O portal do Sistema Opinião

POP9

Recomendação

pe

MPF pede reexibição de peça cancelada na Caixa Cultural pelo conteúdo

Espetáculo Abrazo, que traz sutilmente temas como a censura na história de personagens que vivem em um local onde abraços e demonstrações de afeto são proibidos, foi vetado na noite de estreia

setembro 18, 2019 às 19:37 - Por:

Espetáculo Abrazo teria sido cancelado sem comunicado prévio e formal. Foto: Gustavo Faroche/Divulgação

Espetáculo Abrazo teria sido cancelado sem comunicado prévio e formal. Foto: Gustavo Faroche/Divulgação

O espetáculo infantojuvenil Abrazo, que traz sutilmente temas como ditadura e censura na história de personagens que vivem em um local onde abraços e demonstrações de afeto são proibidos, pode voltar a ser exibido no Recife. O Ministério Público Federal pediu à Caixa Cultural que providencie imediatamente a retomada da peça, cancelada antes da segunda sessão da noite estreia, no dia 7 de setembro, sem prévio comunicado.

De acordo com as procuradoras da República Carolina de Gusmão Furtado e Ana Fabíola Ferreira, caso volte a entrar em cartaz, o espetáculo da companhia Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, deverá ter oito apresentações, com duas sessões por dia, conforme estava previsto no contrato original.

“Em caso de desinteresse do grupo teatral ou de outra impossibilidade absoluta, a CEF deverá promover a apresentação de outro espetáculo relacionado ao tema liberdade de expressão e manifestação artística, com número de sessões igual àquelas de Abrazo que foram canceladas”, informou o Ministério Público.

A Caixa tem cinco dias para informar ao MPF se acatará ou não a recomendação e que providências serão adotadas para a retomada do espetáculo. Em caso de não acatamento, o MPF poderá ajuizar ações contra a instituição.

Após o cancelamento da peça, a CEF informou que o contrato de patrocínio foi rescindido devido ao conteúdo de bate-papo entre o elenco e a plateia, que fazia parte da programação, realizado após a primeira apresentação de Abrazo.

Segundo a Caixa, essa conversa configurou infração à cláusula do contrato que trata da obrigação de “zelar pela boa imagem dos patrocinadores, não fazendo referências públicas de caráter negativo ou pejorativo”.

Para o MPF, entretanto, “o cancelamento abrupto das apresentações – ainda que por alegada violação a obrigação contratual por parte da companhia teatral – teve um impacto negativo, gerando na comunidade o receio quanto ao cerceamento da liberdade artística e da liberdade de manifestação do pensamento”.

Rebeca Silva

Comentários

OP9

Receba nossa newletter

Com que frequência deseja receber o informativo: