O portal do Sistema Opinião

POP9

Justiça

pb

Extermínio de mulheres e a cultura do atraso

Lei Maria da Penha tem incentivado denúncias, mas silêncio e preconceito ainda matam muito

agosto 7, 2018 às 23:28

Mulheres ainda são vítimas da cultura do atraso. Foto: Reprodução/JusBrasil

Os casos de abuso contra as mulheres têm se multiplicado na Paraíba. Em ano de eleição, essa pauta não pode cair. Candidatos precisam falar sobre isso, até porque isso envolve tratamento de choque em outras áreas. Candidatos, devem apresentar propostas voltadas para segurança pública, o combate à criminalidade, mas não podem se furtar de falar e fazer algo para estancar a violência doméstica. Não dá mais pra silenciar. O problema é real.

Cada vez mais mulheres morrem porque são mulheres. São violentadas porque são mulheres. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Paraíba, só nos primeiros 50 dias do ano, 20 mulheres foram assassinadas. É uma sangria desatada que precisa ser atacada com inteligência. Não falo dos jornais, da imprensa. Falo de políticas de Estado que devem dar ao problema o tamanho, a dimensão que ele merece.

Em 12 anos de Maria da Penha muito foi feito, sobretudo no que diz respeito à conscientização das vítimas. Elas estão denunciando mais. Levantamento do Ministério Público do Estado revela que nos primeiros seis meses do ano, quase mil denúncias foram feitas. Significa que a cada 5 horas, um agressor foi denunciado pelo MP graças aos “gritos” de socorro das vítimas.

Mas há muito a fazer. Romper um ciclo de violência que vai além dos muros de uma casa. Muito se mata no Brasil porque aqui há uma cultura do atraso. Há homem e mulheres – pasmem – que culpam as vítimas pelas agressões que sofrem. “Morreu porque preferiu ficar com o vagabundo.” “Foi estuprada porque usou roupa curta”. Esse pensamento opressor, rasteiro deve ser rechaçado e combatido com educação desde a base.

Homem não é dono de mulher. Aliás, ninguém é dono de ninguém. Conscientizar pessoas e derrubar o véu da ignorância é também fazer política. É também trabalhar contra a criminalidade. É prevenção. Não adianta contabilizar mortes. O desafio é impedir que elas aconteçam.

Rejane Negreiros

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: