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Áudio vazado de Bolsonaro abre nova crise com governadores do NE

Em recado ao ministro Onyx Lorenzoni, o presidente disse que “tem que dar nada” ao governador do Maranhão. Governadores nordestinos publicaram carta de repúdio

julho 19, 2019 às 20:45 - Por:

O que era para ser uma conversa de bastidor acabou dando início a mais um capítulo da crise entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores do Nordeste, única região onde o capitão reformado perdeu para Fernando Haddad (PT) no segundo turno, com 30% contra 70% dos votos válidos. Em 200 dias de governo, Bolsonaro volta a entrar em conflito com os governantes socialistas e comunistas, desta vez de forma indireta.

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Um recado de Bolsonaro ao “pé do ouvido” do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, momentos antes de um café da manhã com jornalistas estrangeiros, foi captado por uma equipe da TV Brasil e acabou vazando na transmissão oficial desta sexta-feira (19): “Esse governador de Paraíba, o pior do que o de Maranhão (sic). Tem que ter nada pra esse cara”, falou o presidente, em declaração capturada pelos microfones ligados.

O áudio polêmico foi interpretado como uma retaliação do presidente aos estados nordestinos e um indicativo de que as verbas federais destinadas à região poderiam ser contingenciadas por motivos políticos. Após o vazamento, os governadores divulgaram uma carta aberta na noite desta sexta, na qual afirmaram ter recebido a declaração com  “espanto e profunda indignação”.

Carta dos Governadores do Nordeste

“Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população.

Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia“.

Maranhão na berlinda

Embora o áudio tenha trechos truncados e erros de concordância,  Bolsonaro cita a palavra “Paraíba”, o que gerou dupla interpretação. Boa parte dos críticos acredita que o presidente lançou mão de um termo pejorativo para definir os nordestinos. Outros pensam tratar-se do estado paraibano.

Pelas redes sociais, antes mesmo da publicação da carta aberta, os governadores do Maranhão (Flávio Dino) e Paraíba (João Azevêdo) foram os primeiros a reagir. “Independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação. Seja o Maranhão ou a Paraíba ou qualquer outro Estado. ‘Não tem que ter nada para esse cara’ é uma orientação administrativa gravemente ilegal”, escreveu Dino.

João Azevêdo, em três postagens no Twitter, condenou a declaração do presidente e defendeu os princípios básicos da unidade federativa.

Rui Costa, governador da Bahia, também engrossou as críticas e publicou o manifesto em seu perfil oficial no Twitter:

O governo federal informou que não se manifestará sobre o vazamento do áudio.  O vídeo em que a conversa é captada foi apagado pela TV Brasil.

André Duarte

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