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SOS Transposição do Rio São Francisco ou SOS PSB na Paraíba?

Ausência do governador João Azevedo em evento ancorado por Ricardo Coutinho escancara cisão entre socialistas

setembro 2, 2019 às 17:29 - Por:

Presença da militância petista “salvou” SOS Transposição e Caravana Lula Livre

A cidade de Monteiro, no Cariri, recebeu manifestantes da Paraíba e de outros estados em defesa da transposição do Rio São Francisco, no evento batizado de SOS Transposição.

O bombeamento de água foi suspenso desde fevereiro pelo governo federal que alegou problemas técnicos. A Caravana Lula Livre e a cúpula nacional do PT juntaram-se ao evento.

Há quem diga que foi um fracasso. Não, não foi, apesar de não ter tido a adesão que os organizadores do evento esperavam. E foi, sim, um evento político. Político como Ricardo Coutinho (RC) que, mesmo sem mandato, conseguiu mostrar força e “pautar a política local”, como lembra o sociólogo David Soares. Claro, muito em função da presença do PT. RC percebeu que unificar os eventos o fortaleceria contra um inimigo que o assombra: a Operação Calvário. 

Ponto importante a ser destacado: a bandeira Lula Livre não atraiu a Monteiro apenas lulistas e petistas. Estavam lá também pessoas que, embora não sejam ligadas a partidos políticos, defendem a Constituição Federal e a soltura de Lula por acreditarem que se trata de uma prisão política, que afronta a Carta Cidadã e que merece ser revogada por tudo que foi revelado pela Vaza Jato.

Dito isto, agora perceba que o SOS Transposição e a Caravana Lula Livre não tiveram apoio do governo da Paraíba, e isso diz muito sobre a quantidade de pessoas em Monteiro. João Azevedo não foi. O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, também não, assim como metade da bancada socialista na ALPB. Veja que apesar da capacidade de mobilização política de Ricardo Coutinho, João também tem força, a da máquina.

O que indica esse contramovimento de João? Instinto de sobrevivência. O descolamento de Ricardo Coutinho é passo preciso. Com isso, o governador evita o desgaste de mais uma briga política contra um “inimigo” que não pode peitar. João mostra preocupação: tem mandato para tocar e um estado pra gerir, e precisa evitar novas retaliações por parte de Bolsonaro. Segundo ele, a Paraíba precisa crescer.

Uma coisa fica clara em mais este episódio: João não vai ceder. Já deu um recado: “O PSB precisa escolher se quer ou não um governador”. Outra coisa fica cristalina: Ricardo Coutinho também não está disposto a recuar. Sabe que precisa de um mandato e vai com tudo rumo às eleições 2020.

Duas forças políticas que, a preço de hoje, seguem caminhos distintos mesmo fazendo parte do mesmo partido. Se João vai permanecer no PSB ou fazer a “transposição” para outras águas partidárias, é outra conversa. Por agora, o que fica acentuada é a rachadura interna na base socialista paraibana. Por mais que haja cola, ela não vai esconder a fratura já exposta.

Política com pimenta I

Jeová Campos (PSB), deputado que preside a Frente Parlamentar das águas e da agricultura familiar, criticou a ausência de João Azevedo no evento em defesa transposição do rio São Francisco: “Se fosse ele, teria ido”.

Política com pimenta II

“No palanque tinha um coronel que dizia quem subia, quem falava e quem devia ser exaltado, a ponto de excluir a deputada Natália Bonavides, o ex-deputado Luiz Couto e outros”, disse o deputado Anísio Maia (PT), e ponderou: “Cabe-nos, ao invés de atacar os aliados ausentes, procurar reincorporá-los nas próximas jornadas.”

Rejane Negreiros

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