O portal do Sistema Opinião

POP9

Política

pb

A difícil missão de João

A depender do futuro Presidente da República, o governador eleito da Paraíba pode ter problemas para implementar projetos de campanha

outubro 22, 2018 às 20:24 - Por:

João Azevedo foi bastante criticado pelos adversários. Imagem: Rafael Renaux /OP9

João Azevedo pode ter uma gestão difícil, com contigenciamento de recursos federais
Imagem: Rafael Renaux /OP9

Passado o frenesi da eleição estadual e definido o sucessor de Ricardo Coutinho, começa um outro processo: a montagem da equipe e a distribuição de cargos. É preciso atender aos partidos aliados. É assim que funciona o jogo das composições. Os apoios não vêm por questões ideológicas. É questão de sobrevivência mesmo.

Essa é uma preocupação de João Azevedo: formar uma equipe coesa, capaz de colocar em prática o projeto do PSB apresentado durante a campanha. Mas há outra, e essa é mais urgente para o Partido socialista que ainda está em campanha na tentativa de promover a candidatura de Fernando Haddad do PT, na Paraíba.

Não é à toa tamanho envolvimento do PSB. Na Câmara Federal, dos 12 deputados eleitos, 6 são da base aliada do governador eleito: Gervásio Maia (PSB), Efraim Filho (DEM), Wilson Santiago(PTB), Damião Feliciano (PDT), Frei Anastácio (PT), Hugo Mota (PRB). Os outros 6 são oposição e a depender do presidente eleito, o novo governador da Paraíba poderá ter dificuldades. Entre elas, o contingenciamento de recursos para investimentos.

A possibilidade de retaliação é real. João e governadores do Nordeste têm feito campanha contra o candidato do PSL. Isso não vai passar batido em caso da eleição de Jair Bolsonaro. Pelo menos esse é o sentimento dentro do canteiro girassol e a certeza de muitos analistas e cientistas políticos.

É verdade que a bancada federal paraibana é meio a meio. Mas apenas um dos parlamentares é do PSL: Julian Lemos, o homem forte de Bolsonaro no Nordeste, eleito com 71.899 votos. Esse vai ter trânsito livre. Mas uma andorinha só não faz verão.

Os demais deputados federais pertencem a partidos que ficaram neutros na briga entre PT-PSL, pelo menos até agora. E o PTB, que nacionalmente apoia o candidato de extrema-direita, na Paraíba compõe a base aliada de João, ou seja, faz oposição a Bolssonaro. E, pelo menos por enquanto, Wilson Santiago, que volta à Câmara Federal depois de 8 anos, garante: não muda de lado.

A gestão de Azevedo, portanto, ainda nem começou, mas já é assombrada pelo fantasma da dúvida. O resultado das urnas vai selar o futuro da próxima gestão no Estado. Se o desenho que as pesquisas pintam se confirmar e Bolsonaro for eleito, o socialista vai ter  mais com que se preocupar do que comemorar. A missão de governar poderá ser árdua, com muitos embates e pouco dinheiro pra fertilizar os investimentos que a Paraíba precisa.

Rejane Negreiros

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: