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Atiradores usaram revólver e arma medieval em atentado em Suzano

Cinco estudantes, duas funcionárias do colégio e o tio de um dos suspeitos foram assassinados. Após o atentado, os dois cometeram suicídio. Outras nove pessoas ficaram feridas, duas em estado grave

Março 13, 2019 às 14:43 - Por: Agência Brasil, Agência Estado e Redação

Os autores do crime foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro (foto), de 17 anos, e Luís Henrique de Castro, de 25 anos. Foto: Facebook/Reprodução

Os autores do crime foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro (foto), de 17 anos, e Luís Henrique de Castro, de 25 anos. Foto: Facebook/Reprodução


O comandante-geral da Polícia Militar, Marcelo Salles, informou que os dois autores do atentado na Escola Estadual Professor Raul Brasil, na manhã desta quarta-feira (13), usaram um revólver calibre 38 e uma arma medieval semelhante a um arco e flecha. Além disso, eles também estavam com um machado e quatro jet luders (um artefato para recarga rápida de arma de fogo). Até o momento, 10 pessoas morreram no ataque, incluindo os suspeitos, duas funcionárias da escola, cinco estudantes e o tio de um dos atiradores. Outras 23 pessoas foram levadas para o hospital, entre feridos (9) e quem passou mal por conta do massacre. Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luís Henrique de Castro, 25, responsáveis pela execução em série, eram ex-alunos do colégio.

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Segundo os policiais, os suspeitos atacaram, inicialmente, uma loja de automóveis ao lado do colégio. Eles estacionaram um carro branco alugado em frente à unidade de ensino e entraram pela porta da frente utilizando toucas ninjas, conhecidas como balaclavas. Já chegaram atirando na coordenadora pedagógica, Marilena Ferreira Vieira Umezo. Câmeras de segurança da rua registraram a chegada.

Salles disse ainda que a investida aconteceu na hora do recreio. De acordo com ele, os atiradores se suicidaram em um dos corredores e artefatos simulando explosivos foram deixados dentro do colégio. Por isso, foi feito o isolamento da área. Peritos de São Paulo foram convocados para auxiliar nas investigações.

As vítimas do atentado foram:
  • Marilena Ferreira Vieira Umezo – coordenadora pedagógica da escola
  • Eliana Regina de Oliveira Xavier – funcionária da escola
  • Pablo Henrique Rodrigues – estudante
  • Clayton Antonio Ribeiro – estudante
  • Caio Oliveira – estudante
  • Samuel Melquíades Silva de Oliveira – estudante
  • Douglas Murilo Celestino- estudante
  • Jorge Antônio Moraes – tio de Guilherme e dono da loja de automóveis perto da escola

Na parte externa do colégio, o governador de São Paulo, João Doria, disse ter visto hoje as cenas mais tristes da sua vida. Ele cancelou a agenda e seguiu para o local com autoridades de segurança pública e da área de educação do estado. O gestor decretou luto de três dias.

O crime ocorreu por volta das 9h30. À tarde, as autoridades de São Paulo concederão nova entrevista sobre o caso.

Como foi o atentado
Escola Professor Raul Brasil. Foto: Google Street View/Reprodução

Escola Professor Raul Brasil. Foto: Google Street View/Reprodução

O coronel Salles da PM disse que, antes de entrar na escola, os dois atiradores atiraram contra o proprietário de um lava-jato que fica em frente ao colégio. Segundo o coronel, a dupla entrou na escola na hora do intervalo. Primeiro, eles atiraram em uma coordenadora pedagógica e uma supervisora. Depois, se dirigiram ao pátio, onde atingiram quatro alunos de ensino médio. Em seguida, foram até o Centro de Línguas. Os alunos que estavam no local se esconderam dentro de uma sala de aula.

Os atiradores, então, se suicidaram no corredor em frente. O Gate está fazendo uma varredura na escola, porque foram encontrados artefatos com aparência similar a de explosivos. No entanto, já foi confirmado que são apenas simulacros.

Sobreviventes

É grave o estado de saúde de dois dos nove feridos no atentado. Eles foram encaminhados para hospitais da região. De acordo com o governo estadual, duas pessoas foram levadas para o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. Uma delas, em estado gravíssimo, foi socorrida, mas não resistiu. A outra está em estado grave, mas estável e em avaliação médica.

Os sobreviventes feridos são:
  • Leticia Melo Nunes
  • Samuel Silva Felix
  • Beatriz Gonçalves
  • Anderson Carrilho de Brito
  • Murilo Gomes Louro Benite
  • Jennifer Silva Cavalcanti
  • Leonardo Vinicius Santana
  • Adna Bezerra
  • Guilherme Ramos

Cinco feridos foram levados para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – dois deles, em estado grave, e um não resistiu. Outras pessoas também chegaram a ser socorridas por terem passado mal devido à investida.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que foram enviados dois psiquiatras e um psicólogo para prestar atendimento às famílias e aos demais envolvidos na ocorrência. Os psiquiatras e o psicóloga atuarão em conjunto com a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Suzano.

Polícia encontra material de treinamento de tiro na casa dos suspeitos

Após o atentado, policiais seguem em busca de indícios que ajudem a explicar a tragédia na Escola Estadual Professor Raul Brasil. Na casa dos suspeitos, que eram vizinhos, peritos localizaram alvos de treinamento de tiros. Segundo os moradores da região, Guilherme era um adolescente problemático, mas Luiz era um jovem tranquilo, morava com o pai, a mãe, o irmão mais velho e o avô. Ele não tinha conflitos na comunidade ou comportamento agressivo.

No carro deixado pelos atiradores em frente ao colégio, foram encontradas mochilas, botas e outros utensílios que estão sendo periciados.

Brasil reúne histórico recente de tragédias em escolas

Tragédias envolvendo tiroteios e ataques em escolas são contabilizadas na história recente do país. O episódio registrado hoje na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande de São Paulo, junta-se a outros. Conforme matérias publicadas pela Agência Brasil , o caso mais recente ocorreu no Colégio Goyases, em Goiânia, quando adolescente de 14 anos assediado por bullying matou dois colegas de 13 anos e feriu outros com a arma da mãe, que é policial civil.

Na apuração das razões do crime, o autor dos disparos disse à polícia que se inspirou no atentado ocorrido em 1999 na escola de Columbine (Estados Unidos), com 15 mortos e 24 feridos, e no massacre ocorrido em Realengo, no subúrbio carioca, em 2011 – quando um adulto (23 anos) efetuou mais de 60 disparos e matou 12 crianças na escola municipal Tasso da Silveira.

Os dois casos são os que registram os maiores números de vítimas. No mesmo ano do episódio em Realengo, uma criança de 10 anos em São Caetano do Sul (SP) atirou em sua professora (4ª série) e depois se matou. Em abril de 2012, um adolescente de 16 anos da cidade de Santa Rita (PB) atirou em três alunas quando tentava acertar um outro estudante.

Há registro de mortes de estudantes também por arma branca, como o assassinato por facada contra um adolescente por um colega de sala em uma escola rural em Corrente (PI).

Ministros vão para a escola acompanhar investigações

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, comunicou que irá a Suzano ainda nesta quarta-feira, 13, para acompanhar as investigações do tiroteio ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil na manhã desta quarta-feira. Mais cedo, o ministro expressou “profundo pesar pelo crime bárbaro”.

“Crianças e jovens são o bem mais precioso de uma nação. É inadmissível que sofram qualquer tipo de violência. O ambiente escolar deve ser sagrado. Ainda hoje, estarei na cidade de Suzano”, publicou o ministro em sua conta no Twitter.

O tiroteio deixou dez mortos, incluindo os dois atiradores, que se suicidaram. A polícia confirmou a identidade dos dois atiradores que abriram fogo na Escola Estadual Raul Brasil em Suzano, matando oito pessoas. Os dois se mataram depois.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, prestou solidariedade às famílias das vítimas do tiroteio ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 13.

“Meus sentimentos às famílias das vítimas do terrível atentado em Suzano”, escreveu o ministro.

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