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Bolsonaro: a aposta do mercado

Pauta reformista do candidado do PSL ganha simpatia de empresários

outubro 3, 2018 às 16:13 - Por:

Deputado Jair Bolsonaro. Foto: Instagram/Reprodução

Candidato desponta nas pesquisas e flerta com empresários. Foto: Instagram/Reprodução

Não faz muito tempo, uma agência de classificação de risco afirmou que a eleição de Jair Bolsonaro(PSL) seria mais arriscada para a agenda econômica que a de Fernando Haddad (PT).

A agência se referiu a Bolsonaro como um outsider, ou seja, alguém que se apresenta com não-político ou como um antipolítico, e isso poderia comprometer as medidas de ajuste fiscal defendidas (e esperadas) por investidores e especuladores.

Há movimentos, porém, que desmontam essa tese.

1) Bolsonaro de outsider não tem nada. Ele é político profissional. Vive disso há quase 3 décadas.

2) Empresários brasileiros mudaram de tática e não seguem a lógica adotada pela agência. Isso porque a pauta reformista de Bolsonaro está alinhada com as propostas do mercado que, por sua vez, se alinha ao candidato do PSL. 

O antipetismo também empurra Bolsonaro pra frente nas pesquisas. De acordo com o Datafolha ele está com 32% das intenções de voto nessa reta final. No ibope, divulgado segunda-feira, ele também ultrapassou a marca dos 30 pontos percentuais. Em ambos os levantamentos, Ciro Gomes (PDT) estacionou.

O discurso antipetismo de Ciro foi um tiro que saiu pela culatra. Não o favoreceu. Por outro lado, pode ter fortalecido a campanha de Bolsonaro que tem uma militância aguerrida, disposta. Isso é inegável.

Chama atenção ainda a evolução de 6 pontos de Jair Bolsonaro junto ao eleitor feminino (18% – 24%). Significa que, entre elas, quem decidiu o voto nos últimos dias seguiu na direção do primeiro colocado nas pesquisas.

Também se percebe crescimento – embora mais tímido – de Bolsonaro entre os jovens dos 16 aos 24 anos. Tinha 28%, agora está com 32% das intenções de voto dentro desse estrato. A tendência se repete entre os eleitores dos 25 aos 34 anos (25% a 37%); dos 35 aos 44 anos (24% a 31%); dos 45 aos 59 (17% – 30%).

Entre eleitores com 60 anos ou mais, a progressão de Bolsonaro nas intenções de voto é expressiva (17% a 31%): crescimento de 14 pontos.

Quanto à escolaridade, Jair Bolsonaro só perde para Fernando Haddad em eleitores com ensino fundamental ( 21% – 27%).

Com relação à renda familiar, Haddad só ganha de Bolsonaro entre os que recebem até 2 salários mínimos. Significa que Bolsonaro está no topo da preferência de quem tem faixa salarial acima de R$ 1.908,00.

No entanto, ele ainda lidera o ranking da rejeição: 45%. Era 46%. Oscilou dentro da margem de erro. A rejeição a Haddad aumentou. Era 32% subiu para 41%.

Há uma clara polarização nesse desenho que deve levar a campanha para o segundo turno. De um lado: o anti PT; do outro, o anti Bolsonaro.

Tem candidato tentando desconstruir isso. Caso de Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Ciro. Dificilmente conseguirão porque há um fator que desequilibra qualquer raciocínio lógico quando o assunto é eleição: o sentimento. E no caso concreto, há paixão e ódio envolvidos, de um lado e do outro.

Rejane Negreiros

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