O portal do Sistema Opinião

POP9

Golpe de 64

pb

1 de abril: dia da mentira e do golpe de 64

A dívida por trás de um “milagre econômico”. Conheça essa história e a do paraibano que lutou pela democracia e ajudou a escrever a Constituição Federal de 88

Abril 1, 2019 às 21:07 - Por:

Foto: divulgação

Não foi em 31 de março. Foi em 1 de abril. O golpe de 64 se deu no dia da mentira, quando João Goulart, presidente constitucional, foi deposto. Abortava-se ali um regime democrático e paria-se uma ditadura. Controvérsia à parte, o fato é que houve tempos sombrios. Foram 21 anos de cerceamento das liberdades.

Os saudosistas de plantão vão dizer: “mas houve o milagre econômico”. Fato. De 1968 a 1973 o Brasil cresceu mesmo. Em média, 10% ao ano. Os militares conseguiram modernizar a economia e a inflação caiu. Mas o preço disso foi alto demias! Para que o plano econômico funcionasse, os salários dos trabalhadores deixaram de ser reajustados pela inflação e acabaram achatados. Houve aumento de concentração de renda e  das distorções sociais. Os mais pobres, os mais vulneráveis economica e socialmente, foram os que mais perderam.

Durante o regime ditatorial houve também grandes investimentos em estradas, indústrias automobilísticas, mas tudo baseado no alto endividamento externo. Mesmo com a crise mundial do petróleo, a equipe econômica decidiu manter o crescimento a qualquer custo. Pra isso, fez um empréstimo atrás do outro e o país se atolou em dívida. Em 1984, já com o desgate dos sucessivos governos militares, a dívida externa representava 54% do PIB nacional de acordo com o Banco Central. Em 20 anos, o rombo quadruplicou. Em 1985, a inflação chegou a 223%. Em 1989, já era de 1782%. Ou seja, o país quebrou. Economistas chamam a isso de herança maldita.

Resultado de imagem para inflação na ditadura

Existiu corrupção na Ditadura?

A história dá conta de que entre os interesses público e privado reinou a promiscuidade. Não falar sobre isso não significa que não aconteceu. O silêncio se explica pela forte censura aos veículos de comunicação durante a ditadura, e pela mordaça nas instituições : Estado, Ministério Público, Judiciário…

Com o AI-5, o Ato Institucional número cinco, houve forte repressão no país. Em 1968, o Congresso Nacional foi fechado, adversários políticos foram torturados e mais de 400 pessoas desapareceram. Tudo devidamente registrado e embasado em documentos e depoimentos colhidos durantes os 4 anos de investigação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), instalada em 2011.

Nas mais de duas décadas de Ditadura no Brasil, a tirania foi institucionalizada e casos de corrupção abafados. Ainda assim, alguns escândalos vieram à tona, principalmente no período de transição. Um deles envolve a suposta cobrança de propina por parte do Ministro da Fazenda, Delfim Netto, em obras de financiamento e compra de equipamentos de usinas hidrelétricas. No período, se pavimentou também o terreno para pagamento de propinas a empresas como Camargo Correa e Odebrecht.

Perseguidos e mortos na Paraíba

Mais de uma centena de perseguidos, torturados, desaparecidos e 14 mortos. Foi o que apurou a CNV na Paraíba. Entre as vítimas: camponeses, professores, políticos, artistas, jornalistas, escritores…

Os presos políticos eram levados para diferentes prisões sem direito à defesa. Entre os destinos dentro do Estado, o Grupamento de Engenharia e o 15º Batalhão de Polícia Militar, em João Pessoa; e a Granja do Terror, em Campina Grande. Mas a maioria ia mesmo para a sede do IV Exército do Recife/PB.

Agassiz Almeida: um sobrevivente da Ditadura. Foi Deputado Federal constituinte e ajudou a escrever a Constituição Federal de 88.

Entre as vítimas que sobreviveram para contar essa história, o professor Agassiz Almeida. Em 1964, ele teve o mandato de deputado cassado. Foi demitido da Universidade Federal da Paraíba e da Promotoria de Justiça. Fundador das Ligas Camponeses, acabou denunciado por crimes contra a segurança do país e exilado em Fernando de Noronha/PE. Em 1968, ganhou a liberdade graças a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

Em 1979, com a Lei da Anistia, Agassiz retomou suas funções de Promotor e professor. Incansável, foi eleito Deputado Federal constituinte em 1986. Aprovou 67 emendas que hoje integram a Constituição Cidadã de 88. É também escritor. Jamais deixou de ser ativista. Aos 83 anos acredita e defende a democracia, os direitos humanos e a justiça social.

Rejane Negreiros

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: