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O que violência tem a ver com política?

Se o sistema é falho, iniciativas na área de segurança serão sempre insuficientes

setembro 10, 2018 às 22:10 - Por:

A Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes fica localizada no bairro de Jacarapé, em João Pessoa. Foto: Joana Brito/TV Manaíra

Ataque ao PB1 inflama debate sobre Segurança Pública na Paraíba. Foto: Joana Brito/TV Manaíra

Um ataque planejado – com armamento pesado – e uma fuga histórica: 105 presos escaparam de um presídio de segurança máxima na capital da Paraíba. Mais que um problema de segurança pública, esse é um debate sobre política. Explico. O avanço da criminalidade e de seu potencial ofensivo não são fatores isolados. São consequência de vácuos sociais, econômicos, educacionais…  E, claro, de uma lógica predatória do sistema.

Em 2017 o Brasil passou por uma reforma política improvisada, amadora e, de certo modo, infeliz. Beneficiou poucos, aumentando discrepâncias. A verdade é que o modelo que aí existe – tanto de democracia representativa quanto o partidário – já deu mostra de que não se sustenta. É parasitário porque serve a grupos privilegiados, prioriza o privado e ignora o interesse o público.

E quando toda uma população é submetida à escravidão de uma carga tributária esmagadora, surgem conflitos que são intensificados por outros fatores: ineficiência da máquina pública, desemprego, saúde e educação precária… É um ciclo vicioso. Sem escola de qualidade, sem renda, a violência aumenta. Via de mão única. O contribuinte paga caro por tudo isso e não tem retorno. Ou seja, o sistema não é funcional ou funciona para poucos.

Natural que em fase de ebulição da violência, como estamos agora, a eficiência da segurança pública seja questionada. Logo se cobra mais polícia. Mas desde quando o número de policiais nas ruas é sinônimo de segurança e tranquilidade? A história tem nos dado conta de que reprimir é mais caro do que prevenir. E menos inteligente também. Segurança pública envolve investimentos em outras áreas.

Há um país de analfabetos. Há um país de desempregados. Há um país de esquecidos, vilipendiados por quem está no topo da pirâmide econômica, social e política. Logo, há um país de desajustados. Levantamento do Ibope Opinião traz indicadores preocupantes: três em cada 10 brasileiros são analfabetos funcionais. Escrevem e leem, mas não compreendem o que fazem. O sistema não resolveu essa lacuna porque não foi feito para corrigir distorções, mas intensificá-las.

Vamos ao exemplo concreto. Dos 421 candidatos a deputado estadual na Paraíba este ano, 36 se declaram políticos profissionais. Quem faz da política meio de vida beneficiado por um sistema que permite reeleições ilimitadas para o Legislativo, não tem compromisso com o outro, nem com políticas públicas que reduzam as desigualdades e melhorem a malha social.

É essa política do bem-estar de uns em detrimento de todos que afasta a população do debate político porque corrói sua motivação que é combustível para o processo eleitoral. Prova é o alto índice de abstenção nas últimas eleições e a expectativa de uma abstenção maior ainda para as eleições de outubro.

Moral da história: não se tem segurança efetiva quando não há educação de qualidade e quando a população não tem acesso à saúde, lazer, dignidade. Mas para avançar, é preciso acabar com a figura do político profissional incentivando a alternância de poder. Necessário ainda melhorar o controle popular. Afinal, navegar é preciso (já dizia Fernando Pessoa) e mudar de rota, fundamental. Por questão de sobrevivência, mas também de sapiência.

Rejane Negreiros

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