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MPPE apura suposta “rachadinha” em gabinetes de deputado e vereadora

Adalto Santos e a vereadora do Recife Aimée Carvalho são investigados por terem contratado servidores em seus gabinetes e receberem de volta parte do salário pago a eles

setembro 19, 2019 às 18:07 - Por:

Deputado Adalto Santos e a vereadora Irmã Aimée empregaram uma mesma servidora em seus gabinetes. Foto: Roberto Soares/Alepe/Carlos Lima/Câmara do Recife

Deputado Adalto Santos e a vereadora Irmã Aimée empregaram uma mesma servidora em seus gabinetes. Foto: Roberto Soares/Alepe/Carlos Lima/Câmara do Recife

O deputado estadual Adalto Santos e a vereadora do Recife Irmã Aimée Carvalho são investigados por terem, supostamente, contratado servidores em seus gabinetes e receberem de volta parte do salário pago a eles. A prática, conhecida no meio político como “rachadinha”, foi denunciada ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que instaurou inquérito para apurar a possibilidade de improbidade administrativa.

De acordo com informações repassadas ao MPPE, Adalto Santos teria contratado um funcionário em seu gabinete que nunca chegou a prestar serviços à Assembleia Legislativa de Pernambuco por morar em Ipubi, no Sertão do estado, e atuar no local como pastor.

Pelo cargo de secretário parlamentar, o servidor recebia R$ 1.916,20 mais uma gratificação de até 120%. O valor teria sido acertado entre o deputado e um membro de uma igreja.

Já a esposa do servidor foi lotada no gabinete da vereadora Irmã Aimée Carvalho, com salário de R$ 7 mil. A profissional também não teria exercido atividades na Câmara do Recife, mas recebia R$ 500 por mês para que seu nome fosse usado no quadro de pessoal da legisladora, entre os anos de 2013 e 2016.

No ano seguinte, a mulher passou a fazer parte da folha de pagamento da Casa Joaquim Nabuco. Ela foi assessora especial de Adalto Santos com remuneração de R$ 13,4 mil. No entanto, segundo a denúncia, o cartão e senha da conta salarial ficavam em posse do deputado estadual, que repassava apenas R$ 500 à comissionada.

O restante da quantia seria desviado para um pastor em retribuição pelo apoio e patrocínio recebido durante a campanha eleitoral. Adalto Santos também é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto uso das dependências de uma igreja para propaganda eleitoral.

A suposta “rachadinha” é apurada pela promotora de Justiça, Áurea Rosane Vieira, que vai intimar o casal de servidores a prestar depoimento no dia 8 de outubro. Já o deputado terá que esclarecer a questão em audiência prevista para o dia 15 de outubro.

A promotora também solicitou à Assembleia Legislativa e à Câmara do Recife as portarias de nomeação e exoneração e fichas financeira e funcional dos servidores investigados. A Casa Joaquim Nabuco também deverá fornecer a lista de todos os servidores lotados no gabinete de Adalto Santos desde o ano de 2014.

Áurea Rosane Vieira repassou uma cópia da denúncia à PF para conhecimento e adoção das providências pertinentes.

Em nota, a assessoria jurídica de Adalto Santos informou que não foi notificada sobre a abertura de qualquer inquérito no Ministério Público. A defesa do deputado destacou ainda que se coloca à disposição do MPPE para prestar todos os esclarecimentos que, porventura, sejam necessários.

Já a vereadora Aimée Carvalho disse que desconhece este tipo de prática em seu gabinete. Também registrou que ainda não recebeu notificação do MPPE.

Rebeca Silva

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