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Jornalista Ricardo Boechat morre em acidente de helicóptero em SP

Aeronave caiu no quilômetro 7 da rodovia Anhanguera, vitimando o apresentador e o piloto

Fevereiro 11, 2019 às 12:54 - Por: Redação OP9, com informações da Agência Estado

Jornalista tomou helicóptero no heliponto da TV Bandeirantes. Foto: Reprodução

Um acidente de helicóptero no início da tarde desta segunda-feira (11), em São Paulo, provocou a morte de duas pessoas, entre elas o jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos. A aeronave caiu no quilômetro 7 da rodovia Anhanguera, em um trecho próximo à chegada a São Paulo. O corpo de Boechat e do piloto da aeronave foram encontrados carbonizados. A informação do falecimento do jornalista foi confirmada pelo Governo do Estado de São Paulo.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a aeronave caiu em cima de um caminhão que trafegava pela rodovia no sentido interior, próximo à praça do pedágio. Não há ainda informação sobre o estado de saúde do motorista — ou se havia passageiros no caminhão acidentado.

Repercussão

Visivelmente emocionado, o apresentador José Luís Datena noticiou ao vivo na Band a morte do colega de trabalho. “Pensei que jamais fosse dar essa informação. É uma pena ter que informar isso. Ele era hoje uma das grandes referências da história do jornalismo brasileiro, pela sua forma de combater a corrupção e pela sua forma de combater as injustiças. É é uma dor tão profunda que é difícil de explicar em palavra. Já falei de muitas perdas, mas esse é um dos piores momentos da minha vida e da minha carreira”, falou Datena.

“É como se nós perdêssemos um ente querido. Ele não era só um jornalista vigoroso como vocês costumavam ver, ele era um cara que saía com os meninos que ficam atrás das câmeras para jogar pelada, fazer um churrasco. Ele tinha o dom do amor”, disse, entre lágrimas, apresentador, acrescentando que o colega era “um verdadeiro de plantão, nas 24 horas do dia”.

Os corpos de duas vítimas estavam estre os destroços do helicóptero, que explodiu após o choque. Os bombeiros informaram que 11 viaturas foram deslocadas para o local para atender à ocorrência. De acordo com a Band, emissora para a qual o jornalista trabalhava, a aeronave voava com destino ao heliponto da empresa, em São Paulo, no bairro Jardim Leonor.

Jornalistas manifestam pesar nas redes sociais

Nas redes sociais, diversos jornalistas lamentaram a morte do colega. “Meu querido amigo Ricardo Boechat. Não posso acreditar. Eu lhe devo tantos favores, tantas palavras generosas em momentos difíceis. Você foi pessoa linda, jornalista maravilhoso. Ai Boechat, tão cedo, tão cedo amigo”, escreveu Míriam Leitão, da Globo, no Twitter.

Atualmente afastado da televisão, Cid Moreira usou seu Instagram para falar sobre a perda do amigo. “Acabo de receber uma notícia que me abalou profundamente. Ricardo Boechat sofreu um acidente e nos deixou. Profissional de dar inveja aos outros profissionais, tal a sua capacidade. Foi a perda de um grande colega”, falou, em vídeo.

“Não estou querendo acreditar… Acabo de saber que meu querido, amado colega Ricardo Boechat, com que convivi durante tantos anos, a quem admiro e respeito imensamente estava no helicóptero que caiu em SP. Meu Deus… Dá pra encerrar esse terrível 2019”, falou Leilane Neubarth, da Globonews.

“Na redação da ESPN Brasil, um silêncio ‘ensurdecedor’ enquanto Datena anuncia a morte. Um reflexo da grandeza de Ricardo Boechat no jornalismo”, publicou Fábio Chiorino.

“Conheci Boechat quando ele trabalhou no Bom Dia Brasil, no fim da década de 90. Eu participava de São Paulo e ele interagia com o Renato Machado, no RJ. Cheguei a apresentar o jornal com ele no estúdio. Sempre admirei seu trabalho. Sentiremos sua falta”, disse Chico Pinheiro, também da Globo.

“Tristeza em cima de tristeza. trabalhei anos com Boechat na Band, mas passei a me sentir amigo dele depois, como ouvinte. primeira reação da minha mulher foi pensar na Veruska, na Catarina e outros filhos. realmente muito triste”, comentou Tiago Maranhão, do Sportv.

“Boechat era uma referência do jornalismo: como colunista, como âncora. Com tudo o que era, conseguia ser generoso com quem tinha menos experiência. No encontro que tivemos, me brindou com essa generosidade que nem sei se merecia”, disse Vera Magalhães, do Estado de S.Paulo.

“Ouvir Boechat no rádio todas as manhãs é um hábito que o Rio nos dá. No táxi, no ônibus, no uber, na padaria… ouvido por todos, em todo canto. Concorde-se ou não com as opiniões, um jornalista necessário. Daí, a dimensão da perda e da falta que fará”, postou André Gallindo, da Globo.

Trajetória

Ricardo Eugênio Boechat nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 1952 – seu pai estava em missão diplomática no país vizinho. O jornalista iniciou sua carreira na década de 70, e já trabalhou em diversos veículos tradicionais do país, como o extinto Diário de Notícias, O Estado de S. Paulo, o Jornal do Brasil, a Rede Globo e a Rede Bandeirantes, onde atuava havia quase 15 anos. Na emissora paulista, ele apresentava o Jornal da Band, e comandava um programa matinal na rádio BandNews FM. O apresentador também mantinha uma coluna na revista Istoé.

Boechat foi três vezes vencedor do Prêmio Esso, uma das principais premiações da imprensa brasileira, e também era o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se – o único a vencer em três categorias (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV). Seu legado também inclui o livro Copacabana Palace – Um hotel e sua história (DBA), lançado em 1998.

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