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Impeachment de Dilma foi “infâmia cruel”, diz governadora do RN

Declaração de Fátima Bezerra se deve ao fato do impeachment ter completado três anos, dia 31 de agosto, uma data que segundo ela, “se pudéssemos, apagaríamos de nossa memória”

setembro 1, 2019 às 15:18 - Por: Everton Dantas

Há três anos, após impeachment, Dilma Rousseff fazia seu último discurso no Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

Há três anos, após impeachment, Dilma Rousseff fazia seu último discurso no Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), usou sua conta pessoal no Twitter neste domingo (1) para lembrar que há três anos a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi alvo de um impeachment. Fátima Bezerra era senadora na época, e esteve ao lado da ex-presidente em seus momentos finais no cargo.

A votação no Senado que tirou do poder a primeira mulher eleita presidente do Brasil aconteceu na tarde do dia 31 de agosto de 2016. Foram seis dias de sessão, 60 horas de trabalho. Ao fim, 61 votos a favor e 20 contra. Ela deixou o Alvorada em seguida.

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“Três anos se passaram e cada dia que se passa tenho em mim a certeza de que estive e sempre estarei do lado certo da história. Presidenta Dilma , como disse horas depois de consumado o golpe, ‘jamais deixaria minha caligrafia de professora numa infâmia tão cruel ao Brasil’.”

Na opinião da governadora, a data do impeachment “foi um dia que, se pudéssemos, apagaríamos de nossa memória”. Sem qualquer escrúpulo, apearam do poder uma mulher honesta, eleita sob as vestes da democracia e legitimada pelo seu povo”, afirmou.

“Três anos se passaram e continuamos juntas, presidenta Dilma. E a senhora continua nos inspirando à boa luta, na resistência, em defesa da democracia, da Justiça e dignidade para todos e todas. #LulaLivre”.

A foto que ilustra a postagem mostra o pronunciamento final de Dilma Rousseff antes dela deixar o Palácio da Alvorada. Apesar de ter perdido o cargo, ela conseguiu manter todos os seus direitos políticos, também graças ao Senado.


Dilma jamais foi condenada pelo “crime” que gerou seu impeachment

Dilma Rousseff foi responsabilizada pela edição de três decretos de crédito suplementar, sem autorização legislativa, e por atrasos no repasse de subvenções do Plano Safra ao Banco do Brasil. Isso ficou conhecido popularmente como “pedaladas fiscais”.

Em junho de 2016 já havia uma perícia técnica do Senado afirmando que Dilma não teria cometido crime. Mesmo assim o processo de impeachment foi a cabo. Na justiça. o suposto crime do qual era acusada prescreveu.

Ainda na tarde do dia 31, o então vice-presidente Michel Temer (MDB) foi empossado presidente. Ele ficou no cargo até o final de 2018. Em 2019 foi preso duas vezes pela Polícia Federal: a primeira em março e a segunda em maio.

Ele é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público em um caso que apura irregularidades na construção de uma usina em Angra dos Reis, no Rio. Atualmente está em liberdade.

Após três anos do impeachment, Eduardo Cunha segue preso e Michel Temer, investigado. Foto: Fabio Pozzebom/ABr [10.mar.2015]

Após três anos do impeachment, Eduardo Cunha segue preso e Michel Temer, investigado. Foto: Fabio Pozzebom/ABr [10.mar.2015]

Já o pivô do processo do impeachment, ex-deputado Eduardo Cunha (MDB), perdeu seu mandato 12 dias depois de Dilma Rousseff ter perdido seu cargo. Ele mentiu em depoimento a uma comissão da Câmara, afirmando que não tinha dinheiro no exterior.

Em 19 de outubro ele foi preso por ordem do então juiz Sérgio Moro. E permanece assim desde então. O ex-deputado soma 38 anos e seis meses de pena em duas condenações na Lava Jato. Ele foi transferido de Curitiba para o Rio de Janeiro em maio de 2019.

Dilma Rousseff segue em liberdade. Em 2018 tentou se eleger por Minas Gerais ao Senado, não conseguiu. Agora, sem cargos públicos, a ex-presidente se dedica a palestras e aulas. Ela é ré na Justiça Federal de Brasília num processo em que é acusada de integrar o “quadrilhão do PT”.

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