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Rogério Marinho é cotado para articular reforma tributária no Congresso

Após a queda do secretário da Receita, Marcos Cintra, exonerado pela proposta de recriar a CPMF, governo avalia que secretário especial de Previdência é a melhor opção

setembro 12, 2019 às 12:56 - Por: Com informações da Agência Estado

Articulação na Reforma da Previdência habilitou Rogério Marinho para nova missão no governo Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Articulação na Reforma da Previdência habilitou Rogério Marinho para nova missão no governo Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho (PSDB), é o mais cotado até o momento para assumir a articulação das negociações em torno da reforma tributária. Esse papel vinha sendo exercido por Marcos Cintra, que foi exonerado após a ideia de ressurreição da CPMF.

Cintra, que ocupava o cargo de secretário especial da Receita Federal, também se desgastou no governo depois que a cúpula da Receita ameaçou deixar os cargos em protesto contra a interferência do presidente Jair Bolsonaro no órgão.

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Com a demissão de Cintra, Guedes vai promover ampla reestruturação no Fisco com a troca das chefias do órgão. Mas ela não deve ser feita de “supetão”. Com a saída de Cintra, a proposta do governo deve perder a “cara da CPMF”.

Ferrenho defensor do tributo, Cintra bateu de frente com as lideranças da Câmara, que não o aceitavam como interlocutor do governo. Lideranças do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) também pressionaram pela demissão.

Com a vacância, Rogério Marinho é o mais cotado para assumir a articulação das negociações da reforma tributária. Ele se habilitou para a função após ser o relator da reforma trabalhista (2017) e se empenhar para a aprovação da reforma da Previdência pelos senadores neste ano.

Marinho já tem participado das discussões internas do grupo que prepara a proposta final de reforma. Guedes tinha avisado a interlocutores que, se Cintra não viabilizasse a criação da nova CPMF, não teria condições de ser o negociador da reforma tributária em nome do governo.

Marcos Cintra era ferrenho defensor da ideia de retorno da CPMF. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Marcos Cintra era ferrenho defensor da ideia de retorno da CPMF. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Desgaste de Marcos Cintra começou com ameaça por parte de membros da Receita

A fritura de Cintra se intensificou há um mês, quando os integrantes da alta administração da Receita ameaçaram deixar os cargos após Bolsonaro pedir mudanças na delegacia do Rio de Janeiro e atacar os fiscais pelo que chamou de “devassa” fiscal de familiares.

Na época, ficou claro para o ministro que Cintra não tinha o comando de fato do órgão, um dos mais importantes na estrutura do governo. O estopim para a demissão ocorreu na terça-feira, quando o secretário adjunto de Cintra, Marcelo Silva, antecipou pontos da proposta de reforma do governo, o que provocou a ira dos líderes da Câmara.

Eles aguardam o texto da proposta e travam uma “briga de foice” com o Senado pelo protagonismo da reforma. No mesmo dia, à noite, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi até o Ministério da Economia para uma reunião com Guedes e Marinho.

Maia comunicou a Guedes que iria se manifestar publicamente contra a criação de um novo imposto sobre meios de pagamentos. Antes, numa reunião na Câmara, os líderes avisaram a Maia que, se ele não tomasse posição contra a proposta, iriam travar toda a pauta de discussão.

Na noite anterior à sua demissão, Cintra cancelou os compromissos marcados para as primeiras horas da manhã à espera de uma conversa com Guedes e Maia. O secretário já sabia que a fala do seu adjunto, confirmando a criação de uma nova CPMF, lhe custaria provavelmente o cargo.

No mundo político e nas redes sociais, as críticas à recriação da CPMF se espalharam e ataques foram disparados, sobretudo, contra Bolsonaro, que desde a campanha eleitoral tomara posição contra o tributo.

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