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Em início de novo ciclo, Neymar tem de conviver com mancha de cai-cai

No primeiro jogo, em New Jersey, a imprensa do mundo cronometrava quando aconteceria a primeira queda. Estatisticamente, jogador sai fortalecido dos amistosos nos EUA

setembro 12, 2018 às 12:36 - Por: Victor Bastos, direto de Washington

No futebol brasileiro, a Copa do Mundo é o termômetro sentimental. E é fato: a cobrança cresce após cada fracasso. Oito anos depois da estreia – com dois Mundiais nas costas -, Neymar voltou aos Estados Unidos para recomeçar mais um ciclo. Estatisticamente, ele sai fortalecido da gira de amistosos contra os Estados Unidos e El Salvador. O saldo foi de dois gols e três assistências, já são 59 bolas na rede vestindo a amarelinha, o que lhe deixa ainda mais perto o pódio da artilharia geral: à sua frente, apenas: Zico (66), Ronaldo (67) e Pelé (95).

Por outro lado lado, nestes oito anos de Seleção, ainda amarga a sina do “copo meio cheio ou meio vazio”. Ainda falta ao novo capitão do Brasil crescer no aspecto de liderança. Tite tomou a primeira medida prática: braçadeira fixa. Acabou o rodízio tão questionado na última Copa. Um gesto claro do treinador para evidenciar a maneira como enxerga o seu principal jogador, não apenas uma escolha técnica, mas com potencial de tornar-se a principal referência no grupo em termos de liderança.

Leia mais: Neymar diz que sofreu muito na Copa e ataca juiz por cartão

O senso comum do pós-Copa, porém, vai na contramão da imagem que se espera de um líder. Cristalizada na Rússia, a mancha de cai-cai segue intacta. O novo momento exige paciência e maturidade. No primeiro jogo, em New Jersey, a imprensa do mundo cronometrava quando aconteceria a primeira queda. Ela veio aos 21 minutos e 13 segundos, e mesmo sendo num lance de falta, ficou o registro em tom de deboche: o defensor norte-americano Yedlin questionou ao árbitro mexicano Fernando Guerrero: “Você viu a Copa do Mundo?”

Seleção venceu o segundo amistoso nos EUA

Neymar comemora o primeiro gol contra El Salvador. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Em Washington, no entanto, Neymar recebeu cartão amarelo por simulação ainda no primeiro tempo. O estádio foi ao delírio. Apesar das provocações, ao menos dessa vez, em nenhum momento o camisa 10 perdeu o controle. Sobre questões práticas de futebol, taticamente, Tite aproveitou a oportunidade para testá-lo em outra posição, saindo das pontas e entrando mais pelo meio, mas a fragilidade do adversário impede qualquer avaliação mais criteriosa. Até 2022, o peso do protagonismo que carrega desde 2010 seguirá sobre as costas de Neymar.

CAMISA 9

Como levar a sério um amistoso em que a torcida adversária fazia a “ola” com apenas 11 minutos de jogo – e já perdendo por 1×0? Mas, neste processo de renovação pós-Copa, alguns jogadores precisavam mostrar serviço de fato. Afinal, serão apenas mais quatro amistosos até o próximo grande compromisso: a Copa América 2019.

“Um Brasil que aprende com seus erros e que não os fica escondendo”. A frase foi dita por Tite antes mesmo da estreia de Richarlison como titular. O fato é que a 9 caiu bem no atacante do Everton, da Inglaterra, autor de dois gols contra El Salvador, em Washington. Contra os Estados Unidos, Roberto Firmino começou entre os 11 e também balançou as redes. A dupla deve ganhar sequência, o que complica a situação de Gabriel Jesus. O atacante do Manchester City passou em branco na Copa do Mundo e ficou de fora dessa última convocação.

Richarlison, do Everton, da Inglaterra, fez excelente estreia pela Seleção

Richarlison sai para comemorar o gol em sua estreia pela Seleção. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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