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Acordo entre Governo e caminhoneiros: uma solução meia-boca

Governo e caminhoneiros entram em acordo sobre preço do diesel. Nada ficou acertado sobre a política de reajustes da Petrobrás.

Maio 25, 2018 às 00:50 - Por:

Acordo entre Governo e representantes de entidades depois de reunião no Palácio do Planalto

Pouco mais de 6 horas de reunião e trégua estabelecida. A greve que parou o país por 4 dias está suspensa por 2 semanas. O governo fez as propostas. Representantes dos caminhoneiros aceitaram. A ideia é que o desbloqueio das rodovias comece imediatamente.  O Ministro-chefe da casa-civil Eliseu Padilha disse: “fizemos de tudo para que o desarme comece hoje”

O que ficou acordado? 

O governo se propôs a zerar a alíquota da Cide sobre o óleo diesel no resto ano. Impacto de R$ 350 milhões nas contas do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. Se comprometeu também a reduzir o valor do diesel em 10% na referia. O prazo é menor: 30 dias. Em contrapartida vai compensar as perdas financeiras da Petrobrás. Isso tem um preço: quase R$ 5 bilhões até o fim do ano. Outros pontos do acordo: congelar o preço do combustível na refinaria por 30 dias; reeditar a tabela de frete por conta de terceiro e mantê-la atualizada; não reonerar a folha de pagamento das empresas do setor de transporte rodoviário de cargas; extinguir ações judiciais contra o movimento dos caminhoneiros; também ficou acordado que a Conab, Companhia Nacional de Abastecimento, vai poder contratar sem licitações até 30% de sua demanda de frete para cooperativas ou entidades sindicais da categoria dos transportadores autônomos.

Sem unanimidade

Tem divisão nesse história, O acordo não foi acolhido por todas as entidades que participaram da reunião com o governo. Uma delas foi A União Nacional dos Caminhoneiros.

Quem está por trás do movimento paredista?

O movimento ganhou o país e a empatia da população por uma razão: a carga tributária que pesa o preço do diesel castiga também no preço da gasolina. De um canto a outro do Brasil se ouve de uma boca só: “ninguém aguenta mais isso”. Mas o acordo celebrado nesta quinta-feira levanta uma questão: quem, de fato, está por trás do bloqueio das rodovias?

A grosso modo, os manifestantes reclamavam do preço dos impostos, da carga tributária que, de fato, é asfixiante. E a quem servem os caminhoneiros? Basta dizer que 70% dos caminhões que rodam no país pertencem a transportadoras. Essa pauta foi delas. É delas.

O Ministro da Segurança, Raul Jungmann, levantou a hipótese da prática de locaute. Os caminhoneiros teriam sido impedidos de fazer o transporte de cargas pelas próprias transportadores. Isso é crime e a Polícia Federal pode se acionada para investigar o caso.

Problema resolvido?

O governo se empenhou em tirar os caminhões das ruas. Afinal, serviços essenciais não podem parar. Então cedeu. Mas deixou uma grande discussão em aberto. A principal delas na verdade porque mexe com a vida de todos nós: a política de preços e reajustes da Petrobrás. Com o fim da greve, ou melhor, com a trégua de 15 dias, postos voltam a ser abastecidos e tudo volta ao normal.  Será? E a gasolina, como fica?

Os reajustes diários, a oscilação permanente ficaram no banco de reservas das discussões. Há quem diga que esse é o preço a pagar pelos equívocos do PT à frente da Petrobrás. Não deixa de ser verdade. Mas só uma parte dela. Toda moeda tem dois lados, e o outro lado aponta outros equívocos: desde que Pedro Parente assumiu o comando da empresa, a capacidade de refino da Petrobrás foi reduzida em 30%. Ou seja, aumentamos as exportações do produto cru e aceleramos o ritmo das importações do combustível tratado. Impulsionamos o negócio dos outros e perdemos espaço para os concorrentes. Com os preços da gasolina oscilando de acordo com os custos internacionais e o dólar, a flutuação dos preços aqui é inevitável.

Quem resolve esse problema?

A dependência do trasporte terrestre 
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Maior parte da produção do país é transportada pelas estradas

Para uma coisa toda essa paralisia serviu. Expôs a dependência do Brasil do transporte rodoviário e a falta de investimentos em alternativas como o transporte ferroviário.  Pela água não dá pra escoar nossos produtos. É caro demais. Ficamos com uma única opção e estamos reféns dessa escolha.

Hoje, de acordo com o Banco Mundial, 58% do transporte de cargas e passageiros no país seguem pelas estradas. É a maior concentração rodoviária quando se compara às principais economias do mundo. Os números são ainda mais surpreendentes quando se fala no escoamento do que é produzido no Brasil. Levantamento da Fundação Dom Cabral aponta que a malha rodoviária é usada para transportar 75% da produção brasileira.

Há motivos pra isso. O transporte rodoviário é mais barato, a construção de estradas é mais rápida que a de ferrovias e, por isso mesmo, dá voto.

Rejane Negreiros

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