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Saída da Petrobras do RN é inaceitável, alerta Federação das Indústrias

Federação das Indústrias emite nota conclamando políticos, empresários e trabalhadores a se mobilizar contra a possível saída da estatal do Rio Grande do Norte

setembro 30, 2019 às 18:08 - Por: Everton Dantas

Saída da Petrobras do RN poderá acarretar prejuízo ao PIB do estado, segundo Fiern. Foto: Agência Petrobras

Saída da Petrobras do RN poderá acarretar prejuízo ao PIB do estado, segundo Fiern. Foto: Agência Petrobras

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) lançou nesta segunda-feira (30) uma nota pública para “despertar a grave e urgente atenção de todos” sobre a possível saída da Petrobras do RN. Esse risco vem sendo cogitado há meses.

Para a Federação, a saída da empresa do estado é inaceitável. Na nota assinada pelo presidente da Fiern, Amaro Sales, é feita uma convocação geral à luta contra o que a entidade considera uma imensa “agressão à economia potiguar”.

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O problema do desinvestimento da Petrobras no Nordeste, como um todo, foi um dos focos da reunião do Consórcio Nordeste em Natal, dia  16 de agosto. Tanto que isso foi o primeiro ponto da carta lançada como resultado da reunião.

Em maio deste ano, após reunião com o presidente da Petrobras, a governadora Fátima Bezerra (PT) publicou em suas redes sociais que o presidente da empresa Roberto Castello Branco, teria assegurado a permanência da empresa no estado.


A nota da Fiern, agora, tem como fato motivador a informação de que em agosto do ano que vem o escritório da empresa no Rio Grande do Norte será desativado. O dado foi publicado pelo jornalista Cassiano Arruda Câmara, no jornal Tribuna do Norte.

“A Petrobras é muito relevante para a nossa economia. A própria empresa, no estado, indica 162,8 milhões em reservas totais de petróleo em terra (barris de petróleo); o Rio Grande do Norte é líder histórico em número de poços produtores de petróleo, sendo atualmente mais de 3.580 (distribuídos em 15 municípios)”, informa a nota.

Além disso, a Fiern observa que “os royalties são essenciais ao governo do estado e aos municípios que fazem jus.” De acordo com dados expostos pela Federação, “mais de 90 municípios juntos recebem aproximados R$ 250 milhões”.

Ainda na nota a Fiern defende a importância da empresa no estado para seu produto interno bruto, para a massa salarial e também pela cadeia de empregos diretos gerados graças à presença da estatal na região.

“Precisamos de todos para que a causa seja elevada à prioridade máxima e o Rio Grande do Norte possa contar com a atividade econômica e social da Petrobras, a maior empresa brasileira, construída assim também porque contou, durante décadas, com as riquezas minerais do solo potiguar”, dia a nota.

Na quarta-feira (2), o Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN) promoverá um abraço simbólico em defesa da permanência da empresa no Rio Grande do Norte. O ato acontecerá na sede da empresa em Natal, no bairro de Cidade da Esperança, Zona Oeste da cidade.

A assessoria de imprensa da Petrobras foi procurada para se manifestar sobre a possibilidade de fechamento do escritório em Natal. A consulta foi feita às 15h30. Até as 18h a resposta não havia chegado. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação da empresa.

Amaro Sales, presidente da Fiern, assina a nota conclamando a defesa da empresa no RN. Foto: Fiern

Amaro Sales, presidente da Fiern, assina a nota conclamando a defesa da empresa no RN. Foto: Fiern

Confira a íntegra da nota da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte

“O alerta feito pelo Jornalista Cassiano Arruda, na edição de ontem do jornal Tribuna do Norte, em relação ao término das atividades do escritório da Petrobras no Rio Grande do Norte, o que pode sinalizar um desmonte progressivo das atividades da empresa no estado em prazo mais longo, deve despertar a urgente e grave atenção de todos. As entidades que representam trabalhadores e empregadores, as representações do estado na Câmara dos Deputados, no Senado, na Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais, todos sob a liderança da governadora Fátima Bezerra, precisam deixar claro que isso é inaceitável, lutando pelo recuo de tamanha agressão à economia potiguar.

A Petrobras é muito relevante para a nossa economia. A própria empresa, no estado, indica 162,8 milhões em reservas totais de petróleo em terra (barris de petróleo); o Rio Grande do Norte é líder histórico em número de poços produtores de petróleo, sendo atualmente mais de 3.580 (distribuídos em 15 municípios). Além do potencial natural, os royalties são essenciais ao governo do Estado e aos Municípios que fazem jus. Apenas para ilustrar: são mais de 90 municípios que juntos recebem aproximados R$ 250 milhões.

Ainda no Rio Grande do Norte, a Petrobras é essencial no que se refere ao PIB e à massa salarial. Em 2017, por exemplo, representou 28% da massa salarial da indústria extrativa e de transformação equivalendo a R$ 433 milhões. Em 2016 esse valor era ainda superior, ao adicionar o refino, chegou-se a R$ 642 milhões (38%). Quanto ao PIB (2016), esta atividade se mostra de altíssima relevância ao representar 45,7% do PIB das indústrias de extração e transformação do RN, equivalendo a R$ 7,7 bilhões.

A Petrobras, no Rio Grande do Norte, é ainda responsável por uma cadeia direta de empregos que se aproximam dos 10 mil formais nas áreas de Extração de Petróleo e Gás Natural; Atividades de Apoio à Extração de Petróleo e Gás Natural; Fabricação de Produtos do Refino de Petróleo; Fabricação de Outros Produtos Derivados do Petróleo; Peças e Acessórios; Manutenção e Reparação de Máquinas e Equipamentos para a Prospecção e Extração de Petróleo dentre outras. Esses empregos, todavia, já se aproximaram dos 45 mil por volta dos anos 2000, o que significa que nada mais podemos perder. O atual processo de desinvestimento da Petrobras no RN já significou, segundo estimativas, redução de 6% da participação no PIB, equivalendo a um recuo de R$ 931 milhões (2012-2018).

Precisamos de todos para que a causa seja elevada à prioridade máxima e o Rio Grande do Norte possa contar com a atividade econômica e social da Petrobras, a maior empresa brasileira, construída assim também porque contou, durante décadas, com as riquezas minerais do solo potiguar.”

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