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No Papo-cabeça, com Rejane Negreiros: a política do improviso

Crise se intensifica e senador paraibano critica inércia do Governo Federal

Maio 24, 2018 às 22:13

Postura do Governo Federal é alvo de críticas. Foto: DIDA SAMPAIO

Crescimento econômico sem desenvolvimento social não é algo lá muito inteligente. Uma hora a coisa estoura. Natural. Não somos só números. Somos gente. Gente é a mola da economia. É a força, o impulso, a alma. A queda da inflação é formidável! O controle da taxa de juros é ótimo! Mas se isso não vier acompanhado de emprego e o mínimo de dignidade para as pessoas, não há do que se orgulhar.
Ora, há de se ter equilíbrio em tudo, do contrário, o negócio desanda. E desandou agora com a greve dos caminhoneiros. Como a pauta move os interesses da coletividade, o apoio ao movimento é natural. Na Paraíba e em todo o país, caminheiros parados há 4 dias nas rodovias estão recebendo mantimentos da população. Gente que aderiu à proposta do categoria porque simplesmente cansou.
O governo claramente subestimou esse sentimento. Foi incapaz de prever os problemas gerados por sua política econômica e inércia diante da crise. do contrário, poderia tê-los remediado a tempo. No século XV, o historiador e político italiano Nicolau Maquiavel já alertava: quanto maior o mal, mais difícil curá-lo. 
A reação do povo é o mal que o governo não esperava. Para conter os ânimos, um paliativo: a redução temporária de impostos: Cide, PIS, Cofins.  Na prática, o governo descobre um santo pra cobrir outro. 
Tudo na base do improviso, do remendo, do puxadinho. E quem vai pagar a conta dessa obra mal feita? A união não abre mão da mina de ouro que é a arrecadação de impostos,  a Petrobras não cede com sua política de reajustes de preço. Quem sobra?
É tudo de um amadorismo impensável. Mostra falta de planejamento, de sensibilidade, de conhecimento histórico e de preparo para gerenciamento de crise. Quando disseram que a corda arrebenta do lado mais fraco, não inventaram a roda. Sempre foi assim. Essa é a política de poucos para poucos. O topo da pirâmide é o que conta, não a base.
O caos instalado, contudo, pede prudência. Há um levante que exige de Temer e sua equipe bem mais do que estão dispostos a dar. A instabilidade das ruas chega, de fato, à cúpula do Poder do país.
Recordo-me agora das palavras do deputado paraibano Renato Gadelha, do PSC. Disse-me certa vez: político só tem medo das urnas e do povo na rua. Não é à toa que o governo, já tão desgastado, está uma pilha de nervos, completamente perdido. 
A pressão do outro lado
O posicionamento do Governo diante de toda essa crise tem gerado críticas severas de partidos como o PSDB. O senador tucano Cássio Cunha Lima fala em omissão: “falta articulação, falta governo. O país está parado diante da incompetência e da falta de reação do governo.”

Já o senador José Maranhão, do MDB, preferiu não bater de frente com o governo, mas defendeu que aprove o quanto o antes o projeto que “limita a alíquota para cobrança do ICMS no transporte incidente em operações internas com combustíveis. O objetivo é nivelar a alíquota máxima para gasolina e álcool em 18% e para o diesel em 7%”.

Rejane Negreiros

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