O portal do Sistema Opinião

POP9

Polêmica

pb

“Prosperaram os traíras”, diz Hervázio Bezerra sobre derrota na ALPB

Eleição para presidência da Assembleia teve direito a “tiro, porrada e bomba” e uma reviravolta inédita

Fevereiro 1, 2019 às 16:03

Uma eleição inédita, marcada pela divisão da bancada governista

“Eu sou terrorista”, disse o deputado Tião Gomes (Avante), e tocou o terror nas eleições para a mesa diretora da Assembleia Legislativa da Paraíba. Insistiu na própria candidatura para a presidência do segundo biênio e atropelou Hervázio Bezerra (PSB), o candidato declarado do governo.

Aos 45 do segundo tempo, Tião saiu de cena e veio com o tiro: lançou o nome de Adriano Galdino (PSB), já eleito por unanimidade para presidir a ALPB em 2019/2020. E Galdino, vejam só, não se fez de rogado. Contrariando um acordo selado na véspera com Hervázio e com o governador João Azevedo, se lançou mais uma vez como candidato. Venceu por 23 a 13, e criou ondas sísmicas da bancada governista já dividida no primeiro dia de trabalho legislativo.

Galdino, que havia se comprometido com Hervázio, explicou a proeza (ou seria a porrada?): “conversei com Tião e fiquei sensibilizado com a fala dele.  Ele me fez um desafio. Sou um homem de desafios e topei”. Coisas de um coração mole ou de um Adriano Galdino altivo, que quer mostrar independência do Executivo embora deseje a harmonia entre os poderes?  Acusado de golpear o colega socialista e o governo, Galdino garantiu: “Somos todos governo. A nossa intenção é dar governabilidade ao governo.”

O fogo amigo não abrandou o ressentido coração de Hervázio. Apunhalado pelas costas, o ex-líder do governo na gestão Ricardo Coutinho deixou vazar toda sua insatisfação: “Honrei meus colegas e o governo. Saio de cabeça erguida com a serenidade que sempre pautou a minha vida. Nós da base, fora os ‘traíras’ votamos conforme compromisso assumido com o governo. O resto vocês façam as reflexões e tirem suas conclusões”. E continuou: “Almoçamos na quinta e apresentamos nossa chapa para avaliação de todos. Tínhamos 18 votos, o que tornaria o pleito empate. Eu acho que tudo estava sendo urdido há um bom tempo”.

Para Galdino, as diferenças se encerraram com as eleições. Mas não é bem assim. A manobra de Tião e do agora presidente da casa pelos próximos dois biênios azeda as relações na base governista. Há quem veja a vitória de um como uma derrota do outro. São arestas que João Azevedo terá de aparar nos dias seguintes a fim de garantir que não haja a implosão de sua base.

Quanto maior a base, maior a contenda

A explicação para tamanho desalinho na bancada governista pode estar no seu tamanho. “O governo tem uma bancada muito grande. É natural que no interior do parlamento esta bancada tenha mais de um interesse. O parlamento tem uma dinâmica própria, e o maior problema de quem tem uma bancada grande nunca é a oposição, mas a articulação política com sua própria base”, afirma o sociólogo e analista político, David Soares.

Articulação zero

Na visão do também sociólogo e analista político Gonzaga Júnior, o deputado Ricardo Barbosa, escolhido como líder do governo por João Azevedo na Assembleia Legislativa, “falhou na primeira missão enquanto articulador”. Barbosa não conseguiu unir as diferenças e teve sua capacidade de diálogo questionada. “A cisão também tá no PSB”, conclui Gonzaga.

Moral da história

Tião Gomes não se curvou e bagunçou o coreto. Adriano Galdino peitou o sistema e adotou uma regra própria levado pelo coração, segundo ele mesmo. Hervázio Bezerra, que tanto falou em respeito, experimentou a infidelidade de colegas. Quanto a João Azevedo… Bem, apesar da surpreendente mudança de rota de seus aliados na ALPB e da alteração do enredo da trama, no fim, saiu na vantagem. Terá um Legislativo regido por um rei socialista pelos próximos quatro anos.

Rejane Negreiros

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: