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Caixa nega viés político para queda de contratações com o Nordeste

Em audiência no Senado, vice-presidente do banco afirma que redução na concessão de empréstimos está relacionada a poucos pedidos da região e notas ruins no Tesouro Nacional

setembro 3, 2019 às 14:47 - Por: Com informações das agências Estado e Senado

Segundo vice-presidente da Caixa, Tatiana de Oliveira, o Nordeste está com 9% dos empréstimos liberados. Foto: Pedro França/Senado

Segundo vice-presidente da Caixa, Tatiana de Oliveira, o Nordeste está com 9% dos empréstimos liberados. Foto: Pedro França/Senado

Com a redução na concessão de novos empréstimos da Caixa para o Nordeste, a vice-presidente de Governo do banco, Tatiana Thome de Oliveira, afirmou que os números estão relacionados à queda na demanda feita pela Região e nas baixas notas atribuídas pelo Tesouro Nacional para a capacidade de endividamento.

Em agosto, foi revelado que a Caixa reduziu a concessão de novos empréstimos para o Nordeste neste ano. Em 2019, até julho, o banco autorizou novos empréstimos no valor de R$ 4 bilhões para governadores e prefeitos de todo o País. Para o Nordeste, foram fechadas menos de dez operações, que juntas totalizam R$ 89 milhões, ou cerca de 2,2% do total – volume menor do que em anos anteriores.

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As informações foram dadas nesta terça-feira (3) no Senado, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O pedido para que a Caixa apresentasse explicações foi feito após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que revelou a queda nas contratações.

De posse de dados sobre as movimentações do setor da Caixa, a senadora Eliziane Gama (CID-MA) apontou que houve um aumento do percentual de novos empréstimos para o Nordeste depois da publicação da reportagem. “O que nos chama a atenção é que quatro dias após a divulgação desse levantamento nós tivemos, de uma forma imediata, um aumento, um percentual de 3%”, disse.

A vice-presidente da Caixa respondeu que o aumento repentino do percentual ocorreu em razão da conclusão de um financiamento de R$ 133 milhões para a prefeitura de São Luís (MA) que estava na fila. De acordo com ela, o Nordeste ficou 9,1% das contratações da Caixa até o dia 14 de agosto.

Sudeste, por sua vez, ficou com 35,7% e o Sul com 42,9%. Em 2018, o porcentual apresentado para contratações ao Nordeste foi de 24,1% do total. De um ano para outro, disse ela, a quantidade de pedidos de financiamento das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste caiu 27%, o que explicaria em parte a queda nas contrações.

88% dos municípios do Nordeste não tem classificação para empréstimos

Além disso, argumentou, 88,7% dos municípios nordestinos não teriam classificação suficiente para atrair empréstimos com aval da União. “A tomada do crédito tem um rito de governança na Caixa estabelecido que envolve jurídico, avaliação de risco, análise de engenharia, do plano de investimentos”, comentou Tatiana.

“Realmente não tem nenhum viés político. Tem isenção da Caixa”, afirmou, em resposta ao senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que questionou se haveria viés político na destinação de repasses. Para este ano, as contratações na Caixa para o Nordeste devem resultar em um número correspondendo aos pedidos, afirmou Tatiana.

No dia 19 de agosto, a região correspondia a 8,7% dos pedidos de financiamento do banco. “Não que todos vão ser aprovados, mas tem uma tendência, um percentual de sucesso, que é praticamente uniforme entre as regiões”, declarou a vice-presidente.

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