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As ‘zebras’ das Eleições

Políticos tradicionais perderam força e bancada feminina cresceu na Paraíba

outubro 9, 2018 às 12:12

João Azevedo é o candidato do PSB ao governo da Paraíba. Foto: Rafael Reynaux

João Azevedo(PSB) é eleito governador da Paraíba e vai contar com maioria absoluta na ALPB. Foto: Rafael Reynaux

Estas eleições reservaram algumas surpresas e ratificaram tendências.

Na corrida ao governo, João Azevedo contrariou as pesquisas. Levou a disputa em primeiro turno, com 58,18% da preferência do eleitor, esmagando os adversários Lucélio Cartaxo (PV) e José Maranhão (MDB) que, nem mesmo juntos, superaram a marca do socialista nas urnas.

Há aí três questões a serem consideradas.

A primeira diz respeito a Ricardo Coutinho. O governador mostrou que consegue transferir votos. Optou por não disputar o senado para eleger Azevedo. Virou cabo eleitoral e a estratégia funcionou.

Segunda: uma campanha decidida logo em primeiro turno, coisa que não acontecia há duas décadas na Paraíba, só confirma a hegemonia do PSB, que conseguiu outra façanha para o Legislativo. Já já eu falo disso.

Vamos ao terceiro ponto e esse diz respeito ao MDB que sai dessa eleição desidratado, menor do que entrou. José Maranhão não só perdeu como teve menos de 20% dos votos. Só elegeu um deputado estadual, o Raniery Paulino. Ninguém do MDB passou para a Câmara Federal ou para o Senado. Aliás, Roberto Paulino, ex-governador, ficou em quinto na disputa para senador, com 7,67% dos votos.

E quando o assunto é o Senado…

Contrariando as pesquisas tucano não só perde, como fica em 4º lugar para o Senado.
Foto: Senado

Há aqui algo muito peculiar. Cássio Cunha Lima, do PSDB, até então um forte candidato à reeleição, amargou um quarto lugar na corrida, com 17,53%, o equivalente a 601.343 votos. Cássio perdeu para o PT de Luiz Couto, para Daniela Ribeiro do PP, sua parceira de chapa, e para Veneziano Vital do Rêgo, do PSB. O ninho tucano sofreu uma perda histórica. Encolheu também no Congresso.

A eleição de Daniela foi o fator surpresa. A zebra da competição. Era ela quem figurava em quarto lugar nas pesquisas. Contou com o dinheiro do partido, a influência do irmão Aguinaldo Ribeiro, reeleito para a Câmara Federal, e os votos de João Pessoa e Campina Grande. Só na capital, a senadora eleita teve mais de 70 mil votos – resultado de um forte trabalho desempenhado pelos vereadores da base aliada do prefeito Luciano Cartaxo.

Veneziano e Daniella são de Campina Grande. Foto: Montagem/ OP9

Veneziano e Daniella são os novos senadores da Paraíba Foto: Montagem/ OP9

Ainda sobre a progressista, primeira senadora eleita da história da Paraíba, há outra coisa a considerar. Daniela foi eleita muito provavelmente em função do segundo voto para o Senado. Gente que tinha uma primeira opção, mas não tinha a segunda. Ou seja, ela também contou com um tantinho de sorte uma vez que não teve a imagem ligada ao irmão, líder do governo Temer.

Deputados Federais e Estaduais

PSB elege os deputados mais bem votados da Paraíba para ALPB e CF. PSL faz um deputado estadual.

Quando o assunto é Câmara Federal e Assembleia Legislativa, não podemos falar em renovação no sentido literal da palavra. É que entre os seis novatos, dois já são velhos conhecidos:  Wilson Santiago(PTB) volta à Câmara depois de um intervalo de 7 anos, e Ruy Carneiro(PSDB) retoma o o posto que assumiu de 2011 a 2015.

Há entre os novatos ainda, outros três políticos experientes: Gervásio Maia(PSB), o mais bem votado entre todos os candidatos, passou pelo Legislativo Estadual por quatro mandatos consecutivos. Frei Anastácio( PT), também já teve quatro mandatos como deputado estadual. Edna Henrique(PSDB) nunca passou pelo Legislativo municipal ou estadual, mas foi prefeita de Monteiro(PB).

A lista fecha com apenas um parlamentar que nunca teve mandato na vida: Julian Lemos(PSL) que pegou carona na popularidade de Jair Bolsonaro e na campanha também, já que ele coordenou as ações no Nordeste. Um ilustre desconhecido que desbancou políticos “profissionais” como Eliza Virgínia(PP) que, curiosamente, levantou a mesma bandeira do Julian.

Governabilidade

Vale lembrar que entre os 12 federais eleitos e reeleitos, metade está na base de João Azevedo. A depender do próximo presidente do Brasil, esse número pode fazer toda a diferença. Um bancada forte, com trânsito livre com o Planalto, pode conseguir recursos importantes para a Paraíba.

Na Assembleia Legislativa, a renovação ficou na faixa dos 38%. Dos 36 deputados 8 são do PSB, mas os governistas chegam a 22. Em se tratando de governabilidade, João não deve ter problemas.

Bancada Feminina na ALPB

Na Assembleia Legislativa da Paraíba, destaque para o crescimento da bancada feminina que passou de 3 para 5 deputadas. Saiu Daniella Ribeiro, mas entraram Dr. Paula (PP), com 27,685 votos; Pollyana Dutra (PSB) 28.868 votos; e Cida Ramos (PSB), ex-secretária de Desenvolvimento Humano do Estado e a mais bem votada deputada da Paraíba, com 58.048 votos. Conseguiram se reeleger as deputadas Estela Bezerra(PSB), com 40.761 votos, e Camila Toscano (PSDB) com 30.711 votos.

O que podemos tirar disso? Bem, indiscutivelmente, esse aumento da bancada é algo a ser comemorado. Mas quando a gente vai para os números, vê que, em relação aos demais 31 deputados, a bancada feminina representa apenas 8%, ou seja, é bem inexpressiva.

Há muito espaço a ser conquistado e preenchido, e isso passa pelos Partidos Políticos. Enquanto eles não priorizarem campanhas femininas, investirem nelas, o cenário dificilmente vai mudar. Mas passa também pela legislação eleitoral. Atualmente, o Código Eleitoral reserva um terço das vagas a serem ocupadas nos parlamentos para candidatas mulheres. Esta cota é obrigatória, uma ação afirmativa importante mas, sozinha, não é suficiente para reduzir as desigualdades de gêneros na política.

Rejane Negreiros

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