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Justiça suspende remoção de oceanógrafo de Noronha para o Sertão

Coordenador do Projeto Golfinho Rotador, José Martins da Silva Júnior havia sido removido contra sua vontade dias após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitar a ilha

agosto 23, 2019 às 16:34 - Por:

Pico na Praia da Conceição. Foto: Noronha/Divulgação

Pico na Praia da Conceição. Foto: Noronha/Divulgação

Removido do cargo que ocupava em Fernando de Noronha após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se reunir com empresários na ilha, o oceanógrafo José Martins da Silva Júnior, conseguiu suspender na Justiça Federal sua remoção para a Floresta Nacional de Negreiros, no Sertão de Pernambuco.

Em decisão na quinta-feira (22), a juíza da 13ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, Edna Márcia Silva Medeiros Ramos entendeu que a transferência de José Martins iria trazer prejuízos ao servidor, que atua há 30 anos como coordenador do Projeto Golfinho Rotador.

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A liminar impede que ele seja obrigado a se apresentar até o começo de setembro no município de Serrita, onde iria cuidar de uma área de três mil hectares de caatinga e cerrado. A decisão, porém, é temporária e terá vigência até o julgamento do mérito da questão. Depois de saber da determinação, o ambientalista, que não chegou a sair do arquipélago, se disse aliviado.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou que a decisão da justiça é também uma resposta para todas as pessoas que defendem a preservação ambiental no país.

José Martins foi alvo de um processo administrativo três dias depois que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou a ilha e esteve com empresários, no dia 19 de julho. No dia 4 de agosto, a remoção dele foi assinada pelo presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o coronel Homero de Giorge Cerqueira.

A medida seria para equilibrar o quantitativo de servidores nas unidades de conservação já que Noronha teria 34 profissionais enquanto que a floresta contaria com apenas três. Mas, nos bastidores, o ambientalista, que também atuava para restringir a expansão urbana na ilha, estaria sendo visto pelo governo como um entrave para o “desenvolvimento” do arquipélago, localizado a 545 quilômetros do Recife.

Rebeca Silva

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