidariedade as famílias dos ocupantes e informa que já está a disposição dos órgãos fiscalizadores para auxiliar no que for necessário. Maceió, 27 de maio de 2019. Aeroclube de Alagoas

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