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Acabou?

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Acabou o riso, sobraram os estilhaços

Oficialmente não há rompimento. João Azevedo e Ricardo Coutinho, no entanto, dão mostras de que a amizade não resistiu aos embates políticos

setembro 3, 2019 às 16:09 - Por:

Uma relação trincada menos de 1 ano depois da eleições de 2018.

Triste daquele que se perde nas vaidades e nas paixões. Onde uma e outra entram, combalida fica a razão. Por isso, o bom senso pede calma. Mas o bom senso nem sempre prevalece. Isso pode explicar as fraturas entre João Azevedo e Ricardo Coutinho. Seria esta uma briga de egos? Sanha pelo poder? Onde e quando teria começado? Que fagulha letal iniciou esse incêndio?

Há quem diga, na surdina dos segredos só revelados ao pé de ouvido, que a derrocada da relação iniciada quando Ricardo Coutinho ainda era prefeito – sim, essa união seguia estável desde então – teve data e motivos certos, e começou quando uma canetada de João teria posto em xeque a seriedade da gestão de seu tutor.

Em julho, quando assinou novo contrato com a Organização Social Instituto Acqua, substituta da Cruz Vermelha do Brasil na gestão pactuada da saúde no estado, o governador deixou claro que aquele contrato traria economia de R$ 3,7 milhões por mês aos cofres públicos.

Foi o começo do fim… Ricardo Coutinho teria sentido ali que seu discurso de austeridade e a imagem construída em cima deste discurso estavam ameaçados. Não gostou. Somou-se a isso, a “insurgência” de João que contrariou os conselhos do antecessor sobre a política de diálogo adotada com o G11.

Mais tarde, a interferência de Ricardo na direção do PSB estadual e o conflito com Edvaldo Rosas, agora presidente destituído da sigla, porém, chefe de gabinete do governo de João. Ao longo de tudo isso, frases soltas como punhaladas. Recados dados, intempestivos.

Mas isso seria o suficiente para sufocar o que fora construído? Isoladamente, talvez os fatos não tivessem força. Juntos, fizeram o estrago. Se houvesse uma trilha sonora perfeita para contar essa história, Gonzaguinha, seria escolha certeira. João ou Ricardo poderiam cantar: “São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo, arrasando aos poucos com o nosso ideal”.

Longe de ser uma boa comédia, o que se vê são fragmentos de uma confusão que ameça o todo: partido, amizade. “Até quando?”

Política com pimenta I

Enquanto João foca na gestão e se descola de seu antecessor, deixando muito claro que pode deixar o PSB, Ricardo Coutinho mira na retomada de poder e nas eleições 2020. João pode, nessa sucessão de movimentos, se afastar das esquerdas. Um certo passarinho me contou que o governador já andou recebendo deputados que fizeram dura oposição a ele. Seria um realinhamento mais à direita?

Política com pimenta II

João tem apoio do G11, e mais precisamente de Adriano Galdino, o presidente da Assembleia Legislativa. Galdino foi eleito para dois mandatos seguidos com apoio de governistas e deputados da oposição. João tem 1/3 da Assembleia. Galdino tem 2/3. E se essa aliança também azeda? Já pensou?

Rejane Negreiros

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