O portal do Sistema Opinião

POP9

Verbo

br

Ex-senador desconfia que Bolsonaro tem “problema psicológico”

Pedro Simon (MDB) se refere ao que chama de “incontinência verbal” do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e diz que o governo dele “está continuando o que foi feito”

agosto 18, 2019 às 15:30 - Por: Com informações da Agência Estado

Pedro Simon: "O MDB deveria fazer uma profunda reflexão. Se ficar como está, há o risco de desaparecer". Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Pedro Simon: “O MDB deveria fazer profunda reflexão. Se ficar como está, há risco de desaparecer”. Foto: Jefferson Rudy/Senado


“Ele tem uma incontinência verbal que desconfio ser um problema psicológico. Não sabe se conter. Parece piada.” A avaliação é do ex-senador e ex-governador do Rio Grande do Sul, Pedro Simon (MDB).  Apesar disso, o político, conhecido pela contundência de suas análises, avalia que o governo atual “está continuando o que foi feito”. 

Com relação ao próprio partido, ele também não alivia e prega que o MDB tem de fazer uma profunda reflexão, caso contrário, “corre risco de desaparecer”. Para Pedro Simon é “um absurdo” a permanência do ex-senador Romero Jucá na presidência do partido.

Leia também:
“Aparelho digestivo de Bolsonaro é pela via oral”, diz Waldemar Borges
“Bolsonaro é o que temos até 2022. Mesmo com discurso autoritário”
Justiça bloqueia R$ 3,57 bilhões do MDB, PSB, políticos e empresas

Em entrevista, ele também fala sobre a prisão de Lula, as revelações do The Intercept, a possível nomeação do filho de Jair Bolsonaro para uma embaixada e até sobre o nome de Luciano Huck para disputar a presidência. A exemplo da “incontinência verbal” de Bolsonaro, Simon considera a indicação do apresentador “uma piada”.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

O sr., que é um quadro histórico do MDB, continua se sentindo representado pelo partido?
Acho que o MDB deveria fazer uma profunda reflexão. Se ficar como está, há o risco de desaparecimento do partido. Fui na Assembleia Legislativa de São Paulo e vi que o MDB só tem 3 deputados de quase 100. Lembro quando o MDB tinha metade do Parlamento. Na época da ditadura, ser do MDB era lutar contra ela. Era mais fácil ser do partido. Mas, com o tempo, isso foi se esvaziando.

O que acha da permanência do ex-senador Romero Jucá na presidência do MDB?
É um absurdo. Ele deveria estar afastado. O presidente do partido tem de ser uma figura unânime na seriedade, dignidade e correção. Sem um pingo de resquício. Romero não é a pessoa certa para ser presidente do MDB. É negativo.

Como se sentiu ao ver o ex-presidente Michel Temer preso?
Com todo respeito, os fatos existem e devem ser apurados. Ele vai ter todo direito de se defender, mas não dá para dizer que há um dossiê de coisas equivocadas. Aquela gravação onde ele marca uma reunião à meia-noite no Palácio foi uma infelicidade.

Michel Temer deve ir para a cadeia?
Ele vai ser denunciado e vai ter de se defender.

Querem soltar o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) para os outros não irem também. Os corruptos do MDB e do PSDB têm de ir para a cadeia também.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O sr. aprova o governo do presidente Jair Bolsonaro?
Na formação do ministério, chamou a atenção a escolha de dois nomes: Sérgio Moro e Paulo Guedes. Bolsonaro foi feliz nessas escolhas. Ele integrou toda a área econômica. Outro lado positivo é que não teve ‘toma lá, dá cá’ na escolha do ministério. Houve um exagero no número de generais, mas não há nenhum que tenha sido comprometido com a ditadura. A reforma da Previdência também foi altamente positiva. Na Grécia e na Europa quase teve guerra civil no processo da reforma.

A lei anticorrupção também é muito importante. Há um movimento na cúpula dos partidos para acabar com a lei anticorrupção. A Lava Jato é o fato de maior importância na história do Brasil. Tenho quase 70 anos de vida pública. No Brasil, o sujeito para ser preso tem de ser condenado em sentença definitiva. Ninguém é condenado em definitivo. Prescreve antes. A decisão de prender após a 2.ª instância mudou o Brasil. Mas querem derrubar isso.

Por quê?
Querem soltar o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) não porque gostam dele, mas porque, se ficar na cadeia, não tem motivo para os outros não irem também. Os corruptos do MDB e do PSDB têm de ir para a cadeia também.

Lula deveria ser preso comum?
Claro que não. Ele foi cinco vezes candidato à Presidência e ganhou em duas. Merece uma prisão especial. Seria um absurdo trazer ele para a prisão comum aqui em São Paulo.

O que acha do presidente Jair Bolsonaro?
Ele tem uma incontinência verbal que desconfio ser um problema psicológico. Não sabe se conter. Parece piada. Foi 27 anos deputado e nunca foi líder, presidente de comissão ou teve um projeto que se destacasse. Aí assumiu a Presidência e está criando uma crise com a Argentina. Nós vamos romper com a Argentina? Se as coisas ocorrerem dentro da normalidade, a oposição já ganhou a eleição lá.

Apesar das críticas, o sr. ainda acha que Bolsonaro foi melhor opção que o PT?
Eu diria que ele está continuando o que foi feito. Está levando adiante a Lava Jato. A reforma da Previdência foi um passo importante. Nunca se fez uma reforma da Previdência. Nunca tiveram coragem.

O que acha da indicação de Eduardo Bolsonaro para ser embaixador em Washington?
Um absurdo. Não tem lógica.

Só o fato de ele (Luciano Huck) ser um nome é uma piada. É um cidadão respeitável, mas é uma piada. Se bem que o Fernando Collor ganhou.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O sr. elogia a nomeação de Moro para o ministério, mas as mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil sugerem uma suposta colaboração entre o ex-juiz e a força-tarefa da Lava Jato. Os fins justificam os meios?
Não justificam, mas não dá para anular tudo e voltar para a estaca zero. São duas coisas. Quer discutir se houve exagero e equívoco, tudo bem. Mas faço a pergunta: não existiu a roubalheira da Petrobrás?

A credibilidade de Sérgio Moro não foi comprometida?
As irregularidades que podem ter acontecido não podem, como alguns querem, anular a Lava Jato. Não podem voltar atrás e mandar para a cadeia só após condenação em última instância.

Bolsonaro apoiou a decisão de Dias Toffoli (presidente do STF) sobre o Coaf que paralisou a investigação do (senador) Flávio Bolsonaro. O que achou desse episódio?
Acho negativo paralisar as investigações.

O que o sr. achou do projeto de abuso de autoridade?
As autoridades sempre fizeram o que quiseram. Isso vai assustar juízes e promotores. O objetivo é assustar quem faz denúncia.

Há espaço para a construção de uma candidatura de centro para a eleição presidencial de 2022? O que acha do apresentador Luciano Huck?
Só o fato de ele ser um nome é uma piada. É um cidadão respeitável, mas é uma piada. Se bem que o Fernando Collor ganhou.

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: