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Atos contra cortes na Educação ocorrem em 188 cidades do Brasil

Cerca de 20 mil pessoas se reuniram na Rua da Aurora, no centro do Recife. A estimativa é da organização do protesto, uma vez que a Polícia Militar do Estado não divulgou estimativas

Maio 15, 2019 às 21:09 - Por: Agência Estado

Por conta do anúncio da restrição orçamentária, várias instituições de ensino federais anunciaram que sofrerão seriamente com a falta de recursos no curto prazo. Foto: Renato Barros/TV Clube

Por conta do anúncio da restrição orçamentária, várias instituições de ensino federais anunciaram que sofrerão seriamente com a falta de recursos no curto prazo. Foto: Renato Barros/TV Clube

Milhares de manifestantes realizam protestos contra cortes na educação básica e no ensino superior nesta quarta-feira, 15. Atos ocorrem em um total de 188 cidades, que incluem as capitais de todos os Estados e o Distrito Federal, além de cidades do interior. Parte das escolas e universidades das redes pública e privada também aderiu às manifestações e cancelaram o dia letivo.

Cerca de 20 mil pessoas se reuniram na Rua da Aurora, no centro do Recife. A estimativa é da organização do protesto, uma vez que a Polícia Militar do Estado não divulgou estimativas em manifestações populares. Participam da mobilização sindicatos, associações, movimentos sociais, profissionais da educação e estudantes.

A concentração do protesto aconteceu em frente ao Ginásio Pernambucano, tradicional colégio público do Estado, de onde os manifestantes partiram, às 16h30, em passeata pela área central da capital pernambucana, como Rua da Aurora, Avenida Cruz Cabugá, Avenida Conde da Boa Vista, Avenida Guararapes, Avenida Dantas Barreto e Pátio do Carmo.

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As principais universidades públicas de Pernambuco paralisaram as atividades desde a manhã desta quarta, em adesão à greve nacional. Entre as três instituições federais mais afetadas pelos cortes no orçamento anunciado pelo governo federal, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) tiveram pouca movimentação. Na UFRPE, servidores e estudantes promoveram um café da manhã para a confecção de faixas e cartazes para o ato desta tarde.

Manifestação contra cortes na Educação. Foto: PMRN/Divulgação

Manifestação contra cortes na Educação. Foto: PMRN/Divulgação

A paralisação também teve a adesão das escolas públicas e de alguns colégios privados nas três maiores cidades da Região Metropolitana do Recife. Das 309 escolas municipais do Recife, 36% não abriram nesta quarta. A paralisação teve a adesão de metade das escolas municipais em Olinda e de um terço delas em Jaboatão dos Guararapes. Na capital pernambucana, alguns colégio privados também não funcionaram nesta quarta, a exemplo dos colégios Ideia, no bairro da Madalena; Apoio, em Parnamirim; Arco-Íris, na Várzea; e Instituto Capibaribe, nas Graças.

Distribuição de Livros

A manifestação contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Rio de Janeiro reuniu 150 mil pessoas, segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe). A Polícia Militar não divulgou estimativa. Por volta das 19h15 os manifestantes chegaram à estação ferroviária Central do Brasil, onde professores e estudantes distribuíram livros às pessoas. A distribuição marcou o encerramento do ato.

Após o fim da manifestação, um grupo de pessoas mascaradas entrou em confronto com a Polícia Militar. Os policiais reagiram com bombas de gás e houve correria ao redor da Praça da República e ao longo da avenida Presidente Vargas. Os confrontos continuavam às 19h50. Por volta das 20h, um ônibus foi incendiado na avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro. Não há informações sobre o que causou o incêndio.

“Idiotas úteis”

Em visita a Dallas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e “massa de manobra”. Além disso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fala na tarde desta quarta sobre o contingenciamento em sessão na Câmara dos Deputados.

O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, avaliou que houve “exploração política” das manifestações desta quarta-feira. Segundo ele, o contingenciamento é feito todos os anos e as milhares de pessoas que foram às ruas hoje aproveitaram para protestar contra o governo. “Não tem a mínima dúvida”, considerou.

Estudantes e professores de institutos federais e universidades fazem manifestação na Avenida Presidente Vargas em protesto contra o bloqueio de verbas da educação (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Estudantes e professores de institutos federais e universidades fazem manifestação na Avenida Presidente Vargas em protesto contra o bloqueio de verbas da educação (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Mais cedo, Mourão classificou os protestos como algo “normal” e que “faz parte do sistema democrático”. O presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e “massa de manobra”. Ao ser questionado sobre a declaração de Bolsonaro em relação aos manifestantes, Mourão concordou. Ele disse que o presidente tem uma forma “mais incisiva” de se manifestar e que foi justamente isso que o elegeu.

Mourão também voltou a dizer que o governo não soube comunicar o contingenciamento de maneira correta, e que houve bloqueios em outras áreas, inclusive nas Forças Armadas, que foi “pesadíssimo”. “Nós, governo, não soubemos comunicar isso. Então ficou o tempo todo colocado como corte e aquele número cabalístico de 30%, quando todos os ministérios que têm grande número de gastos e um orçamento elevado sofreram um bloqueio consistente.”

UNE convoca novo ato

A União Nacional dos Estudantes (UNE) convocou para o dia 30 uma continuação da paralisação nacional em defesa da educação. A estimativa é de que mais de 1,5 milhão de estudantes tenham ido às ruas em todo o País.

Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) estima que o número de pessoas nas paralisações passou de 2 milhões e que até o final da noite chegue a 5 milhões. Para a organização sindical, o movimento foi um “esquenta” para a greve geral prevista para o dia 14 de junho.

Os protestos foram realizados em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal ao longo do dia. A UNE afirma que Rio de Janeiro e São Paulo reuniram o maior número de pessoas, cerca de 200 mil e 500 mil, respectivamente. Segundo a entidade estudantil, todas as universidades e institutos federais paralisaram. De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeosp), 90% das escolas federais também aderiram à paralisação no Estado.

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