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Talentoso, Caio Junqueira atuou em filmes consagrados

Ele sofreu grave acidente na quarta-feira (16), no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro

Janeiro 24, 2019 às 15:27 - Por: Agência Estado

O ator Caio Junqueira, conhecido por papéis em novelas da Globo e no filme Tropa de Elite, morreu, aos 42 anos, por volta das 5h30 de quarta-feira (23). Ele sofreu grave acidente na quarta-feira (16), no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O carro que dirigia capotou e ele foi socorrido e levado para o Hospital Miguel Couto. Velório e enterro ocorreram nesta quinta-feira (24).

Caio estava internado no hospital, que não divulgou a causa da morte. Segundo a Secretaria municipal de Saúde do Rio, isso caberá ao Instituto Médico-Legal do Rio, para onde o corpo do ator foi encaminhado na manhã desta quarta-feira.

O ator trafegava com seu utilitário Subaru Forester prata pelo Aterro, no sentido Centro, por volta das 13h15 do último dia 16. Ele perdeu a direção, subiu na sarjeta e bateu contra uma árvore Ele estava sozinho no carro e sofreu duas fraturas expostas, uma delas no braço esquerdo. Levado ao Miguel Couto, foi submetido a cirurgia, encerrada já durante a noite do mesmo dia. Ele ainda sofreu um grave trauma na região do tórax, além de ter perdido muito sangue. Depois de várias cirurgias, Caio chegou a acordar e, mesmo sedado, tentou se levantar da cama. Na quarta, porém, ele voltou a apresentar febre intensa.

Caio Junqueira interpreta o policial militar Neto Gouveia em Tropa de Elite. Foto: Divulgação

Caio Junqueira interpreta o policial militar Neto Gouveia em Tropa de Elite. Foto: Divulgação

Caio começou a carreira ainda criança, aos 9 anos, no programa Tamanho Família, na extinta TV Manchete, ao lado de nomes como Diogo Vilela e Zezé Polessa. Em 1988, estreou na Globo, no humorístico Grupo Escolacho, com texto de Miguel Falabella, Luiz Carlos Góes e Leo Jaime, e redação final de Chico Anysio.

Depois, fez participação em outras produções da emissora, como na novela Barriga de Aluguel, em 1990, e nas minisséries Engraçadinha, em 1995, Hilda Furacão, em 98, e Chiquinha Gonzaga, em 99. Foi no remake de A Escrava Isaura, em 2004 na Record, que o ator se destacou ao viver o personagem abolicionista Geraldo. Seu último trabalho na Globo foi na novela das 18h, Desejo Proibido, exibida entre 2007 e 2008.

Em 2009, voltou para a Record, na série A Lei e o Crime. No canal, atuou ainda em produções como Ribeirão do Tempo, em 2010, em que viveu seu primeiro protagonista. Em 2016, participou da série 1 Contra Todos, da Fox, e, em 2018, fez Ricky na polêmica série O Mecanismo, de José Padilha, disponível na Netflix.

No cinema, o ator trabalhou em filmes consagrados, como O Que É Isso, Companheiro?, em 1997, no qual viveu um guerrilheiro ao lado de Matheus Nachtergaele. O filme de Bruno Barreto retratou o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969, por um grupo de guerrilheiros formado por integrantes da Aliança Libertadora Nacional e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8.

No ano seguinte, Caio esteve em outra grande produção, o premiado Central do Brasil, dirigido por Walter Salles. O jovem ator fez uma ponta, aparecendo mais no final da trama como um dos irmãos de Josué. Caio não reclamava da condição de coadjuvante, mas se ressentia que o sucesso não pudesse ser compartilhado por todos. “Só acho que os outros nomes do elenco poderiam ser lembrados de vez em quando. Por sermos atores, precisamos de divulgação. A única que se lembra de nós é a Fernanda (Montenegro) que, sempre que pode, fala dos coadjuvantes nas entrevistas”, disse ele, em 1999.

Foi em 2003, porém, que Caio provocou ao viver um papel diferente, Nando, personagem andrógino do longa Seja O Que Deus Quiser!, de Sérgio Rezende e estrelado por Marília Pêra. Em Tropa de Elite, lançado em 2007 e dirigido por Padilha, ele ganhou projeção com a grande repercussão conquistada pelo longa. No filme, ele interpreta o policial militar Neto Gouveia, jovem impulsivo que sonha em entrar no Bope.

“Eu tinha mais preconceito com o policial antes de fazer o filme. Mas será que a nossa sociedade quer uma polícia certinha?”, disse ele em entrevista ao Jornal da Tarde, em 2007. “A cena de treinamento foi bem dura. As caminhadas, a comida no chão, subir a favela vestido de policial, dando tiro de festim enquanto o comércio local estava em pleno funcionamento.” Ator talentoso e carismático, Caio Junqueira era filho do ator Fábio Junqueira e irmão do ator Jonas Torres.

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