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Eleições 2018

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Pós-convenções partidárias: arcos das alianças são mais do mesmo

Duas chapas concentram 26 partidos e eleição na Paraíba revela polarização

agosto 6, 2018 às 22:51

Eleições 2018: Convenções terminam com a oficialização de 5 candidatos ao governo da Paraíba

É da regra do jogo. O prazo limite para partidos oficializarem candidaturas terminou neste domingo, 5 de agosto, e com poucas surpresas na Paraíba. O desenho de agora confirma os rabiscos das últimas semanas. Há cinco candidatos ao governo e uma desistência previsível.

João Azevedo (PSB) terminou a fase de negociações com 13 partidos aliados. Juntos somam 14. A composição encabeçada por ele inclui o PT que lançou o padre Luiz Couto ao Senado. Não perdeu o Democratas, confirmando o pacto que vem desde 2010. Ganhou o PDT de Lígia Feliciano e, com isso, a certeza de que Campina Grande,  segundo maior colégio eleitoral da Paraíba, está devidamente representada, o que dá equilíbrio à chapa.

Na prática 1: Lígia tentou mas não avançou como candidata. Recuar e permanecer no grupo governista foi oportuno e estratégico para garantir a sobrevivência do PDT no processo eleitoral e uma possível reeleição do marido, o deputado Damião Feliciano, à Câmara Federal.

Na prática 2: O DEM fez uma troca que pode render votos e recursos à coligação além de um bom negócio a médio prazo. Abriu mão da vaga de vice-governador – que em tese seria de Efraim Morais – e ficou com a indicação do suplente de Veneziano Vital do Rego para o Senado.

Lucélio Cartaxo (PV) avançou. Chegou ao fim da convenção do partido fortalecido. Mostrou que o trabalho de costura nos bastidores é sagrado para quem quer fermentar uma campanha ao Palácio da Redenção. Começou com 5 aliados e construiu um blocão com 12 legendas, incluindo o Progressistas ou PP. O mesmo que se assanhou todo contra a escolha do nome de Lucélio mas que acabou cedendo à tentação de disputar o Senado com Daniella Ribeiro.  O desafio de Cartaxo no pouco tempo de campanha é se fazer conhecido no Estado. Conta com a presença do PSDB para fertilizar o terreno no interior, principalmente na região de Campina Grande.

No MDB, José Maranhão passou das convenções com uma chapa desidratada, com baixo capital político. Não conseguiu arregimentar apoios além do PR e do Patriotas – e de alguns poucos do PSD.  Tentou o PSC de Marcondes Gadelha sem sucesso. É quase uma chapa puro-sangue que traz como único candidato ao Senado um outro emedebista: ex-governador Roberto Paulino. Praticamente isolado, com pouca corda para esticar, o MDB expõe uma fragilidade perigosa mesmo sendo uma legenda rica em Fundo Partidário, tempo de televisão e rádio. Pontos positivos: está presente em praticamente todo o território paraibano, José Maranhão tem ficha limpa e capital eleitoral. Sim, “Zé” tem votos que podem apimentar a disputa e levar o pleito para o segundo turno.

Vamos ao PSOL. O Partido Socialismo e Liberdade lançou chapa puro-sangue com apoio do PCB e do UP, partidos não oficializados no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba . Tárcio Teixeira é o candidato. Foi o primeiro  anunciado em Convenção e registrado no TRE. Presidente estadual da legenda, é assistente social, dialoga com parte do eleitorado paraibano mas esbarra em obstáculos  que não podem ser ignorados: é pouco conhecido na capital e no interior, tem recursos limitados e pouco tempo pela frente. É uma campanha, sobretudo, de resistência.

Também se observa isso na campanha de Rama Dantas, do PSTU. Professora, militante, Rama embarca numa campanha solitária, sem apoios, sem candidatos a deputados federais e estaduais. Tem como vice outro professor, Emanuel Candeia, do mesmo partido. Não tem competitividade, mas traz ao debate um tom crítico que encontra ressonância em uma parte do eleitorado.

Arco das alianças – veja como ficaram as composições

PSB coligou com: PT, PC do B, PDT, PRP, PTB, DEM, PROS, PRB, PPS, AVANTE, Rede, PODEMOS, PMN

PV coligou com: PSDB, PSD, PP, PTC, PRTB, SOLIDARIEDADE, DC, PSL, PPL, PHS E PSC

MDB coligou com: PR e Patriotas

PSOL tem o apoio de: PCB e UP

PSTU não coligou

Concentração de partidos em duas chapas

Vinte e seis partidos estão distribuídos em duas chapas. Há uma polarização em torno de dois nomes que, embora sejam novos na disputa ao governo estadual, representam forças conhecidas no mercado político paraibano. Não são necessariamente sinônimo de renovação.

As composições são resultado de um trabalho forte e “agressivo” de articulação política. São importantes numa disputa porque somam tempo de tv, rádio e recursos do Fundo Partidário. Nem sempre seguem uma lógica. Mostram força, mas não são garantia de vitória nas urnas.

Prazos e dúvida

Os registros devem ser feitos até às sete da noite do dia 15 de agosto. Dia 16 começa a campanha. Até lá pouca coisa ou nada deve mudar nas chapas majoritárias. Mas podem ocorrer mudanças na proporcional. Há uma expectativa, por exemplo, em torno do futuro político de Manoel Júnior. Ele se filiou ao PSC, colocou o nome à disposição para disputar o Senado e acabou sobrando.

A tentativa de aliança fracassou com o MDB. A ideia não vingou com o PV – o que reforça a tese de resistência de Lucélio e de Luciano Cartaxo, presidente estadual do Partido Verde, ao atual vice-prefeito de João Pessoa.  Restou a disputa para a Câmara Federal, mas até essa possibilidade estaria ameaçada. Isso porque, levando esse plano adiante, Manoel Júnior faria sombra em Leonardo Gadelha que é primeira opção do PSC. Moral da história: tanto foi com sede ao pote, que pode se afogar politicamente.

Rejane Negreiros

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