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Sabores e Saberes do Conde

5ª edição do Festival, no litoral sul paraibano, mostrou a capacidade empreendedora do povo e a força do turismo local

julho 17, 2018 às 16:38 - Por:

Uma dos pontos de venda do Sítio Tambaba, Conde/PB

A colunista está de férias, mas não podia deixar de contar essa história.

Nenhuma cidade pulsa sem gente ou prospera sem uma boa dose de empreendedorismo. Essa receita, somada a um punhado de criatividade e às belezas naturais do Conde, no litoral sul paraibano, resultaram em um prato saboroso ao paladar e à economia local: o Festival Sabores e Saberes.

A 5ª edição do evento, realizada de 4 a 15 de julho, reuniu 13 restaurantes, lanchonetes, autônomos e duas pousadas. É uma iniciativa da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Conde (ACIC), que investiu cerca de 10 mil reais este ano e recebeu o apoio de parceiros importantes como Sebrae, PBTur, Fecomércio e a Prefeitura da Cidade.

Trabalhar com o inhame foi o grande desafio da vez. É a cultura mais forte do Município e uma das maiores produções do Estado. São cerca de 20 mil toneladas por ano, o equivalente a 10 milhões de pés de acordo com José Fabiano de Medeiros, presidente da ACIC. E o que saiu foi surpreendente: do lanche mais elaborado à alta gastronomia. Tudo acompanhado com um molho especial: cultura.

A rota do festival – meus pontos de parada

O Turek Grelhados Bar foi um dos restaurantes da rota gastronômica na Costa do Conde. De cara o lugar agradou: muito verde, uma pegada regional e aconchegante. O curitibano Marcos Turek é o proprietário e o “mestre” churrasqueiro. Radicado há 8 anos na Paraíba, casou com Luciana Rodrigues, a chef. Eles compraram a ideia do evento, mas foi ela quem estudou, testou e desenvolveu o Garoupa Carapibus especialmente para o Sabores e Saberes. Uma combinação perfeita de lombo de garoupa sobre aligot de inhame regado com manteiga de alcaparras e chips de banana da terra. Simplesmente, “de lamber os beiços”!

Prato desenvolvido especialmente para o Sabores e Saberes 2018

Da arte da cozinha para a arte de rua

Para acompanhar o almoço, pintura em tempo real. Os artistas argentinos Rocio Manzano e Axel Arias fizeram de um dos muros uma grande tela. Deram cor ao cinza. Sim! Uma mistura de talentos para e em todos os sentidos.

Mural concluído durante o Festival Sabores e Saberes. Foto: Turek

Outra opção de almoço ficou por conta do Sítio dos Santos, logo na entrada de Jacumã/PB. Quem gosta de comida nordestina com tempero caseiro, não pode deixar de visitar o lugar que também oferece pousada, passeio de caiaque, parque para crianças e música ao vivo.  No cardápio, servido com um bom forró pé-de serra, galinha de capoeira, arroz da terra ao leite e queijo de coalho, feijão verde, vinagrete, farofa e o destaque da mesa: cubos de inhame fritos. Encheu a boca d’água? Não é pra menos. É pra comer e repetir!

Comida regional servida no Sítio do Santos, Conde/PB

Vamos de sobremesa?

Inhame, bacon e café. Essa mistura já pode ter sido seu café da manhã ou jantar. Mas já pensou em colocar uma pitada de açúcar e fazer dessa receita uma sobremesa daquelas que pedem “bis”? Foi o que fez a Dona Dilma Oliveira, da Sorveteria Sonho Gelado, na principal de Jacumã. Ela criou o sorvete de inhame, servido com farinha de bacon adocicada e calda de café. Confesso que estava ansiosa para provar e posso dizer com propriedade: vale à pena! O negócio fez um sucesso tão grande que o sorvete de inhame entrou de vez no cardápio. Que tal?  Abra sua mente e se permita experimentar pratos que fogem do óbvio.

Sorvete de inhame com farinha de bacon e calda de café servido na Sonho Gelado, Conde/PB

Criatividade que dá lucro

O lanche da tarde foi uma surpresa! Conheci a Daniela Silva, do Tapioca com Café, responsável por uma criação inusitada, saudável e pra lá de saborosa. Ela quis marcar a primeira participação no Festival e, com consultoria do Sebrae, criou uma tapioca de beterraba, recheada com carne de sol e creme de inhame. “A gente pensou em fazer vermelha porque simboliza o amor, uma cor diferente, mais viva”, disse a tapioqueira que tira o sustento da família da banquinha que ela mesma construiu depois de ver a lanchonete que montou ser destruída em um incêndio.

Se você franziu a testa, desconfiado ou desconfiada, desencane e experimente essa delícia. O sabor caiu no gosto de moradores e visitantes. Antes do evento chegar ao fim, Daniela já tinha vendido cerca de 60 tapiocas especiais, cada uma a R$ 10 reais.

Tapioca de beterraba com carne de sol e creme de inhame

Enquanto eu batia papo com a Dani, como ela é conhecida na área, os Tambores do Tempo, da Escola Viva Olho do Tempo, ecoavam pelas ruas. Os meninos e meninas da Evot, sob a batuta do professor Marcílio, tocavam maracatu e mostravam que gastronomia e música são sempre uma boa pedida! Já era praticamente o fim do percurso. Eles tinham saído do Pukaro, outro restaurante que participou do Sabores e Saberes.

O maracatu do Tambores do tempo e os meninos da Evot

Para Cláudio Soares, do Sebrae, o Festival ajuda a impulsionar o comércio local no que “exige dos donos de restaurantes produtos e serviços cada vez mais sofisticados e preços justos que atendam às necessidades do cliente”. A proximidade com João Pessoa é outro fator positivo. “Quando tem turismo, movimento na região, a cadeia é abastecida. É o restaurante que está sendo atendido por uma demanda que vem de uma pousada, é uma pousada que está consumindo algum tipo de serviço seja ele de receptivos, a exemplo de “bugueiros”, seja no supermercado quando se precisa comprar outros materiais. Por isso que é importante trabalhar sempre esse foco de eventos, de ofertas diferentes para que nosso destino seja uma realidade”, garante Cláudio.

As riquezas do Conde

O Conde fica a pouco mais de 20 minutos de João Pessoa. São 20 quilômetros de praias, algumas ainda selvagens e que estão entre as mais belas do Nordeste. Entre elas, Coqueirinho. Vista de cima é uma pintura e rende fotos maravilhosas. Um dos pontos mais disputados pelos visitantes é o mirante ‘Dedo de Deus’. O acesso não é tão fácil. Pra chegar ao local, o ideal é que seja de buggy. Na cidade, há vários receptivos que oferecem o serviço.

Foto tirada no Mirante Dedo de Deus, Praia de Coqueirinho – Conde/PB

Mas há outras riquezas no Conde. Riquezas feitas de carne, osso e muito trabalho. Que o diga a Nevinha, da Casa do Doce Tambaba, no Sítio Tambaba. Ela deixou a beira da estrada, onde comercializava o que produzia em casa, e, com ajuda da família, transformou a área onde vive em rota obrigatória para quem visita o Município.

Economia familiar e criativa na Costa do Conde/PB

Há cerca de 5 anos, os homens do assentamento ergueram pequenas casas de taipa, as mulheres decoraram com chita, fuxico, cortinas de crochê. Em cada uma, um ponto de venda. Tem cachaças de fabricação caseira, compotas de abacaxi, caju, goiaba, banana, coco… Tem cocada, castanhas doces e salgadas. Ah, tem também artesanato, frutas, sucos, sorvete e um anfitrião muito arretado que faz um sucesso danado: o Lampião. O lugar é um charme só. E em breve deve ganhar um restaurante. Esse é o próximo passo!

Um pedacinho do Sítio Tambaba que encanta os visitantes

Rejane Negreiros

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