O portal do Sistema Opinião

POP9

Polêmica

rn

Discurso de deputado sobre golpe de 1964 causa confusão na ALRN

Deputado Coronel Azevedo (PSL) disse que durante a ditadura no Brasil “vivemos o período de exceção menos traumático da história da humanidade”

Março 28, 2019 às 14:13 - Por:

Deputado Coronel Azevedo (PSL) exaltou o golpe de 1964 enquanto Sandro Pimentel (PSOL) disse estar indignado com o pronunciamento. Foto: ALRN

Deputado Coronel Azevedo (PSL) exaltou o golpe de 1964 enquanto Sandro Pimentel (PSOL) disse estar indignado com o pronunciamento. Foto: ALRN

A polêmica sobre as possíveis comemorações pelo golpe civil-militar de 1964 continua rendendo. Agora foi a vez da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Nesta quinta-feira (28) houve um tumulto durante pronunciamento do deputado Coronel Azevedo (PSL), que é policial militar da reserva.

Tudo começou quando ele iniciou a leitura do comunicado oficial do Ministério da Defesa sobre o 31 de março. Nas galerias da Assembleia estavam sindicalistas do Sindicato de Servidores da Saúde (Sindsaúde). Assim que perceberam do que se tratava o pronunciamento, esse grupo começou a protestar incisivamente contra o que estava acontecendo.

Leia também:
MPF recomenda que militares no RN não celebrem golpe de 1964
MPF pede que militares em Pernambuco não festejem a ditadura
Deputado federal do RN afirma que “jamais houve” o golpe de 1964
Comemoração de 1964 ficará dentro dos quartéis, diz Bolsonaro
Juíza intima Bolsonaro a se manifestar sobre festejos do golpe
Bolsonaro estimula celebração do golpe militar de 1964

Mesmo diante disso, o Coronel Azevedo continuou a leitura. “Tá tranquilo, presidente”, disse. Após terminar o comunicado, o coronel deu outras declarações que causaram ainda mais revolta nos servidores que já protestavam.

Alegando se tratar de informações extraídas de estudos, ele comparou regimes ditatoriais em diferentes países, incluindo o Brasil. O dado usado para isso foi a mortalidade por grupo de 100 mil habitantes.

Segundo o deputado, sem citar que estudo seria esse, em Cuba foram 65 por grupo de 100 mil habitantes; na Argentina, foram 30 por 100 mil; no Chile, 23 por 100 mil; no Paraguai 10 por 100 mil; e na Bolívia, 6 por 100 mil.

“No Brasil, onde os governantes governavam por quatro anos, a taxa de homicídios por grupo de 100 mil foi 0,3 por grupo de 100 mil. Vivemos o período de exceção menos traumático da história da humanidade. Viva a democracia. Viva o Brasil. Viva o 31 de março de 1964”, concluiu, sob intenso protesto dos servidores da saúde. O vídeo foi postado no Instagram do deputado. Assista abaixo a conclusão do pronunciamento.

Após pronunciamento, deputado repudiou exaltação ao golpe de 1964

Além dos servidores da saúde e o deputado, há informações de que os deputados Getúlio Rêgo (DEM) e Sandro Pìmentel (PSOL) também teriam discutido. Sandro Pimentel estaria presidindo a sessão no momento que a confusão começou e foi cobrado por Getúlio Rêgo que fizesse valer a ordem na Casa. Outros deputados também fizeram a mesma cobrança.

Sandro Pimentel disse que não faria nada porque ali era a casa do povo e que os servidores tinham direito de protestar. Ele disse que se o deputado Gustavo Carvalho quisesse assumir a presidência poderia fazê-lo. Gustavo Carvalho assumiu e tentou fazer valer a regra que impede protestos nas galerias, mas não conseguiu.

Após deixar a presidência, Sandro Pimentel disse estar indignado com o discurso lido pelo deputado Coronel Azevedo. “Exaltar o 31 de março é renegar a história. É esquecer das pessoas que foram executadas pelo regime militar. O Congresso Nacional reconhece que muitas pessoas desapareceram no período. E é indignante ver alguém que diz representar o povo, exaltar esse período”, afirmou.

Assista abaixo ao vídeo que os representantes do Sindicato dos Servidores da Saúde gravaram em protesto contra a iniciativa do Coronel Azevedo.

Everton Dantas

Jornalista. Editor do OP9 no RN

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: