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Para promotores, advogado preso é “integrante de facção Sindicato”

Afirmação consta no pedido de prisão que cita, inclusive, ameaças feitas por Allan Clayton Pereira contra advogado, promotor e desembargador, além de extorsão e lavagem de dinheiro

junho 11, 2019 às 18:58 - Por: Everton Dantas

Segundo investigação, advogado pagou R$ 70 mil por decisão, mas não recebeu o prometido. Foto: Agência Brasil.

Segundo investigação, advogado pagou R$ 70 mil por decisão, mas não recebeu o prometido. Foto: Agência Brasil.

Para o Ministério Público do Rio Grande do Norte, o advogado Allan Clayton Pereira de Almeida, preso na segunda-feira (10) na operação Infiltrados, é membro da facção criminosa Sindicato do RN.

A afirmação consta no pedido de prisão preventiva e buscas e apreensões com o objetivo de ampliar a investigação envolvendo o advogado. Além disso, os promotores justificam a necessidade de prisão alegando que Allan Clayton teria feito ameaças a advogado, desembargadores e promotor de Justiça.

Trecho do pedido de prisão feito contra o advogado Allan Clayton, preso na operação Infiltrados.

Trecho do pedido de prisão feito contra o advogado Allan Clayton, preso na operação Infiltrados.

De acordo com os promotores que assinam o documento, a investigação sobre o pagamento de R$ 70 mil por uma sentença revelou indícios de outros delitos e da possível participação de outras pessoas em crimes.

Segundo o pedido feito à Justiça, “emerge dos elementos apurados a imperiosa necessidade de aprofundamento da investigação a fim de elucidar a certa e indispensável participação de outras pessoas no cometimento dos delitos”, dizem os promotores, no pedido.

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E acrescentam: “a ampliação do alcance da investigação também tem o propósito de desvendar os delitos praticados pelos requeridos em sua integralidade, com identificação de outros pagamentos indevidos, envolvimento de outros agentes públicos, identificação da origem dos valores destinados aos pagamentos de propina ocorridos e da lavagem de capitais promovida.”

A operação Infiltrados foi deflagrada para apurar a negociação de uma sentença judicial. Allan Clayton teria pago R$ 70 mil por isso, mas não recebeu a decisão favorável prometida. Para o Ministério Público, o advogado preso poderá responder por corrupção ativa, extorsão mediante grave ameaça e lavagem de dinheiro.

No pedido à Justiça, promotores destacam suspeita de outros crimes.

No pedido à Justiça, promotores destacam suspeita de outros crimes.

Os outros dois envolvidos no caso são Flávio Humberto de Noronha Freire e Rodrigo Fernandes de Paiva. O primeiro é advogado; ex-assessor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e sobrinho do desembargador Virgílio Fernandes de Macedo Júnior.

O segundo é ex-assessor do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte e ex-servidor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Eles teriam recebido o dinheiro de Allan Clayton mas não cumpriram o prometido. Não foi comprovado até o momento o envolvimento de nenhum desembargador.

A facção a que se referem os promotores é o grupo que disputa com o Primeiro Comando da Capital (PCC) o controle do tráfico no Rio Grande do Norte. E que atualmente detém grande parte desse mercado na capital.

O fato de ser citado como membro de facção no pedido de prisão não faz do advogado culpado. Atualmente ele é considerado suspeito de ter cometido os supostos crimes. A OAB inclusive emitiu nota frisando isso e também defendendo o esclarecimento total do fato.

Confira a íntegra do pedido de prisão e de buscas e apreensão.

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