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PT: um Partido partido

Decisão de parte do PT paraibano de apoiar o PSB intensificou crise interna

junho 2, 2018 às 19:09 - Por:

Manifesto do PT encontra resistência dentro da própria legenda na Paraíba

Dizem que quem muito se abaixa, mostra o que não deve. Esse entendimento rachou o PT. Há os radicais e os moderados. No fundo, querem a mesma coisa:  sair fortalecido do processo eleitoral. Mas discordam quanto aos métodos.

Uma ala defende independência, candidatura própria. A outra, alianças. Foi justamente a turma do estilo “paz e amor” que lançou um Manifesto em apoio à candidatura de João Azevedo, do PSB, ao governo da Paraíba. Em troca: o apoio à lula e uma vaga na chapa majoritária.

Os mais críticos insistem na falta de coerência desse raciocínio por um motivo: a presença “inimiga” no território. Falam de Veneziano Vital do Rêgo, Efraim Morais e Efraim Filho. Eles nunca foram aliados do PT, dizem.

Há claramente um ranço pós-impeachment de Dilma Rousseff pelos posicionamentos dos Democratas e de Veneziano, ex-emedebista. Fato é que os chamados “inimigos”, estão com o PSB antes dos petistas chegarem. Quem tem que se adequar então?

Houve tentativa de trégua do lado contrário, de desarmar, por assim dizer, os mais resistentes à aliança. O deputado federal Efraim Filho estendeu a bandeira branca: “precisamos deixar as diferenças de lado e nos unir em torno dos interesses da Paraíba.”

A retórica de Efraim não convenceu. Foi a resistência do PSB em abrir mão das alianças já firmadas que fez parte do PT recuar. Com o apoio do presidente da PT da Paraíba, Jackson Macêdo, os moderados aceitaram os termos sob forte crise interna.

Afinal, quem está certo? Arrisco dizer que os dois. Em tempos de guerra – sim, eleições são uma guerra! – recuar, às vezes, é a melhor estratégia. Mas tudo a seu tempo. Talvez aí esteja o problema. A questão é que, antecipando o apoio, o PT pode ter perdido sua principal arma: o poder de negociar.

O PT ainda é o partido de esquerda mais popular e estruturado, com forte penetração nos movimentos sociais, ou seja, tem voto. Isso é bom para o PSB. Mas por que os socialistas dariam uma das vagas para o senado ao PT agora que já tem apoio certo?

O Manifesto não assegura ao PT nenhuma garantia. Terão os Moderados colocado o carro na frente dos bois? Se foi um risco mal calculado, como acreditam os Radicais, só o tempo vai dizer.

Rejane Negreiros

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